quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um Encontro Maravilhoso-Revista O Mensageiro-Autor Desconhecido

Um dia, levantei-me de manhã cedo para assistir o nascer do sol.
A beleza da criação divina estava além de qualquer descrição.
Enquanto eu assistia, louvei a Deus pelo Seu belo trabalho.
Sentado lá, senti a presença de Deus comigo.

Ele me perguntou:
"Você me ama?"

Eu respondi:
"É claro, Deus! Você é meu Senhor e Salvador!"

Então Ele perguntou:
"Se você tivesse alguma dificuldade física, ainda assim Me amaria?"

Eu fiquei perplexo.
Olhei para meus braços, pernas e para o resto do meu corpo e me perguntei: quantas coisas eu não seria capaz de fazer, as coisas que eu dava por certas.

E eu respondi:
"Seria difícil Senhor, mas eu ainda Te amaria."

Então o Senhor disse:
"Se você fosse cego , ainda amaria minha criação?"

Como eu poderia amar algo sem a possibilidade de vê-lo?
Então eu pensei em todas as pessoas cegas no mundo e quantos deles ainda amaram Deus e Sua criação.

Então respondi:
"É difícil pensar nisto, mas eu ainda Te amaria."

O Senhor então perguntou-me:
"Se você fosse surdo, ainda ouviria minha palavra?"

Como poderia ouvir algo sendo surdo?
Então eu entendi.
Ouvir a palavra de Deus não é simplesmente usando os ouvidos, mas nossos corações.

Eu respondi:
"Seria difícil, mas eu ainda ouviria a Tua palavra."

O Senhor então perguntou:
"Se você fosse mudo, ainda louvaria Meu nome?"

Como poderia louvar sem uma voz?
Então me ocorreu: Deus quer que cantemos de toda nossa alma e todo nosso coração.

Não importa como possa parecer.
E louvar a Deus não é sempre com uma canção, mas quando somos oprimidos, nós louvamos a Deus com nossas palavras de gratidão.

Então eu respondi:
"Embora eu não pudesse fisicamente cantar, eu ainda louvaria teu nome."

E O Senhor perguntou:
"Você realmente Me ama?"

Com coragem e forte convicção, eu respondi seguramente:
"Sim, Senhor! Eu te amo.
Tu És o Único e Verdadeiro Deus!"

Eu pensei ter respondido bem, mas então Deus perguntou:

"ENTÃO POR QUE PECAS?"

Eu respondi:
"Porque sou apenas um humano.
Não sou perfeito."

"ENTÃO PORQUE EM TEMPOS DE PAZ VOCÊ VAGUEIA AO LONGE?
PORQUE SOMENTE EM TEMPOS DE PROBLEMAS VOCÊ ORA COM FERVOR?"

Sem respostas...
Somente lágrimas...

O Senhor continuou:

"Por que cantas somente nas confraternizações e nos retiros?
Por que Me buscas somente nas horas de adoração?
Por que Me perguntas coisas tão egoístas?
Por que me fazes perguntas tão sem fé?"

As lágrimas continuavam a rolar em minha face....

"Por que você está com vergonha de mim?
Por que você não está espalhando as boas novas?
Por que em tempos de opressão, você chora a outros quando eu ofereço Meu ombro pra você chorar nele?
Por que cria desculpas quando lhe dou oportunidades de servir em Meu nome?"

Eu tentei responder...
mas não havia resposta a ser dada.

"Você é abençoado com vida.
Eu não lhe fiz para que jogasse este presente fora.
Eu lhe abençoei com talentos pra Me servir, mas você continua a se virar...
Eu revelei Minha palavra a você, mas você não progride em conhecimento.
Eu falei com você, mas seus ouvidos estavam fechados.
Eu mostrei minhas bênçãos, mas seus olhos se voltavam pra outra direção.
Eu lhe mandei servos, mas você se sentou ociosamente enquanto eles eram afastados.
Eu ouvi suas orações e respondi a todas elas."

"VOCÊ VERDADEIRAMENTE ME AMA?"

Eu não pude responder...
Como eu poderia?
Eu estava, inacreditavelmente, constrangido.
Eu não tinha desculpa.
O que eu poderia dizer?
Quando meu coração chorou e as lágrimas brotaram, eu disse:
"Por favor, perdoe-me Senhor.
Eu não sou digno de ser seu filho"

O senhor respondeu:
"Esta é Minha Graça, minha criança"

Eu perguntei:
"Então por que continuas a me perdoar?
Por que me amas tanto?"

O Senhor respondeu:
"Porque você é Minha criação.
Você é Minha criança.
Eu nunca te abandonarei.
Quando você chorar, Eu terei compaixão e chorarei com você.
Quando você estiver alegre, Eu vou rir com você.
Quando você estiver desanimado, Eu te encorajarei.
Quando você cair, Eu vou te levantar.
Quando você estiver cansado, Eu te carregarei.
Eu estarei com você até o final dos tempos, e te amarei pra sempre."

Eu jamais chorara daquela maneira antes.
Como pude ter sido tão frio?
Como pude ter magoado Deus como fiz?

Eu perguntei a Deus:
"Quanto me amas?"

Então, O Senhor esticou Seu braço e eu vi suas mãos com enormes buracos sangrentos.
Logo, curvei-me aos pés de Jesus Cristo, meu Salvador, e , pela primeira vez, eu orei, verdadeiramente...

Gratidão -Revista O Mensageiro-Autor Desconhecido

O homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída, quando uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine. Os olhos da cor do céu, brilhavam quando viu um determinado objeto.

Ela entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.

- É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito? diz ela.

O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:

- Quanto de dinheiro você tem?

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:

- Isso dá?

Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.

- Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos.

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.

- Tome!, disse para a garota. Leve com cuidado.

Ela saiu feliz saltitando pela rua abaixo. Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis adentrou à loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:

- Este colar foi comprado aqui?

- Sim senhora.

- E quanto custou?

- Ah!, falou o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.

A moça continuou:

- Mas minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.

- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. DEU TUDO O QUE TINHA.

O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequeno embrulho.

"Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama, não coloca limites para os gestos de ternura. Seja sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. Gratidão com amor não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece."

Correio Fraterno

O Otimista

Autor Desconhecido-Revista o Mensageiro

João era o tipo do cara que você gostaria de conhecer. Ele estava sempre de bom humor e sempre tinha algo de positivo para dizer.

Se alguém lhe perguntasse como ele estava, a resposta seria logo:
- Se melhorar estraga.

Ele era um gerente especial pois seus garçons o seguiam de restaurante em restaurante apenas pelas suas atitudes. Ele era um motivador nato. Se um colaborador estava tendo um dia ruim, João estava sempre dizendo como ver o lado positivo da situação.

Fiquei tão curioso com seu estilo de vida que um dia lhe perguntei:
- Você não pode ser uma pessoa tão positiva todo o tempo. Como você faz isso?

Ele me respondeu:
- A cada manhã ao acordar digo para mim mesmo, João, você tem duas escolhas hoje. Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Eu escolho ficar de bom humor. Cada vez que algo de ruim acontece, posso escolher bancar a vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Eu escolho aprender algo. Toda vez que alguém reclamar, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida.

- Certo, mas não é fácil, argumentei.
- É fácil, disse-me João. A vida é feita de escolhas.

Quando você examina a fundo, toda a situação sempre há uma escolha. Você escolhe como reagir às situações. Você escolhe como as pessoas afetarão o seu humor. É sua a escolha de como viver a sua vida.

Eu pensei sobre o que João disse, e sempre lembrava dele quando fazia uma escolha. Anos mais tarde soube que João cometera um erro, deixando a porta de serviço aberta pela manhã, foi rendido por assaltantes. Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, sua mão, tremendo pelo nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico e atiraram nele.

Por sorte ele foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta ainda com fragmentos de balas alojadas em seu corpo.

Encontrei João mais ou menos por acaso. Quando lhe perguntei como estava, respondeu:
- Se melhorar estraga.

Contou-me o que havia acontecido perguntando:
- Quer ver minhas cicatrizes?

Recusei ver seus antigos ferimentos mas perguntei-lhe o que havia passado em sua mente na ocasião do assalto.

- A primeira coisa que pensei foi que deveria ter trancado a porta de trás, respondeu. Então, deitado no chão, ensangüentado, lembrei que tinha duas escolhas: poderia viver ou morrer. Escolhi viver.

- Você não estava com medo? perguntei.

- Os paramédicos foram ótimos. Eles me diziam que tudo ia dar certo e que eu ia ficar bom. Mas quando entrei na sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Em seus lábios eu lia: "esse ai já era". Decidi então que tinha que fazer algo.

- O que fez?, perguntei.

- Bem, havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Me perguntou se eu era alérgico a alguma coisa.
Eu respondi: "sim". Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: "Sou alérgico a balas!"

Entre as risadas lhes disse:
"Eu estou escolhendo viver, operem-me como um ser vivo, não como morto."

João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude. Aprendi que todo dia temos a opção de viver plenamente. Afinal de contas, "ATITUDE É TUDO".

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Será que Fazemos a Verdadeira Vontade do Pai?

Será que realmente fazemos a vontade do Pai que está nos Ceus? Será que estamos trabalhando realmente na sua Seara?
Muitas vezes esquecemos que a caridade é praticada no dia a dia e não só de ajuda financeira.
Nos Centros Espíritas estamos em uma sintonia de paz, onde tudo é motivo de alegria com nossos irmãos alguns até muda seu ton de voz usal, para um ton de bondade momentânea.
Acontece que reconhecemos o verdadeiro espírita fora dos Centros espíritas, onde tem seu aprendizado e sai no dia a dia para praticá-lo.
Não adianta saber o evangelho de cor, é preciso praticar com amor perante os nossos semelhantes.
Alguns se acham com um Rei na Barriga e olham os semalhantes de cima para Baixo, onde na realidade, teriam que olhar de baixo para cima com a prática na humildade, onde muitas vezes nossos irmãos passam por situações precárias, para desenvolvermos a caridade e possamos evoluir espiritualmente.
Isso não vem a dizer que o espírita é um ser passivo, e sim um ser ativo que é testemunho da verdade, da Fé raciocinada e procura fazer dos seus irmãos pessoas queridas que precisam de amor.
Amor este sentimento nobre, muitas vezes esquecido pela nossa arrogância e impiedade, onde temos que colocar nas nossas cabeças, que nossos queridos irmãos que estão em sofrimento são nossos companheiros de jornada que precisam da nossa palavra de conforto, carinho e compreensão, pois vivemos ainda em um planeta de provas e expiações onde existe ainda uma heterogeneidade de evoluções.
Irmãos! Amai-vos uns aos outros, pois tenha a certeza que a cada um dos pequeneninhos que ajudar-mos é ao Pai que Fazemos e isso é dever do verdadeiro espírita, que ama a Deus sobre todas as coisas.
Antonio Carlos Laranjeira Miranda
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Orgulho

Hoje quero falar sobre um mal que corroe nossas almas e nos cobre a visão das coisas maravilhosas da vida terrena e espiritual.
Este mal que falo é o véu do orgulho, este egoismo que parece que cada um tem o que os outros não tem. É o melhor atalho para entrar-mos em sintonia com espíritos que se comprazem no mal e nos fazem esquecer as Divinas palavras de Jesus: Amai uns aos ao outros, pois a cada um destes pequenininhos que ajudas é a mim que fazem.
Este orgulho que falo existe e muito na Doutrina espírita, onde as pessoas ficam equivocadas com o que aprenderam e entram em uma espécie de obsessão pensando que é só o dono da verdade e não aceitam que seus pensamentos sejam comungados por outras pessoas.
Não existe no mundo ninguém melhor do que ninguém, pois sendo Deus justiça e verdade, Ele dá a oportunidade a todos de um dia está no mundo dos bem aventurados. Irmãos queridos, estamos no terceiro milênio e é chegado o momentos de darmos as mãos e transformarmos a nossa sociedade em uma sociedade humanista, onde somos responsáveis pela transição que o planeta terra está passando.
Vamos extinguir este mal que assola a humanidade e atrasa o processo evolutivo dos nossos espíritos.

Antonio Carlos Laranjeira Miranda

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Fé Que Transporta Montanhas

Grupo Espírita Apóstolo Paulo

Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível. (Mateus, XVII: 14-19)

Fé humana e fé divina
- A fé é humana ou divina, segundo a aplicação que o homem der às suas faculdades, em relação às necessidades terrenas ou às suas aspirações celestes e futuras. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 12)

Fé cega e fé racional
- A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 6)

Fé ativa e fé passiva
Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. (Tiago 2, 14 e 17)

Acima, colocamos um exemplo de como a palestra pode ser apresentada em uma lousa. A seguir, os comentários que podem ser feitos a cada item em destaque.
Fé que transporta montanhas

Este tema visa esclarecer ao público qual o verdadeiro sentido da fé e o que ela significa para as nossas vidas. Como a Doutrina Espírita compreende este sentimento e de que forma colocá-lo em prática frente às dificuldades da existência.

Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível. (Mateus, XVII: 14-19)

Explique esta passagem, onde Jesus diz que quem tiver fé do tamanho de um grão de mostarda, ou seja, muito pequeno, terá capacidade para remover montanhas. Com isso, o Mestre nos faz refletir sobre quanto somos descrentes nos momentos difíceis. Que temos muita teoria, mas na hora da prova, fraquejamos. E que uma pequena dose de fé já nos faria maravilhas.
É necessário deixar claro que as montanhas que serão transportadas são um simbolismo dos nossos problemas, dificuldades. São também as nossas limitações, os nossos defeitos e imperfeições.
Jesus nos deixa claro o poder deste sentimento tão falado e tão pouco compreendido e praticado, pois ele esclarece que nada nos será impossível se soubermos usar esta poderosa força espiritual.

Fé humana e fé divina
- A fé é humana ou divina, segundo a aplicação que o homem der às suas faculdades, em relação às necessidades terrenas ou às suas aspirações celestes e futuras. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 12)

No Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 19, item 12, Kardec define a fé como sendo uma força de vontade direcionada para um certo objetivo, ou seja, a vontade de querer. E esta força pode ser aplicada em dois campos distintos: o material e o espiritual, conforme o objetivo proposto.
No campo material, Kardec define a fé como humana, quando ela é usada para conseguir objetivos materiais e intelectuais, como por exemplo: a construção de uma empresa, a melhoria profissional buscando novos horizontes de atuação. Todos nós temos que ter esta fé, que é a crença em nossa própria capacidade de realizar uma tarefa material. Mas ela deve ser aliada à humildade e à racionalidade, para não se transformar em orgulho, sentimento este que nos traz ilusões sobre a nossa personalidade.
Cite ao público vários exemplos de homens que realizaram grandes tarefas para o bem da sociedade, acreditando no seu próprio potencial, em vários campos de atuação, como por exemplo: a política, as ciências, os descobrimentos e também o campo empresarial.
No campo espiritual, Kardec define a fé como divina, pois ela orienta o homem na crença em uma força superior a ele e a tudo, que direciona a sua capacidade na busca de algo além do material, na descoberta do seu lado imortal. É a religiosidade, agregando a caridade, a fraternidade e a melhoria interior.
Esta fé, aliada à fé humana, espiritualiza os objetivos desta última e direciona esta força material para a satisfação da coletividade e não mais só da individualidade.

Fé cega e fé racional
- A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobretudo compreender. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, XIX, 6)

Aqui vamos definir a fé que a nossa Doutrina veio propagar, que é a Fé Racional. Aquela que conforme este trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, veio aliar a este sentimento de crença e vontade de querer, uma qualidade própria do nosso tempo, que é a razão. É ela quem dá uma base sólida a nossa crença, podendo encarar a ciência e o progresso a qualquer tempo. E que também nos ensina que não basta só crer ou ver, é também necessário compreender. Isto se aplica principalmente ao Espiritismo, onde o estudo e a prática da caridade são fundamentais para um bom desenvolvimento do trabalhador espírita. Não basta também sentir, ver, ouvir, incorporar ou falar com os espíritos, é importante compreender sua natureza, o seu ambiente, a sua ação no mundo material e no espiritual. Reafirme o que diz o E.S.E., que é necessários compreender antes de ver.
Deixe claro o perigo da fé cega, aquela que acredita sem compreender, sem questionar, pois ela é a gênese do fanatismo religioso que causou tanto mal para a humanidade, e que deve ser combatida com serenidade e racionalidade

Fé ativa e fé passiva
Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. (Tiago 2, 14 e 17)

Encerrando a palestra, saliente que a Fé sem obra não vale nada, mesmo a Fé Racional, pois só o conhecimento não salva ninguém. É vital aplicarmos o que estamos aprendendo e o que já sabemos, mudando o mundo em nossa volta, primeiramente o nosso interior e depois a parte externa.
Não adianta nada lermos toda a Bíblia, todas as obras da codificação, todas as obras complementares, se todo este cabedal de ensinamentos não mudar o nosso espírito para melhor, transformando em obras materiais e espirituais o que aprendermos. É o benefício que podemos fazer ao próximo, e que, com certeza, será também revertido para nós mesmos.

Há Muitas Moradas Na Casa de Meu Pai - ESE cap III

FUNDAÇÃO ESPÍRITA ANDRÉ LUÍS

1. Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na Casa de meu Pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito; pois vou preparar-vos o lugar. E depois que eu me for, e vos aparelhar o lugar, virei outra vez e tomar-vos-ei para mim, para que lá onde estiver, estejais vós também. (João, XIV:1-3)

Diferentes estados da alma na erraticidade

2. A casa do Pai é o Universo; as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, e oferecem aos Espíritos desencarnados lugares apropriados à sua evolução.
Além da diversidade dos mundos, estas palavras podem também ser interpretadas quanto ao estado feliz ou infeliz do Espírito na erraticidade. De acordo com o estado de maior ou menor pureza e de desapego às atrações materiais, o meio onde se encontra, o aspecto das coisas, as sensações que experimenta, as percepções que possui, tudo isso varia ao infinito. Enquanto uns vivem presos à esfera na qual viveram, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos. Enquanto certos Espíritos culpados vagam nas trevas, os felizes usufruem de uma claridade resplandecente e do sublime espetáculo do infinito. Enfim, enquanto os maus, atormentados de remorsos e desgostos, quase sempre sós, sem consolação, separados dos objetos de sua afeição gemem sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, reunido àqueles que ama, usufrui das doçuras de uma felicidade indescritível. Lá também há, portanto, várias moradas, embora não limitadas nem circunscritas.

Diversas categorias de mundos habitados

3. Dos ensinamentos dados pelos Espíritos, resulta que os diferentes mundos estão em condições muito diferentes uns dos outros, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade de seus habitantes. Dentre eles, há os que são ainda inferiores à Terra, física e moralmente. Outros estão no mesmo grau, e outros ainda, são mais ou menos superiores em todos os sentidos. Nos mundos inferiores, a existência é totalmente material, as paixões reinam soberanas, a vida moral é quase nula. À medida que esta se desenvolve, a influência da matéria diminui, de tal forma, que nos mundos mais elevados a vida é, por assim dizer, toda espiritual.
4. Nos mundos intermediários, há a mistura do bem e do mal, com predominância de um sobre o outro, segundo o grau de adiantamento em que se encontrem. Mesmo não podendo fazer desses diversos mundos uma classificação absoluta, pode-se, ao menos, em razão de seu estado e de seu destino - e com base em seus aspectos mais destacados - dividi-los de uma maneira geral, a saber: mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; mundos de provas e de expiações, onde o mal predomina; mundos regeneradores, onde as almas que ainda têm algo a expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta; mundos felizes, onde o bem supera o mal; mundos celestes ou divinos, morada dos Espíritos puros, onde o bem reina absoluto. A Terra pertence à categoria dos mundos de provas e expiações, e é por isso que o homem nela é alvo de tantas misérias.
5. Os Espíritos encarnados num determinado mundo não estão ligados a ele indefinidamente, e não cumprem nele todas as fases do progresso que devem percorrer, para chegarem à perfeição. Quando eles atingem o grau de evolução necessário, passam para outro mundo mais avançado, e assim sucessivamente, até chegarem ao estado de Espíritos puros. Os mundos são as estações nas quais eles encontram elementos de progresso proporcionais à sua evolução. É para eles uma recompensa passarem a um mundo de grau mais elevado, assim como é um castigo prolongarem sua permanência num mundo infeliz, ou serem relegados a um mundo ainda mais infeliz que aquele que são forçados a deixar, quando se obstinam no mal.
O Céu e o Inferno - cap. III - O Céu (aqui reproduzimoa apenas um trecho o capítulo deve ser lido na íntegra)
Em geral a palavra céu designa o espaço indefinido que circunda a Terra, e mais particularmente a parte que está acima de nosso horizonte. Vem do latim "coelum", formada do grego "coilos", côncavo, porque o céu parece uma imensa concavidade. Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro.
Toda as doutrinas criadas para explicar a existência do paraíso partiram da premissa de considerar a Terra como centro do Universo, ao mesmo tempo que fixavam limites para a região dos astros, colocando além desse limite imaginário a morada do Todo Poderoso.
Singular anomalia que coloca o autor em todas as coisas, aquele que as governa a todas, nos confins da criação, em vez de no centro, donde seu pensamento poderia, irradiante, abranger tudo.
Por toda a parte existe a felicidade, decorrente da categoria em que cada Espírito se coloca pelo seu adiantamento, trazendo cada um consigo mesmo os elementos de sua felicidade, relativamente a todos os progressos e a todos os deveres cumpridos.
O céu, portanto, está em toda a parte e nenhum contorno lhe traz limites, sendo os mundos adiantados as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.
É por isso que Jesus afirma que "o reino de Deus não está aqui, nem acolá, mas dentro de nós".
O Céu e o Inferno - cap. IV - O Inferno - O inferno Cristão imitado do Inferno Pagão
O inferno pagão, descrito e dramatizado pelos poetas, foi o modelo mais grandioso do gênero e se perpetuou no seio dos cristãos onde, por sua vez, houve poetas e cantores. Comparando-os, encontram-se neles - salvo os nomes e variantes de detalhes - numerosas analogias; ambos têm o fogo material por base de tormentos, como símbolo dos sofrimentos mais atrozes. Mas, coisa singular! Os cristãos exageraram em muitos pontos o inferno dos pagãos.
Se os pagãos tinham o tonel das Danaides, a roda de Ixião, o rochedo de Sísifo, têm para todos, sem distinção, as caldeiras ferventes cujos tampos os anjos levantam para ver as contorções dos condenados e Deus, sem piedade, lhes ouve os gemidos por toda a eternidade. Nunca os pagãos descreveram os habitantes dos Campos Elísios deleitando a vista nos suplícios do Tártaro. Os cristãos têm, como os pagãos, o seu rei dos infernos - Satã - com a diferença, porém, de que Plutão se limitava a governar o sombrio império, que lhe coubera em partilha, sem ser mau; retinha em seus domínios os que haviam os homens ao pecado para desfrutar, tripudiar dos seus sofrimentos. Satã, no entanto, recruta vítimas por toda parte e regozija-se ao atormentá-las com uma legião de demônios armados de forcados e revolvê-las no fogo.
Já se tem discutido seriamente acerca da natureza desse fogo que queima, mas não consome as vítimas. Tem-se mesmo perguntado se seria um fogo de betume.
O inferno cristão nada pois fica devendo ao inferno pagão.
As mesmas considerações, que entre os antigos tinham feito localizar o reino da felicidade, fizeram circunscrever igualmente o lugar dos suplícios. Tendo os homens colocado o primeiro nas regiões superiores era natural que reservassem ao segundo os lugares inferiores, isto é, o centro da Terra, para onde eles acreditavam servirem de entradas certas cavidades sombrias, de aspecto horrível. Os cristãos também colocaram ali, por muito tempo, a habitação dos condenados.
A respeito do assunto, frisemos ainda outra analogia: O inferno dos pagãos continha de um lado os Campos Elísios e do outro o Tártaro; o Olimpo, morada dos deuses e dos homens divinizados, ficava nas regiões superiores. Segundo a letra do Envangelho, Jesus desceu aos infernos, isto é aos lugares baixos para deles tirar as almas dos justos que lhe aguardavam a vinda.
Os infernos não eram portanto um lugar unicamente de suplício: estavam como para os pagãos, nos "lugares baixos".
A morada dos anjos, assim como o Olimpo, era nos "lugares elevados". Colocaram-na para além do céu estelar, que se acreditava limitado.
A mistura de idéias cristãs e pagãs nada tem de surpreendente. Jesus não podia de um só golpe destruir enraizadas crenças, faltando aos homens conhecimentos necessários para conceber a infinidade do Espaço e o número infinito dos mundos; a Terra para eles era o centro do Universo; não lhe conheciam a forma nem a estrutura interna; tudo se limitava ao seu ponto de vista: as noções do futuro não podiam ir além dos seus conhecimentos.
Jesus encontrava-se pois na impossibilidade de os iniciar no verdadeiro estado das coisas; mas não querendo, por outro lado, sancionar preconceitos aceitos, com a sua autoridade, absteve-se de os retificar, deixando ao Tempo essa missão. Limitou-se ele a falar vagamente da vida bem-aventurada, dos castigos reservados aos culpados, sem referir-se nunca nos seus ensinos a castigos e suplícios corporais, que constituíram para os cristãos um artigo de fé.
Eis aí como as idéias do inferno pagão se perpetuaram até aos nossos dias. Foi preciso a difusão das luzes dos tempos modernos, o desenvolvimento geral da inteligência humana para se lhe fazer justiça.
Porém como nada de positivo houvesse substituído as idéias recebidas, ao longo período de uma crença cega sucedeu, transitoriamente, o período de incredulidade a que vem por termo a Nova Revolução. Era preciso demolir para reconstruir, visto como é mais fácil insinuar idéias justas aos que em nada crêem, sentindo que algo lhes falta, do que faze-lo aos que possuem uma idéia robusta, ainda que absurda.
Localizados o céu e o inferno, as seitas cristãs foram levadas a não admitir para as almas senão duas situações extremas: a felicidade perfeita e o sofrimento absoluto. O purgatório é apenas uma posição intermediária e passageira, ao sair da qual as almas passam, sem transição, para a mansão dos bem-aventurados.
Outra não pode ser a hipótese, dada a crença na sorte definitiva da alma após a morte. Se não há mais do que duas habitações, a dos elementos e a dos condenados, não se podem admitir muitos graus em cada uma sem admitir a possibilidade de se franquearem eles conseqüentemente, o progresso; ora, se há progresso, não há sorte definitiva; se há sorte definitiva, não há progresso. Jesus resolveu a questão quando disse: Há muitas moradas na casa de meu Pai.