sábado, 11 de dezembro de 2010

Profilaxia da Alienação - Richard Simonetti

Dois pacientes conversam no manicômio:
– Sou Francisco de Assis!
– Como soube?
– Uma revelação!
– De quem?
– De Deus.
– Mentira! Nunca lhe falei nada disso!
Este é o clássico exemplo de doentes mentais afastados da realidade,em estágio num mundo de fantasia.
Distúrbios graves dessa natureza,originários de acidente circulatório,senilidade, Mal de Alzheimer e outros, situam-se por cobranças cármicas que o destino faz ao paciente e à família. É o decantado resgate de débitos pretéritos,conforme ensina a Doutrina Espírita.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo,capítulo V, item 14, Kardec faz oportuna observação, que merece nossa reflexão:
[…] é certo que a maioria dos
casos de loucura se deve à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem a coragem de suportar. [...]
Interessante, leitor amigo. O Codificador considera que a loucura,na maioria dos casos, é produzida pela inconformação diante de situações difíceis, como a morte de
um ente querido, o desastre financeiro,a decepção amorosa, a doença grave,a solidão.
Se a tensão é muito grande, pela recusa em enfrentar os desafios existenciais, fervem os miolos, derrete a razão.
O mesmo ocorre com muitos recém-desencarnados.
Nas reuniões mediúnicas deparamos com entidades nessa lamentável condição. Pouco afeitos à oração e à reflexão, mente presa a situações que dizem respeito à existência física, perturbam-se e caem na alienação.
Como a dimensão espiritual é uma projeção da dimensão física,começando exatamente onde estamos,tendem a gravitar em torno de seus familiares, negócios, vícios, paixões, ambições…
Confusos e aflitos, perturbam os que lhes sofrem a influência,com sua perplexidade e indignação diante de acontecimentos para eles incompreensíveis.
– Meus filhos estão roubando minha fortuna – reclama o usurário,sem perceber que se trata de uma partilha envolvendo o inventário de seus bens.
– Minha mulher está me traindo
– reclama o esposo, sem perceber que ela está refazendo sua vida afetiva.
– Meu marido recusa-se a conversar comigo – reclama a esposa,sem perceber que o marido simplesmente não a vê.
Mente prisioneira das ilusões da Terra, têm dificuldade para encarar as realidades do Além.
Mais lamentável que a alienação mental, que atinge Espíritos encarnados e esencarnados, é a alienação existencial que lhe dá origem.
É o viver sem noção dos porquês da existência.
De onde viemos, o que estamos fazendo na Terra, para onde vamos?
Fiz certa feita uma pesquisa junto a colegas de trabalho, com destaque para a seguinte pergunta:
Qual o objetivo da Vida?
Pasme, leitor amigo! A maioria,mesmo dentre os que se diziam religiosos, não soube responder!
Agora, pergunto-lhe: como pode alguém viver de forma disciplinada,corajosa, espiritualizada,se não sabe o que veio fazer na Terra?
Por isso as pessoas desajustam-se diante das vicissitudes, ficam doentes, atribuladas, infelizes, nervosas,desembocando, não raro, nos transtornos mentais que podem culminar na alienação.
Princípios religiosos tradicionais nos dizem que nossa alma foi criada por Deus no momento da concepção e que a felicidade futura vai depender de cumprirmos o que Deus espera de nós. Num espaço de alguns decênios, decidiremos o nosso futuro para sempre.
É complicado, porque não somos todos iguais.
Não temos o mesmo caráter.
Não temos as mesmas disposições.
Não temos a mesma inteligência.
Não temos as mesmas virtudes.
Não temos a mesma compreensão.
Há gente boa e gente ruim.
Há gente inteligente e gente
obtusa.
Há gente religiosa e gente materialista.
Há gente virtuosa e gente viciosa.
Há gente altruísta e gente egoísta.
Será que Deus nos fez assim,com tão gritantes diferenças, como se tivesse criado uns para a salvação e outros para a perdição?
Tais dúvidas induzem ao amornamento da crença e, não raro, à descrença.
Por isso, habituam-se as pessoas a viver sem questionamentos,preferindo o imediatismo terrestre às cogitações celestes.
O Espiritismo nos ajuda a superar a alienação existencial, a partir da fé racional, como propõe Kardec, compromissada com a lógica e o bom senso.
Somos Espíritos imortais.
Já vivemos múltiplas existências no passado e continuaremos a viver no futuro, desdobrando experiências de aprendizado e aprimoramento.
Cada um de nós tem uma idade espiritual, e nossa personalidade, com nossas facilidades e limitações, com nossas tendências boas ou más, é o somatório de nossas
ex p e r i ê n c i a s do passado, do que fizemos.
As vicissitudes da Terra, os problemas e dissabores que enfrentamos guardam relação
também com o nosso passado.
Tanto melhor os enfrentaremos quanto maior a nossa confiança em Deus e a disposição de lutarmos contra nossas imperfeições,buscando fazer o melhor.
É o que destaca Kardec, na sequência do citado item 14, ao reportar-se ao indivíduo que enfrenta as atribulações da Terra:
[...] se encarando as coisas deste mundo da maneira por que o Espiritismo
faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de
abalos a razão, os quais, se não fora isso, a conturbariam.
Perfeito! Encarar os desafios do caminho, na jornada da vida, com as lentes do Espiritismo, é a melhor maneira de não tropeçarmos na alienação.
Pode parecer um exagero o receber mesmo com alegria, os reveses e as decepções...
Difícil rir na dor ou festejar na frustração.
Mas não seria essa a postura lógica de alguém que resgata uma dívida? Se chorar diante do credor,não haverá de ser pela euforia de liquidar o débito?
E se difícil nos parece chegar a tanto, diante da adversidade, que pelo menos preservemos a sanidade física e espiritual, cultivando bom ânimo.
Assim como são necessários os suplementos vitamínicos diários para suprir determinadas deficiências orgânicas, é importante, indispensável mesmo, que alimentemos nossa alma com a leitura e a reflexão em torno das ideias que Kardec,
sabiamente, desenvolve em O Evangelho segundo o Espiritismo, sob inspiração
dos mentores espirituais.
Somente assim teremos condições para, em todas as situações,conservarmos a saúde espiritual,indispensável ao perfeito aproveitamento da jornada.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Cristo e Sua Doutrina

Os princípios essenciais transmitidos por Jesus à Humanidade estão claramente
expostos nos Evangelhos,escritos e reescritos por dois de seus discípulos diretos (Mateus e João) e por outros dois, que colheram o que expuseram dos apóstolos diretos e da Mãe Santíssima (Lucas e Marcos).
Além dessas quatro obras essenciais,aprovadas desde os primeiros séculos do Cristianismo pela Igreja primitiva, vários outros Evangelhos foram escritos por
diversos autores, entretanto, não tiveram a aceitação e a aprovação da generalidade dos cristãos.
Jesus não deixou qualquer escrito sobre os seus ensinos, transmitidos oralmente aos seus discípulos e ao povo em geral.
Mas os Evangelhos enunciam,com toda clareza, os princípios básicos de sua Doutrina, transmitidos aos que procuraram segui-lo, desde os dias de sua presença entre os homens, até a época atual.
Eis o que se entende claramente de suas lições, reafirmadas posteriormente pelo Consolador que Ele pediu ao Pai fosse enviado aos homens, o qual já se acha presente
junto à Humanidade, desde os meados do século XIX:

a) a paternidade universal de Deus, o Criador de tudo o que existe;

b) todas as consequências morais daí resultantes, inclusive a improcedência do politeísmo,até então dominante no mundo ocidental;

c) a eternidade da vida, que permite a cada Espírito a busca da perfeição (“o Reino de Deus”);

d) toda a Religião e toda a Filosofia resumidas numa só palavra:amor.

É do Mestre o ensino profundo,mas de tal simplicidade, que qualquer pessoa o guarda para sempre: “Amar a Deus sobre todas as coisas: e amar o próximo como a si mesmo”. (Mateus, 22:37-39.)
No Evangelho de Mateus (5:44--48),1 encontramos os seguintes ensinamentos do Mestre sobre o amor ao próximo, que se apresenta tão difícil para a imensa maioria dos habitantes deste mundo de expiações e provas:
Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam; para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus, o qual faz
erguer-se o seu sol sobre bons e maus, e faz chover sobre justos e injustos. Porque, se não amais senão os que vos amam, que recompensa deveis ter por isso?
É o exemplo do amor que nos dá o próprio Criador, com sua tolerância e compreensão para com todas as suas criaturas, por mais rebeldes que sejam perante suas leis justas e eternas, que têm, em si, os próprios meios para a correção de todos os erros cometidos contra elas.
Em outro ensino popular a uma multidão de ouvintes, Jesus subiu a um monte ,acompanhado por seus discípulos, e aí proferiu o célebre e incomparável Sermão da
Montanha.
Nele estão expressos, em traços inesquecíveis, os ensinos do Mestre sobre as virtudes humildes,próprias dos Espíritos retos e inclinados ao bem:

-Bem-aventurados os pobres de espírito (isto é, os Espíritos simples e retos), porque deles é o Reino dos Céus.
– Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
– Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. – Bem-aventurados os que são misericordiosos,porque alcançarão misericórdia. – Bem-aventurados os limpos de coração, porque esses verão a Deus. (Mateus,
5:1 a 12, Lucas, 6:20 a 25.)2
Percebe-se claramente, na pregação do Mestre, sua preocupação com a simplicidade e pureza do culto e dos sentimentos dirigidos diretamente a Deus.
Deus é Espírito e em espírito e verdade é que deve ser amado,cultuado e adorado, sem o culto exterior comum a quase todas as religiões.
E no que se refere aos nossos semelhantes, as palavras de Jesus são concisas e precisas: “Amai o vosso próximo como a vós mesmos”.(Mateus, 22:39.)
O amor é o sentimento que devemos cultivar por todas as criaturas,independentemente de serem elas boas ou más, ricas ou pobres.
A medida para esse amor que devemos estender à generalidade dos nossos semelhantes é
aquele sentimento especial que cultivamos em nós mesmos, uma vez que fomos criados por Deus.
Alguns argumentam que não podem amar a quem não conhecem e a quem jamais conhecerão,
dentre os bilhões de criaturas que vivem neste mundo e nas múltiplas Esferas Espirituais.
Torna-se necessário esclarecer que o amor ao nosso próximo é um princípio brangente, uma lei divina aplicável em qualquer tempo,e assim, mesmo que desconheçamos hoje a imensa maioria de nossos semelhantes, o amanhã nos proporcionará novos relacionamentos e conhecimentos com criaturas das mais diferentes condições.
Como a vida é eterna, o princípio é válido para a atualidade, para o passado e para o futuro, em todas as circunstâncias que ela proporciona a cada individualidade.
A doutrina evangélica, resultante dos ensinos e dos exemplos de Jesus, registrados pelos diversos evangelistas, permaneceu através dos séculos como expressão nconfundível do espiritualismo, tão necessário à sustentação do Bem contra os males do mundo atrasado em que vivemos.
A grandeza do Cristianismo e o seu poder moral resultam diretamente dos Evangelhos, da sua fidelidade aos ensinos de Jesus e dos esclarecimentos posteriores do Consolador,o Espiritismo, prometido e enviado pelo Mestre incomparável.
Essa doutrina, que os Evangelhos registram, contém uma parte secreta que vai mais longe que o assinalado na letra.
As parábolas e as ficções utilizadas por Jesus ocultavam concepções e realidades profundas que Ele preferiu deixar para revelações futuras, tendo em vista a ificuldade de entendimento de seus ouvintes e contemporâneos.
A ligação íntima entre os dois mundos – o dos encarnados e o dos desencarnados –, é uma das realidades, com a solidariedade e a comunicação possível entre os
homens e os Espíritos, que o Mestre deixou para ser discutida em outra época.
A lei da reencarnação, referida em diversas passagens evangélicas e também no Velho Testamento,foi claramente mencionada na conversa com Nicodemos, quando Jesus afirma:
“Em verdade te digo que, se alguém não renascer de novo,não poderá ver o Reino de Deus.
[...]” (João, 3:3-8.)3
Ao que Nicodemos revidou, por não entender a possibilidade de uma nova vida em um novo corpo.
Jesus não entrou em detalhes elucidativos, por compreender a dificuldade de ntendimento do interlocutor.
Aliás, a incompreensão de há dois mil anos continua na atualidade,já que as próprias religiões ditas cristãs, com milhões de adeptos,negam a divina lei das vidas sucessivas, reafirmada pelos Espíritos superiores, à frente o Espírito
de Verdade, trazendo a Terceira Revelação, o Espiritismo, que elucida essa e inúmeras outras questões de caráter religioso e científico,proporcionando à Humanidade uma melhor compreensão da verdade e da vida.
O grande erro das religiões predominantes no mundo resulta de uma falsa nterpretação das leis universais,levando a maioria dos homens à acanhada ideia que fazem da Natureza e das formas da vida.

Léon Dennis - O Reformador

Jesus

A questão 625 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta: Qual o tipo
mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para lhe servir de guia e
modelo? E recebe uma resposta simples e direta: “Jesus”.1
Comentando o assunto, o Codificador observa: “Para o homem, Jesus representa
o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo
oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão
de sua lei, porque, sendo Jesus o ser mais puro que já apareceu na Terra, o
Espírito Divino o animava”.
Essa questão, inúmeras vezes lembrada, merece uma análise. Apesar das deturpações
realizadas pelos homens por meio das instituições por eles criadas, uma observação
feita, com total isenção, sobre a presença de Jesus na Terra, mostra que Ele
deixou uma Doutrina que ampliou e aprofundou, no sentido da valorização do
amor e do conhecimento, os mandamentos recebidos por Moisés. Observa-se isso
nos ensinos do Sermão da Montanha, nas parábolas, para a compreensão do Reino
de Deus, e nas inúmeras oportunidades de conversação que teve, não só com os seus
discípulos, mas também com as demais pessoas com quem conviveu.
Além disso, deixou os exemplos de profundo amor para com tudo que a Natureza
apresenta, em especial para com os seres humanos: curou os enfermos, deu de
comer aos famintos, acolheu e orientou os aflitos e perturbados de toda ordem, e
deu testemunho de coragem, paciência, tolerância e perdão, especialmente no episódio
da crucificação.
Dando prova, finalmente, da imortalidade, com a sua ressurreição, abriu para
a Humanidade uma nova visão de vida que ultrapassa os limites da morte física.
Com seus ensinos e exemplos espalhou a verdade, que agora se destaca ainda mais com
o advento do Consolador Prometido.
Aqueles que estão convictos dessa realidade assumem, naturalmente, o dever,
consigo mesmos, de trabalhar, nesta e nas próximas reencarnações, no propósito
de substituir os seus velhos e viciados hábitos por novos, decorrentes da vivência
do Evangelho e formados à luz da Doutrina de Jesus, que é a expressão das Leis
de Deus.
“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Liberdade? Isso Merece uma Reflexão.

Algumas coisas curiosas acontecem em nosso planeta. Uma delas, por exemplo, é a eterna busca do ser humano pela liberdade. Hasteiam-se bandeiras em seu nome, luta-se, morre-se e mata-se por esse direito dito "inalienável" do ser. Mas o que seria essa tal de liberdade para cada um de nós? Será que todos queremos dizer a mesma coisa quando nos referimos a ela? Essas perguntas são mais capciosas do que aparentam ser, mas serei um pouco ousado e me aventurarei por esse caminho.

Para começar, acho válido termos em mente o fato de que, no conhecido Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, a palavra "liberdade", por si só, apresenta onze significados enumerados, fora diversas expressões das quais faz parte. É bom mencionar também que alguns desses significados são bastante contraditórios entre si e que, para piorar, essas contradições parecem ser necessárias. Por exemplo, a "Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação" parece bem atraente, mas eu não gostaria que uma pessoa que me desejasse fazer algum mal tivesse tamanha liberdade... Para esses casos, a solução está lá mesmo no dicionário, em outro significado: "Poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas", ou ainda na seguinte definição: "Faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei". Pois é, parece que precisamos limitar a liberdade para conseguirmos sobreviver em sociedade, que é a base para podermos exercer o direito de sermos livres. Isso não chega a ser cômico? Talvez tragicômico. É triste vermos que não podemos ser inteiramente livres por não sabermos sequer lidar com a liberdade total. Pior ainda é não sabermos ao certo que tipo de liberdade se aplica a cada momento de nossas vidas.

Outro fator interessante é a forma como expressamos essa liberdade. Certa vez, quando questionado, um aluno me disse: "Liberdade? É o direito de ir e vir, de onde quer que seja, para qualquer lugar, sem restrições". E por incrível que pareça, o rapaz pareceu satisfeito ao dizer isso, como se tivesse esgotado o assunto! Em seguida, perguntei-lhe se ele tinha vontade de conhecer as pirâmides do Egito (estávamos em meio a um curso sobre a Grande Pirâmide de Gisé), obtendo dele um fervoroso "sim". Indaguei o motivo de o aluno jamais havê-las visitado e o vi rir-se, acanhado, dizendo que não tinha dinheiro para tanto. Podemos então concluir que quem não tem dinheiro não é livre? Têm-se a liberdade de escolher visitar Tóquio ou Paris, mas não se têm a liberdade de optar por visitá-las, a menos que se tenha dinheiro? Essas perguntas pareceram deixar todos os presentes perplexos, como se aquilo fosse algo novo e pungente. Só então me dei conta da percepção de liberdade que quase todos ali tinham: um ideal de liberdade total e irrestrita, sem causas ou conseqüências, sem dependências nem interdependência.

Tal revelação foi intrigante. Seria esse tipo de mentalidade que aquelas pessoas, muitas delas já pais e até avós, estariam incutindo em seus filhos e netos? Que tipo de reflexo isso causaria em nossa sociedade presente e futura? Talvez crianças que acreditam ser livres o bastante para ferir os colegas de escola a seu bel-prazer? Ou para cometer violências que nem sequer imaginamos ainda?

Devemos, sim, valorizar e propagar a liberdade, mas com a nítida e clara noção da responsabilidade que ela traz consigo. Devemos nos lembrar de que o princípio da liberdade é mesmo um direito inalienável, mas também que nossa sociedade limitou, por fatores sócio-econômicos, nossa capacidade de exercitá-la. Antes de hastearmos novas bandeiras e de deflagrarmos novas guerras, descubramos primeiro que tipo de liberdade desejamos.

Deixo aqui uma sugestão: vamos refletir a respeito dos conceitos de liberdade que nutrimos dentro de nós e que ensinamos a nossos descendentes. Lutemos por fazer um futuro melhor, no qual tenhamos não apenas o direito, mas também o poder para exercitar a liberdade.

Alberto Cabral

O Filme de sua Vida

Diversos relatos das chamadas experiências de quase-morte presentes nas obras de Parapsicologia, assim como um sem-número de mensagens mediúnicas da literatura espírita nos informam que, no limiar do último suspiro, vemos os atos de nossa vida inteira passarem, como um filme, numa fração de segundos, perante nossos olhos.

E, pelo que se conclui de tais relatos, podemos afirmar que, cada um de nós é, ao mesmo tempo, o diretor, produtor, ator principal e expectador de tal filme, pois veremos somente aquilo que fizermos, pensarmos e sentirmos ao longo de toda nossa vida.

Isso nos leva a um inevitável questionamento: como você quer que seja o filme de sua vida, caro leitor ?

Você quer que seja um filme sem profundidade, no qual o expectador (que será você mesmo), ao terminar de assisti-lo, pouco ou nada tenha aprendido ? Ou quer que o ator principal seja uma personagem com atos nobres, de altruísmo e compaixão que faça o expectador verter lágrimas de sincera comoção pela beleza das atitudes que vê ?

Neste filme, cada dia é uma tomada e, como diretor e ator principal, competirá a você optar, dentro de seu livre-arbítrio, pelo melhor script, não sendo necessárias grandes fortunas típicas de uma produção de Hollywood para que, ao final, o filme seja belo, emocionante, profundo e enriquecedor.

Já se decidiu, caro leitor ? Então: luz, câmera e ação !

Paulo André Bueno de Camargo

Evangelho no Lar

O que é o Culto do Evangelho no Lar? Culto no Lar é a reunião íntima e informal que todos nós devemos realizar em nossas casas com os nossos familiares em benefício da harmonização do lar
Como devemos realizá-lo?

Primeiro, escolhemos um dia da semana e hora certa para fazê-lo. Reunimos os nossos familiares. Lemos uma página de ambientação, (nós, particularmente, gostamos muito do livro “Jesus no Lar”). Em seguida, fazemos uma prece. Em seguida, lemos um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Após a leitura, iniciamos uma conversa fraterna sobre as páginas lidas. E, depois, uma prece de encerramento. Podemos colocar, também, água a ser fluidificada, para depois bebermos.

Isso não é uma regra, porque ela pode ser adequada as necessidades de cada família. Por exemplo, quem tem crianças, para que elas possam, também, participar, é interessante fazermos leituras de textos adequados à faixa etária das crianças. Outros gostam de fazer leitura de O Livro dos Espíritos. Outros, das obras de André Luiz. Mas sempre se deve fazer a leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo, porque a finalidade precípua é fazer o Culto do Evangelho no Lar.



Para que fazemos isso?

Todos nós sabemos que temos amigos espirituais e aqueles que não são muito amigos. E mesmo às vezes em nossas famílias, nem todos os espíritos, ali reunidos, são espíritos afins. Muitas das vezes, nos reunimos em família para aprendermos a amar e perdoar. E o Culto do Evangelho no Lar funciona como um elemento catalisador, harmonizador, evangelizador para todos os que ali estão.



Quais são os benefícios?

O entendimento, a aproximação, a pacificação e a harmonização.

O Culto do Evangelho no Lar tem as maiores variações possíveis. Ele não só serve para o nosso lar, como também serve como um foco de luz para a nossa vizinhança, e até mesmo para a nossa rua e a nossa localidade, onde moramos. Muitos poderão dizer: Mas, a única pessoa espírita em minha casa sou eu! Outros poderão dizer: Eu moro sozinho. Outros poderão dizer: Eu não tenho condição espirituais para dirigir um culto. E eu só posso dizer o seguinte: Sejam quais forem as dificuldades, tentem, comecem, façam.

Vou citar uma experiência de uma companheira, que é muito interessante e nos foi passado no atendimento fraterno: jovem, espírita, acostumada a fazer o Culto do Evangelho no Lar, casou-se com um rapaz que tinha o vício do alcoolismo e tentou implantar no seu novo lar, o culto. O seu esposo, embora pessoa boa, todas as vezes que se alcoolizava transformava-se em um homem extremamente violento. E a jovem procurava fazer o seu culto em dias que ela achava que ele não iria beber. Mas parecia que um “mosquitinho” cochichava no ouvido dele, e por mais que ela mudasse os dias de semana para a realização do seu culto, era justamente naquele dia que ele bebia. E chegava em casa no horário certo do culto. Fazia uma arruaça, rasgava o Evangelho, dizia que não queria aquelas práticas dentro de sua casa. E a jovem, por ser muito convicta da utilidade do Culto no Lar, teve uma feliz idéia: passou a fazer o seu culto dentro do box do banheiro, utilizando já o seu Evangelho todo desfolhado... Passaram-se anos. O nosso amigo ficou muito doente e, com a perseverança da nossa jovem, ele passou a sentar-se à mesa para fazer o culto junto com a sua família. Alguns anos depois, o seu esposo desencarna e numa comunicação que ele dá, agradece a Deus o bem que fez ao seu espírito aquelas reuniões de culto no lar que ele participou.

Por isso, meus queridos, não deixem de fazer o Culto do Evangelho no seu lar, ou, ao menos, o hábito da leitura do evangelho. Temos companheiros que, devido a dificuldade de horários da família, (trabalho, estudo etc), fazem uma leitura do Evangelho diariamente, na hora do café, ou do jantar ou do almoço. O importante é a presença da leitura do Evangelho Segundo o Espiritismo em nossos lares.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Inspiração, Intuição e Telepatia

Edvaldo Kulcheski

Como ocorrem estes fenômenos? Sua existência demonstra que a pessoa é médium?

No momento em que exerce sua faculdade, o médium pode permanecer no estado normal ou ficar num estado mais ou menos acentuado de crise (transe mediúnico).

Conforme o tipo de faculdade que possui, permanece com as percepções normais ou seu estado de percepção pode se tornar muito mais sensível. Quando no estado normal, é inspirativo ou intuitivo. Quando no estado de crise adquire a forma de sonambulismo ou de êxtase.
Na inspiração e na intuição recebem o pensamento do espírito e posteriormente, com seu modo característico, transmitem a mensagem.
O sonambulismo natural é o estado de independência do espírito em que as suas faculdades adquirem maior amplitude. A alma tem percepções que no estado normal se acham embotadas.

O estado de êxtase é um sonambulismo mais apurado. A alma do estático ainda é mais independente.

Nos estados de sonambulismo e de êxtase, a própria alma do médium pode comunicar-se, constituindo isto o fenômeno chamado animismo.

Na inspiração, a intervenção espiritual é bem menos perceptível, mais discreta; é um modo de o homem receber ajuda aparente do plano superior. São apenas idéias ou sugestões mentais desprovidas de sentimentos.·

A intuição é semelhante a inspiração, porém, a intervenção espiritual é bem mais acentuada; o espírito comunicante transmite suas idéias ou sugestões mentais carregadas de sentimentos ao encarnado que, entendendo-as, interpreta-as e as enuncia com suas próprias palavras.

Tanto na inspiração como na intuição o que ocorre é a transmissão do pensamento, portanto, se efetuam o processo de comunicação telepática.
·

Telepatia e mediunidade

Na telepatia processada exclusivamente entre os encarnados, uma vontade ativa transmite os seus pensamentos e outra vontade deliberadamente passiva recebe os pensamentos emitidos, o que constitui num processo de transmissão mental diretamente de encarnado para encarnado. Mas no caso da inspiração e da intuição telepática, além de o médium deixar-se “inspirar” por outro espírito desencarnado, ele também assenhoreia-se dos seus problemas venturosos ou aflitivos, assim como, às vezes, recepciona mensagem espiritual educativa que ultrapassa o seu entendimento ou concepção comum que tem a vida.

Na telepatia entre encarnados, um cérebro ativo envia ondas concêntricas que são captadas por outro cérebro receptor passivo, por que ambos sintonizam-se na mesma faixa vibratória de transmissão mental.

Na inspiração e, principalmente, na intuição, efetua-se o “ajuste perispiritual” entre o perispírito do médium e o desencarnado, em que o primeiro recebe diretamente a mensagem que deve transferir para o mundo material.

No caso de pura telepatia entre encarnados, o fenômeno é subordinado exclusivamente aos acontecimentos do mundo físico, enquanto que, no intercâmbio telepático inspirativo e intuitivo com os espíritos desencarnados, os médiuns captam notícias inéditas do Além, fazem previsões acertadas e muitas vezes expõem assuntos que, além de transcender aos seus próprios conhecimentos, ainda ultrapassam a concepção habitual dos frequentadores das sessões espíritas.

Na inspiração, o médium não se afasta do corpo, precisa apenas sintonizar-se mentalmente com o espírito para receber telepaticamente a influência e transmití-la, sem se afastar do corpo. É totalmente consciente, ocorrendo a assimilação de correntes mentais que o espírito envia ao encarnado, ou seja, são apenas idéias ou sugestões mentais desprovidas de sentimentos.

É simplesmente uma influência telepática com plena consciência do médium, nada provando a origem mediúnica, mas reconhece-se que é uma influência estranha quando o assunto tratado está fora das cogitações do médium ou mesmo contrária a seus pontos de vista.

Na intuição o médium também não se afasta do corpo, mas tem de sintonizar-se mentalmente a harmonizar-se vibratoriamente com o espírito para receber telepaticamente a influência estranha e posteriormente transmití-la.

Duas pessoas sintonizadas mentalmente estarão, evidentemente, com as mentes perfeitamente entrosadas e havendo entre elas harmonia vibratória, se estabelecerá entre elas uma ponte magnética vinculando-as, imantando-as profundamente.

Os pensamentos e as sensações diferentes que o médium sente, deve-se ao jato de força mental e força vibratória que o espírito lança sobre o sistema nervoso do encarnado, ou seja, as idéias ou sujestões mentais vem carregadas de sentimentos, sensações etc.

O médium recebe as idéias, interpreta-as e dá-lhes forma com suas próprias palavras.

Não raro o comunicante imprime maior vigor à ação telepática pondo a mão no cérebro material, caracterizando aí a chamada mediunidade intuitiva.

As incorporações caracterizam-se pelo fato de o espírito do médium afastar-se do corpo (ao qual fica unido por um cordão fluídico) e entrar num estado de sonolência ou transe.
·

Livro Nos domínios da mediunidade

A seguir, alguns trechos do livro de André Luiz, psicografado por Chico Xavier.·

“Os veículos físicos aparecem quais se fossem correntes eletromagnéticas em elevada tensão.

O sistema nervoso, os núcleos glandulares e os plexos emitem luminescência particular. E justapondo-se ao cérebro, a mente surge como esfera de luz característica, oferecendo em cada companheiro determinado potencial de radiação.
·

Corpo físico – manifestação transitória da alma

Em qualquer estudo mediúnico, não podemos esquecer que a individualidade espiritual, na carne, mora na cidadela atômica do corpo, formado por recursos tomados de empréstimo ao ambiente do mundo. Sangue, encéfalo, nervos, ossos, pele e músculos representam materiais que se aglutinam entre si para a manifestação transitória da alma, na Terra, constituindo-lhe vestimenta temporária, segundo as condições em que a mente se acha.·


Amortecimento vibratório do instrutor espiritual

O instrutor espiritual pousou a destra na fonte do médium que comandava a assembléia, tornando-se mais humanizado, obscuro (com menos luz). Graduou o pensamento e a expressão, de acordo com a capacidade do médium e do ambiente que o cerca, ajustando-se-lhes às possibilidades.

O benfeitor espiritual tornou-se mais pesado porque amorteceu o elevado tom vibratório em que se respira habitualmente, descendo à posição do médium, tanto quanto lhe é possível, para benefício do trabalho que se inicia.

Os espíritos cujas vibrações se processam aceleradamente, devido à sua evolução, graduam o pensamento e densificam o perispírito quando desejam transmitir as comunicações, inspirar dirigentes mediúnicos ou expositores.·

Para reduzir seu padrão vibratório, os espírito superiores impregnam-se de matéria sutil colhida no próprio ambiente; para elevar o tom vibratório do médium, eles encontrarão na concentração ou transe daquele, os meios de ativar-lhes as vibrações.·
·

O mentor espiritual age no cérebro do médium·

A cabeça venerável do instrutor espiritual passou a emitir raios fulgurantes, ao mesmo tempo que o cérebro do médium, sob os dedos do benfeitor, se sublimava de luminosidade intensa, embora diversa.

O mentor desencarnado levantou a voz comovente, suplicando a Bênção Divina.

O médium transmitiu igualmente em alta voz, imprimindo diminutas variações.

Fios de luz brilhante ligavam os componentes da mesa, dando-lhes a perceber que a prece os reunia mais fortemente entre si.”
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Mecanismo da ação espiritual sobre o médium

Terminada a oração, acerquei-me do médium. Desejava investigar mais a fundo as suas impressões físicas e observei-lhe, então, todo o busto, inclusive os braços e mãos, sob vigorosa onda de força, arrepiar-lhe a pele, num fenômeno de doce excitação, como que “agradável calafrio”. Essa onda de força descansava sobre o plexo solar, onde se transformava em luminoso estímulo, que se estendia pelos nervos até o cérebro, do qual se derramava pela boca, em formas de palavras.

O jato de forças mentais do instrutor espiritual atuou sobre a organização psíquica do médium, apoiando-se no plexo solar, elevou-se ao sistema neuro-cerebrino.

Como energia elétrica da usina emissora que, atingindo a lâmpada, se espalha no filamento incandescente, produzindo o fenômeno da luz.
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Fenômeno de assimilação mental

Vimos aqui o fenômeno da perfeita assimilação de correntes mentais que preside habitualmente a quase todos os fatos mediúnicos.

Essas impressões apóiam-se nos centros dos corpos espiritual, que funcionam à maneira de condensadores, atingem, de imediato, os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se aí num átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro.

Semelhante a milagroso teclado de eletroimãs, ligados uns aos outros e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou da palavra, considerando-se o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso auto-falante.

Tais estímulos se apressam ainda o mecanismo das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos condutores, transformadores e analistas, sob o comando direto da mente.

A mediunidade é um dom inerente a todos os seres, (cada um a manifestando em determinado grau), como a faculdade de respirar, e cada criatura assimila as forças superiores ou inferiores com as quais sintoniza. Por isso mesmo, o Divino Mestre recomendou-nos oração e vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós, captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos, por vezes irresistíveis.

Sintonia vibratória

Sintonia significa, em definição mais ampla, entendimento, harmonia compreensão, ressonância ou equivalência. Sintonia é, portanto, um fenômeno de harmonia psíquica, funcionando, naturalmente à base de vibrações. Duas pessoas sintonizadas estarão, evidentemente, com as mentes perfeitamentes entrosadas, havendo entre elas, uma ponte magnética a vinculá-las, imantando-as profundamente. Estarão respirando na mesma faixa, intimamente associadas”.