terça-feira, 19 de abril de 2011

As Fraquezas Humanas

Uma colaboração da Irmã Hildete Britto

Quando falamos em fraquezas humanas,
temos que ter em nós a consciência de que ninguém é perfeito,
mas todos têm condições de melhorar.
Antes de julgar a fraqueza do outro, faça uma auto-análise em seus sentimentos
e veja se tem condições de apontar as fraquezas alheias.
Nesse caso, com certeza verá que tens mais modificações a fazer do que o outro.
Não se pode fazer de conta que tudo em você está perfeito,
porque se está na vida terrena é porque tem muito a melhorar
e esta é uma benção de Deus em sua vida, a oportunidade de melhorar
suas fraquezas, sejam elas materiais ou morais.
Quanto às fraquezas materiais, estas serão de fácil modificação
porque tens a condição para parar de fazer algo que não lhe faça bem.
Mas quanto às fraquezas morais, terás que percorrer um caminho
mais difícil, terá que ir além das barreiras da matéria.
O caminho a percorrer é de renuncia e muito amor no coração.
Veja que quando temos que renunciar a vícios morais
como a maledicência, orgulho, egoísmo o trabalho com nossos pensamentos
e sentimentos deve ser árduo sem tréguas, porque senão caímos nas tentações.
Não se envergonhe de ter fraquezas, envergonhe-se de não desvencilhar-se delas.
Porque você é forte o bastante para mudar tudo em sua vida
e principalmente os sentimentos que não sejam pautados no Bem e no Amor.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A vida de Paulo de Tarso

Escrito por Maria Aparecida Romano


Na alvorada do cristianismo, seu paladino maior, Paulo, o apóstolo por excelência, abriu um caminho por entre um mundo de obstáculos, influindo decisivamente na evolução da doutrina cristã.

Constituiu-se numa bandeira para todos aqueles que são conscientes que a “eleição” confiada pelo Plano Maior envolve responsabilidades, sacrifícios e perseverança.

Paulo nasceu na primeira década de nossa era, em Tarso, na Cilícia, distrito da Ásia Menor entre a Panfília e a Síria (hoje Turquia), descendente de uma abastada família judaica aferrada a um estreito formalismo religioso, pois eram judeus da Diáspora (viviam longe da pátria, espalhados pelo imenso Império Romano). Cidadão de Roma por nascimento e filho de Israel por direito, recebeu o nome de Saulo, foi circuncisado no oitavo dia e aprendeu as primeiras letras aos seis anos de idade.

Destinado à carreira de rabino, freqüentou a escola anexa à sinagoga, onde aprendeu a síntese da Lei Mosaica. Segundo os dispositivos, todo rabino deveria conhecer um trabalho mecânico para prover seu sustento em caso de necessidade e, assim, ensaiou na oficina do pai os primeiros movimentos no manejo de um primitivo tear. Esse humilde ofício viria a ser uma de suas glórias. Ausentando-se de Tarso em sua juventude, foi residir em Jerusalém com sua irmã Dalila, passando a freqüentar a Escola do Templo para aperfeiçoar seus conhecimentos.

Sob a orientação do sábio Gamaliel, que exercia considerável influência no tribunal judaico, o jovem tarsense, de temperamento impulsivo, convicto de ser filho de um grande povo, conheceria a fundo as escrituras sacras em duas línguas: no original hebraico (Tora) e na versão grega (Septuaginta). O ambicioso Saulo, fiel às tradições de sua gente, preparava-se para uma brilhante carreira como Doutor da Lei, adotando a posição ideológica dos fariseus, pois já se definia uma posição no Sinédrio.



O início da perseguição

Aos 30 anos de idade, o novo rabino retornou a Tarso cheio de planos, entre eles os matrimoniais com a jovem Abigail. Entrementes, penetrava na Cilícia o eco de estranhos acontecimentos ocorridos na Palestina, relativos a “um carpinteiro galileu, obscuro e sem cultura” que se tornara conhecido operando “prodígios”, pregando uma nova seita e continuava venerado após a sua crucificação por instâncias do Sinédrio. Foi sugerido a Saulo, embora estivesse ausente no período da vida pública de Jesus, que usasse seu prestígio na liderança de uma campanha contra a nova seita que se formara.

Durante esse período, na tentativa de unificar a doutrina, os discípulos do Mestre se reuniam na primitiva comunidade cristã que era chamada Casa do Caminho, por ficar na saída de Jerusalém, a caminho de Jope, e significar “a casa dos adeptos do caminho do Senhor”, tendo Simão Pedro como célula central.

Lá vivia Jeziel, um jovem israelita procedente de Corinto. Batizado com o nome de Estevão, desenvolveu faculdades curadoras. Dotado de brilhante oratória, pregava a mensagem da Boa Nova na tosca Igreja do Caminho. Na escolha feita pelos apóstolos dos sete primeiros diáconos (servidores), Estevão estava entre eles. Quando Saulo decidiu ouvi-lo pessoalmente, sentiu nas palavras do ardoroso pregador a terrível ameaça que a nova doutrina oferecia. Apresentou uma denúncia formal sob a alegação de que um obscuro Nazareno não ofuscaria as leis de Moisés. Declarado pelo Sinédrio como inimigo das tradições hebraicas, Estevão foi preso e condenado à morte por lapidação, mantendo-se sereno e convicto de suas crenças até o derradeiro instante.

A condenação de Estevão foi o primeiro grande triunfo público de Saulo, que assistiu o ato ao lado de sua noiva Abigail, que reconheceu no jovem mártir o irmão Jeziel desaparecido há tempos. Sensível, não resistiu à forte emoção e adoeceu, vindo posteriormente a desencarnar. Superado o abatimento, o rabino convocou uma reunião no Sinédrio e solicitou poderes totais para coibir a propagação da nova seita. Munido de documentos, partiu em caravana para a Síria. Como Doutor da Lei, tinha plenos poderes de perseguir e efetuar prisões aos seguidores do Nazareno.



O encontro com Jesus

Durante o percurso, uma espessa nuvem de poeira cobria a estrada. Já se avistava a cidade de Damasco quando Saulo, envolvido por um brilho estranho, jaz em terra, mergulhando na mais completa escuridão em pleno meio-dia. Estava cego. Seguiu-se outra luz que banhou seus olhos e nela surgiu um homem vestindo túnica com pontos luminosos e cabelos a nazareno, que lhe falou com voz amorosa: “Saulo, por que me persegues”?

O Doutor da Lei não compreendia o que se passava. Como somente ele via aquela majestosa figura, perguntou: “Quem sois vós, Senhor”? Então o homem disse: “Eu sou Jesus, a quem persegues”.

A aparição do Nazareno crucificado foi a grande revelação da vida de Saulo. Naquele momento, o orgulhoso perseguidor encerrou sua tarefa. Em seu lugar despontou um modesto servidor de Cristo, que ficaria conhecido através dos séculos como o “Convertido de Damasco”.

Em prantos, Saulo perguntou: “Senhor, que queres que eu faça”? “Entre na cidade e saberás o que fazer”, foi a resposta.

Após o desaparecimento da “visão”, conduzido à cidade, foi para a hospedaria da Rua Direita, permanecendo em rigorosa disciplina espiritual. Recebeu a visita de Ananias e, à medida que o líder local do movimento pró-nazareno proferia uma prece para que fosse restituída a visão, escamas foram se desprendendo dos seus olhos. Paulo voltou a enxergar.

Ananias lhe ministrou os primeiros ensinamentos da doutrina e, às margens do Rio Barada, recebeu o batismo. Em seguida, deu início à tarefa missionária, prontificando-se a propagar a Boa Nova. Considerado enfermo por alguns e traidor por outros, conheceu na sinagoga de Damasco as primeiras humilhações de uma série que o acompanhariam no decorrer de sua existência.

Partiu em direção de Palmira, cidade situada num oásis em pleno deserto, onde buscou orientação com o velho mestre Gamaliel, que o aconselhou a consolidar seus novos propósitos enquanto trabalhasse no tear. Exilou-se por três anos no deserto de Dan, trabalhando como tecelão à sombra das tamareiras enquanto intensificava as pregações.

No seu retorno a Damasco, foi informado que havia sido considerado desertor pelo Sinédrio e que estavam à sua procura. Às escondidas, atravessou a Galiléia, visitando os recantos por onde o Mestre andara, pregara e sofrera. Conheceu Madalena e seguiu para Jerusalém. Lá, após o martírio de Estevão e as contínuas perseguições, os discípulos do Nazareno preferiam pregar em outros locais.

Após ser recebido com desconfiança, Saulo conheceu Simão Pedro, Tiago e João através de Barnabé, um levita convertido que ouvira falar da coragem do tarsense. Aconselhado a sair da cidade, cenário de penosas experiências, retornou a Tarso, sendo recebido por seu pai, o radicalista Isaac, com dureza inesperada. Num impulso, ofereceu uma sacola de dinheiro para Saulo, que fez uso adquirindo um pequeno tear, decidido a ganhar a vida como tecelão. Durante três anos, passou a viver de salário, causando piedade, mas pôde exemplificar a humildade de forma comovente.

Até que um dia surgiu o fiel Barnabé a lhe convidar para uma excursão de cunho missionário pela Ásia. Seria a primeira de uma série de quatro grandes viagens que faria na tentativa de evangelizar o mundo greco-romano. Inaugurou seu apostolado com as melhores disposições, mas o trabalho que o esperava era indigente e sobre-humano.



A primeira viagem de evangelização

Antióquia, sede do legado romano na Lívia, tornou-se o ponto de partida das iniciativas missionárias. Ficou um ano no primeiro núcleo cristão da humanidade, onde juntou-se a João Marcos (sobrinho de Barnabé) e teve o primeiro encontro com Lucas, um jovem médico. Por sua sugestão, os discípulos de Jesus passaram a ser chamados de cristãos. Em Chipre, terra natal de Barnabé, após a conversão do governador Sérgio Paulo, fundaram o núcleo de Pafos. A partir de então, o nome “hebraico” Saulo daria lugar ao “latino” Paulo. Fundou ainda os núcleos de Perje e Icônio, ocasião em que o apóstolo decidiu pregar a Boa Nova para os gentios.

No núcleo fundado em Listra, Paulo é aclamado após a cura de um aleijado, enfurecendo os judeus. Apedrejado, sobrevive ao ser socorrido por Timóteo, jovem de 15 anos que se tornaria um dos discípulos mais fiéis. Deixando a cidade às escondidas, convaleceu no período de um ano. Com a ajuda de Timóteo, funda o núcleo de Derbe e Salamina, voltando para Jerusalém satisfeito com os resultados. Por ele foram fundadas as primeiras sete comunidades cristãs e a porta da fé foi aberta para os gentios. Participou do 1º Concílio Apostólico, onde foram discutidos pontos controversos entre as leis de Moisés e o evangelho de Cristo.



A segunda viagem: chegada à Grécia

Acompanhado de Timóteo, iniciou a segunda viagem levando um estímulo e as prescrições de Jerusalém aos núcleos já organizados. Reencontrou Lucas e juntos percorreram Neápolis, Felipes, Tessalônica e Beréia. Passados vinte anos de sua conversão, realiza um sonho: chega a Atenas, a metrópole intelectual da época. O primeiro encontro do cristianismo com a filosofia pagã da Grécia se deu em praça pública. O recém-chegado, pregando uma filosofia acerca de “novas divindades”, despertou a curiosidade dos intelectuais. Convidado para fazer uma conferência no Aerópago (Supremo Tribunal), provou o insucesso. Os orgulhosos filósofos gregos não quiseram saber nada sobre Cristo.

No aparente fracasso de suas pregações em terras gregas, conseguiu algumas conversões e a fundação do núcleo de Corinto. Porém, a doutrina se expandia e ficava difícil manter contato pessoal. Atendendo a apelos, o apóstolo inaugurou um novo gênero literário: as epístolas, instruções religiosas por meio de cartas. A primeira epístola foi dirigida à cristandade de Tessalônica. Provavelmente, este tenha sido seu mais antigo manuscrito e também do Novo Testamento, que dispõe ao todo de 21 epístolas, sendo 14 de autoria de Paulo de Tarso.



A primeira prisão

Uma nova visita aos núcleos já organizados foi a finalidade da terceira viagem. Acolhido de forma comovente, viu seus esforços frutificados. As pequenas comunidades prosperavam e o evangelho era ouvido em todas as partes. Numa rápida passagem por Cesaréia, um vidente de nome Ágabo profetizou a prisão de Paulo, que se manteve disposto a morrer em nome de Cristo.

No retorno a Jerusalém, descoberto pelos judeus que o haviam perseguido na Ásia, foi preso e levado para Cesaréia, que servia de base para as operações militares de Roma. Como não havia fundamentos legais nas acusações, permaneceu dois anos esquecido na fortaleza local.

Favorecido pela condição de cidadão romano, movia-se com liberdade, auxiliando Lucas a redigir a biografia de Jesus com base nos fatos relatados por Maria. O evangelis-ta acrescentou os atos dos apóstolos, associando os nomes a obstáculos superados para servirem de estímulo aos seguidores.

Recebeu a visita do sobrinho Estefânio, filho de Dalila, que o advertiu de uma possível conspiração dos seus inimigos para matá-lo. Decorridos dois anos, convencidos que o processo não era da competência da alçada civil, mas do tribunal religioso, decidiram pela volta do apóstolo à capital do império.

A viagem para Roma foi cheia de surpresas. A embarcação levava centenas de presos aguardando julgamento e Paulo não perdia a oportunidade de pregar a Boa Nova e lhes mostrar o caminho da regeneração. Atingida por uma tempestade sub-tropical, a frágil embarcação ficou à deriva por 14 dias, encalhando na Ilha de Malta, ao sul da Itália, ali permanecendo três meses.

Em Roma, decretada sua prisão domiciliar, Paulo permaneceu dois anos num aposento que alugara, sob vigília constante de um legionário romano. Recebia os discípulos, visitava as comunidades e intensificava as pregações. Não encontrando saída para o processo, de caráter religioso, o Tribunal do Império absolveu o réu. Podendo pregar livremente, partiu para a quarta viagem, levando na bagagem um programa desenvolvido de evangelização.

No mês de julho do ano 64, enquanto visitava as comunidades cristãs do Oriente, em Roma, nas proximidades do Grande Circo, espalhava-se a dor. Um violento incêndio, que durou sete dias, atingiu a região entre o Célio e o Palatino, consumindo vidas e propriedades. Nero, imperador e possível idealizador, encontrava-se na confortável Vila de Antium, ao sul de Óstia, e prometeu auxílio à população revoltada.

Atribuído o incêndio à “Seita dos Nazarenos”, seus seguidores foram perseguidos. Enquanto alguns foram lançados às feras no Coliseu, outros foram transformados em tochas ardentes atados aos postes. Boa parte dos amigos de Paulo foram martirizados.



A morte de Paulo

Enquanto as imagens do pavoroso sinistro ainda permaneciam vivas na memória da população romana, Paulo retornou a Roma, intensificando as pregações de reconforto. Acusado de insuflador e cúmplice dos “cristãos incendiários”, recebeu voz de prisão numa das reuniões das catacumbas, voltando ao cárcere em condições bem mais difíceis, pois o processo pertencia à alçada do Tribunal de César. Lançado no subterrâneo do Cárcere Mamertino, no Fórum Romano, permaneceu em solidão quase absoluta, sentindo mais do que nunca a deserção de quase todos os seus amigos.

Consumido pelo sofrimento e privações, sentindo a proximidade do fim da árdua missão, redige sua derradeira carta, nomeando Timóteo seu testamenteiro. Seus bens materiais consistiam apenas numa velha capa e alguns manuscritos, mas seus tesouros espirituais eram incalculáveis. Num último apelo, Paulo exortou todos os cristãos a se manterem firmes na fé mesmo em condições adversas, a cumprirem seus deveres e colocarem amor em todos os seus atos.

Levado a julgamento, ouviu sua sentença de morte e, numa manhã da primavera do ano 67, foi conduzido à Óstia Tiberiana (Foz do Rio Tibre). Um golpe certeiro decapitou a cabeça do mais ardoroso entre os discípulos de Cristo. Mãos caridosas retiraram o corpo e o sepultaram no local onde hoje se eleva a grandiosa Basílica de São Paulo. Lá repousa até hoje o invólucro material do espírito considerado como o grande evangelizador dos povos.

Na sucessão dos séculos, mesmo diante das eminentes dificuldades que surgiram no caminho, à medida que seus seguidores foram conhecendo e contemplando a extensão da obra do apóstolo, aprenderam a admirá-lo. Sua obra reflete uma maravilhosa inteligência, uma personalidade marcante e um exuberante potencial de espiritualidade. Seu mandato apostólico teve início na “iluminação” de Damasco e, a partir daí, manteve-se genuíno. Tornou-se um incansável batalhador, empenhando-se numa luta sem tréguas para difundir uma nova filosofia que iluminou os cristãos de sua época e de todos os tempos.

NINGUEM PODE ESTRAGAR O SEU DIA

Uma contribuição da nossa irmã Antônia!


Ninguém pode estragar o seu dia, a menos que você o permita.
O colunista Sydney Harris acompanhava um amigo à banca de jornal...

O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas, como retorno,
recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em
sua direção, o amigo de Sydney sorriu atenciosamente e desejou ao
jornaleiro um bom final de semana.

Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:

- Ele sempre lhe trata com tanta grosseria?
- Sim, infelizmente é sempre assim.
- E você é sempre tão atencioso e amável com ele?
- Sim, sou.
- Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você?
- Porque não quero que ele decida como eu devo agir.

Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar
à mercê do mau-humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos
outros. Não são os ambientes que nos transformam e sim nós que
transformamos os ambientes.

Os tristes acham que o vento geme. Os alegres e cheios de espírito
afirmam que ele canta. O mundo é como um espelho, devolve a cada pessoa o
reflexo de seus próprios pensamentos.

A maneira como você encara a vida, faz toda a diferença...

domingo, 17 de abril de 2011

Os Fluidos

(Queremos, antes de focalizar o assunto, lembrar que a maioria dos Espíritas pronuncia, erradamente, a palavra fluido, com acento agudo na letra i (fluído), quando a pronúncia correta é enfatizar a letra u (fluido). Por causa da dúvida, tivemos a oportunidade de ouvir a opinião de vários conhecedores de nossa língua e todos, unanimemente, condenam a pronúncia fluído. Os leitores que não aceitarem nossa opinião devem procurar abalizados conhecedores do português e verão que estamos com a razão.)

"Fluido - escreve-se sem acento agudo no u e no i."

A - CONCEITOS DE FLUIDOS

Dentro da Ciência oficial, usa-se o termo fluido para designar os líquidos e gases, ou seja, a fase não-sólida da matéria. Os povos de língua inglesa estão usando a palavra com sentido restritivo, isto é, fluido é sinônimo de líquido. Lamentavelmente, os brasileiros estão se adaptando a esse conceito não-aconselhável. Veja-se por exemplo: "Fluido para breque", em vez de "óleo para breque".

Além dos três estados da matéria - sólido, líquído e gasoso - o grande físico inglês William Crookes, que se tornou Espírita graças às materializações de Katie King, salientou a existência de um quarto estado da matéria: o estado radiante. Abrange todas as radíações ou emanações da matéria, como o raio X, as emanações do rádium (alfa, gama), os raios cósmicos etc.

Em Espiritismo, o conceito de fluido é bem mais amplo que o da Ciência oficial. Léon Denis afirma que a matéria, quando se rarefaz, fica invisível, imponderável, toma aspectos cada vez mais sutis, os quais chamamos fluidos.

À medida que se rarefaz, ganha novas propriedades, entre as quais uma irradiação progressivamente maior, tomando a forma de energia.

A Física moderna praticamente derrubou a separação rígida entre matéria e energia, considerando-as, substancialmente, a mesma coisa, em graus de concentração e estrutura diferentes.

André Luiz estuda, esparsamente, os fluidos, em vários de seus livros, principalmente no "Evolução em Dois Mundos", onde diz, no capitulo 13: "No plano espiritual, o homem desencarnado vai lidar mais diretamente com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável. É absorvido pela mente humana, em processo semelhante ao da respiração, pelo qual a criatura assimila a força que emana do Criador."

B - FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL

"O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, da qual as modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza ('A Gênese' - de Allan Kardec - Capo XIV - item 2). Como princípio elementar universal, ofereece dois estados distintos: o de eterização ou de imponderabilidade, que se pode considerar como o estado normal primitivo, e o de materialização ou de ponderabilidade.

O primeiro permite os fenômenos espirituais ou psíquicos; o segundo, os fenômenos materiais. Como a vida espiritual e a corporal estão em incessante contato, os fenômenos dessas duas ordens se apresentam freqüentemente ao mesmo tempo."

(Idem - item 5) "O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, do qual nada pode dar uma idéia; o ponto oposto é a sua transformação em matéria tangível. Entre os dois extremos, existem inúmeras transformações, que mais ou menos se aproximam de um ou de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade e, por conseguinte, os menos puros, compõem aquilo que se pode chamar de "atmosfera espiritual terrestre".

André Luiz inicia o livro "Evolução em Dois Mundos" com o seguinte período: "O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador, ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano." Esse período precisa ser por nós demoradamente analisado. Em poucas linhas, encerra noções novas para os estudiosos, que nem sempre conseguem entendê-las em toda sua profundidade. A começar pelo conceito de plasma divino, que se aproxima bastante do novo conceito de plasma, em Física Quântica. Embora tenhamos recebido abalizadas explicações, por parte de um professor de Física de nosso grupo de estudos, ainda não temos a pretensão de pôr aqui o conceito físico de plasma. Queremos lembrar que este livro de André Luiz foi publicado em 1958, praticamente antecipando conceitos que, bem mais tarde, a Ciência iria comprovar.

A matéria sólida, segundo Kardec, não passa de um estado transitório do fluido universal. Quando as condições de coesão cessam de existir, a matéria se desagrega e volta a seu estado primitivo. A lei de analogia nos leva, diz Delanne, a admitir que, entre os gases e o estado radiante, existe matéria, em diferentes formas de rarefação, desde a mais grosseira, que se aproxima dos gases, até a mais pura, que se apresenta no estado radiante.

"O Perispírito ou corpo fluídico dos Espíritos é um dos produtos mais importantes do fluido cósmico. É uma condensação desse fluido em torno de um foco de Inteligência ou Espírito.

Os Espíritos extraem o seu Perispírito do ambiente em que se encontram, o que quer dizer que esse envoltório é formado dos fluidos ambientais.

A natureza do envoltório fluidico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito." ("A Gênese" - Cap. XIV - itens 7,8 e 9).

(Idem - item 10) "Conforme o Espírito seja mais ou menos purificado, seu Perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido próprio do mundo no qual ele se encarna. Produz o efeito de um reativo químico que atrai a ele as moléculas assimiláveis, segunda a sua natureza, ou seja, substâncias facilmente combináveis com o reativo.

Portanto, o envoltório perispiritual do mesmo Espírito se modifica conforme o progresso moral deste, em cada encarnação. Os Espíritos superiores, encarnando-se, excepcionalmente, em missão, num mundo inferior, têm um Perispírito menos grosseiro que o dos nativos desse mundo."

(Item 11) "O fluido etéreo é para as necessidades do Espírito o que a atmosfera é para as necessidades dos encarnados. Ora, da mesma forma que os peixes não podem viver no ar; que os animaís terrestres não podem viver numa atmosfera demais rarefeita para seus pulmões, os Espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a ação dos fluidos mais eterizados. Eles não morreriam ali, porque o Espírito não morre, mas uma força instintiva os manteria afastados, como nos afastamos de um fogo forte ou de uma luz muito brilhante.

Eis por que não podem sair do ambiente apropriado à sua natureza. Para mudá-lo, teriam, primeiramente, de se despojar de seus instintos materiais, que os retêm em seus ambientes grosseiros."

C - TIPOS DE FLUIDOS

Compulsando as literaturas Espírita e esotérica, encontramos uma miscelânea de conceitos, explicações e classificações.

Já que o próprio conceito de fluido varia de acordo com os vários autores e escolas, sua classificação paira num terreno nebuloso.

Em todo o caso, com objetivo apenas didático e procurando deixar de lado a exatidão dos conceitos à luz da Física moderna, podemos considerar três tipos de fluidos: os fluidos espirituais, os magnéticos e o fluido vital.

C.1 - FLUIDOS ESPIRITUAIS

Os fluidos espirituais formam o ambiente, a atmosfera em que agem os Espíritos. Extraem eles dos fluidos as substâncias que utilizam nos fenômenos especiais que desencadeiam, fenômenos esses que, obviamente, escapam à percepção humana.

Kardec lembra que "a qualificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, pois, no fundo, trata-se ainda de um tipo de matéria, embora muito rarefeita ou quintessenciada. Nada há de realmente espiritual senão a alma ou Princípio Inteligente. Eles são designados como fluidos espirituais por comparação e, sobretudo, em razão de sua afinidade com os Espiritos. Pode-se dizer que são a matéria do mundo espiritual." ("A Gênese" - Cap. 14 - item 5.)

Mesmo a nossa matéria densa não é tão compacta como parece, pois é atravessada pelos fluidos espirituais e pelos Espiritos, aos quais ela não opõe maior obstáculo do que os corpos transparentes em relação à luz. A própria matéria sólida apresenta grandes vazios: os espaços intermoleculares, interatômicos e intra-atômicos.

Quem sabe se, ainda no estado em que é perceptível aos nossos sentidos, não será a matéria capaz de adquirir uma espécie de eterização que lhe confira propriedades particulares? Quando Kardec faz essa pergunta, mal sabe ele que se está antecipando em um século aos conhecimentos atuais da radioatividade. Hoje é conhecimento elementar sobre os corpos radioativos que eles emitem radiações e vão perdendo substância até desaparecerem.

O rádio, o cobalto, o tório, o césio emitem radiações, muitas delas usadas em medicina (cobaltoterapia, radioterapia), para combate às doenças e também na química mais refinada. Enfim, resumidamente, podemos afirmar que a matéria se transforma em energia. Mas isso se dá lentamente na natureza: um grama de rádio leva alguns milhares de anos para se transformar, totalmente, em radiações e desaparecer como substância material. Na bomba atômica há uma transformação súbita, pelo bombardeio dos átomos de urânio, com liberação fantástica de energia, capaz de destruir cidades.

"Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais, não que os manipulem como os homens manipulam os gases, mas com o auxílio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são, para os Espíritos, o que a mão é para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem a tais fluidos esta ou aquela direção. Eles os aglomeram, os combinam ou os dispersam. Formam, com esses materiais, conjuntos que tenham uma aparência, uma forma, uma cor determinadas. Mudam suas propriedades como um químico altera as propriedades dos gases ou de outros corpos, combinando-os, segundo determinadas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual." ("A Gênese" - Cap. XIV - item 14.)

É assim, por exemplo, que um Espírito se apresenta perante um vidente, sob as aparências que tinha, quando vivia na época em que se conheceram, mesmo que isso se dê depois de diversas encarnações. Apresenta-se com as roupas, os sinais exteriores e cicatrizes, barba, membros amputados, que tinha então. Seu Perispírito toma, instantaneamente, aquela forma, que desaparece, quando o pensamento cessa de agir. Se, pois, ele foi uma vez negro e outra vez branco, apresentar-se-á como negro ou branco, segundo a encarnação que estará sendo relembrada e à qual reportará seu pensamento.

Este assunto deverá ser muito bem analisado, quando nos defrontarmos, em nossa prática mediúnica, com as comunicações dos índios e "pretos velhos". O Espírito evoluído, espiritualmente, poderá apresentar-se ao médium vidente com o aspecto de um negro, referente a duas ou três encarnações passadas, desde que deseje impressioná-lo, bem como aos componentes da sessão.

Para tal, deve contar com a anuência e o auxílio dos mentores espirituais, que negarão seu apoio, quando se tratar de mera curiosidade ou de fanatismo. De qualquer forma, o que não se pode é erigir tabus e adorações em torno das comunicações dos pretos velhos.

O pensamento pode modificar as qualidades dos fluidos, impregnando-as das vibrações boas ou más, provindas daqueles que as estão emitindo. Os maus pensamentos deterioram os fluidos espirituais. Os fluidos projetados pelos maus Espíritos são, por isso, viciados, enquanto os bons emitem fluidos salutares.

Como os fluidos ambientais são modificados pela projeção dos pensamentos dos Espíritos encarnados e desencarnados, os Perispíritos dos vivos podem receber tais fluidos e se impregnar deles, sejam bons ou maus. Os emitidos pelos obsessores podem ser eliminados, em trabalhos especiais, mas o Perispírito do obsessor continuará de baixo padrão vibratório, enquanto este Espírito não se regenerar, não se esclarecer.

Kardec lembra, ainda, que o Perispírito dos encarnados é de natureza idêntica à dos fluidos espirituais e, por isso, os assimila com facilidade, como a esponja se embebe de líquido. Tais fluidos agem sobre o Perispírito, e este, por sua vez, reage sobre o organismo corporal, com o qual está em íntimo contato, como vimos no capítulo sobre Perispírito. Se os fluidos forem de boa qualidade, o corpo recebe uma impressão agradável. Se forem maus, a impressão é desagradável, penosa. Tais fluidos, se tiverem ação persistente, poderão levar a desequilíbrios psíquicos ou desordens orgânicas. E Kardec chega a dizer que certas moléstias não têm outra causa.

C.2 - FLUIDOS MAGNÉTICOS

Não querendo entrar em detalhes sobre o histórico do magnetismo, queremos lembrar que foi Mesmer, médico austríaco, nascido a 25/05/1734, quem vulgarizou a teoria do magnetismo animal. Admitia, de início, a existência de um fluido capaz de ser captado e acumulado por corpos metálicos especiais, o qual poderia ser usado no tratamento de doenças físicas e mentais. Posteriormente, passou a admitir o magnetismo humano, em que os fluidos magnéticos poderiam ser transmitidos de uma pessoa a outra. Conseguiu muitas curas, consideradas por seus contemporâneos como falsas curas magnéticas, pois seriam devidas à sugestão.

O fluido magnético continuou não sendo aceito pelos pesquisadores, e a prática foi substituída pela hipnose, hoje aceita pela Ciência. Braid afirmava que não há qualquer fundamento no mecanismo magnético. Todavia, essa postura não impediu que numerosos outros pesquisadores continuassem praticando o magnetismo, como Puységur, Ou Potet, Champignon e outros. Eles achavam que o fluido magnético formaria, em torno do corpo humano, uma espécie de aura, ou atmosfera, a qual poderia ser impulsionada pela vontade do magnetizador e, assim, agiria sobre as pessoas. O fluido magnético estaria, ainda, sujeito às leis de atração e repulsão.

Michaelus, outro magnetizador ilustre, dizia que o desequilíbrio dos fluidos magnéticos que impregnam os órgãos leva a distúrbios na sua função, caracterizando a doença. Sempre que o normal equilibrio é rompido, dizia ele, por excessiva condensação dos fluidos ou por sua dispersão, é necessário restabelecer esse equilíbrio advindo a cura.

O Espiritismo voltou a valorizar as idéias dos antigos magnetizadores, mas deu-lhes uma conceituação um pouco diferente, limitando o papel do magnetismo, face à importância da intervenção do mundo espiritual.

André Luiz diz que todas as agregações celulares emitem radiações, que se articulam através de sinergias funcionais. Todos os seres vivos, dos rudimentares aos complexos, se revestem de um "halo energético", que lhes corresponde a natureza.

No livro "A Gênese", de Allan Kardec, encontramos no item 33, do Capítulo XIV, úteis esclarecimentos.

"A ação magnética pode produzir-se por diversas maneiras:

1ª) Pelo próprio fluido do magnetizador - é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, cuja ação é subordinada à potência e, sobretudo, à qualidade do fluido.

2ª) Pelo fluido dos Espíritos que atuam diretamente e sem intermediário sobre um encarnado; seja para curar ou acalmar um sofrimento; seja para provocar o sono sonambúlico espontâneo; seja para exercer sobre o indivíduo uma influência física ou moral qualquer. É o magnetismo espiritual.

3ª) Pelo fluido que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, servindo este de condutor. É o magnetismo misto, semi-espiritual, ou, se assim o quisermos, humano-espiritual. O fluido espiritual, combinado com o fluido humano, dá a este último as qualidades que lhe faltam."

C.3 - FLUIDO VITAL

Antes de mais nada, devemos tomar cuidado, para não confundirmos fluido vital com Perispírito. Os seres inorgânicos, ensina a Codificação, não possuem vida nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria. Como exemplos, temos todos os minerais: o ar, a água etc. A lei da atração é a mesma, tanto nos corpos orgânicos como nos inorgânicos. A matéria de ambos é a mesma, porém, nos corpos orgânicos, ela é "animalizada", por sua união com o princípio vital.

"A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria, sem ele, não terá vida. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem, que o assimilam." ("O Livro dos Espíritos" - Livro Primeiro - item 63.) "O princípio vital apresenta modificações conforme as espécies animais e vegetais. É ele que lhes dá movimento e atividade e as distingue da matéria inerte. O movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz." ("O Livro dos Espíritos" - item 66). Como vemos, a explicação da vida, pela Codificação, é clara, cristalina: os minerais não têm vida, sendo utilizados como matéria manipulável pelos vegetais e animais. Só estes dois podemos dizer que têm vida. Entretanto, as correntes orientais infiltradas no Espiritismo dizem que tudo tem vida, os minerais, inclusive, trazendo, com isso, muita confusão. Mas os astros não se estão movimentando perenemente, dizem eles? As moléculas não apresentam movimentos, bem como as estruturas intra-atômicas? Tudo isto não atesta a vida dos minerais? Respondemos enfaticamente: Não! Não podemos confundir movimentos dos corpos com vida. Se formos apegar-nos a esse sofisma, diríamos que os relógios têm vida, porque suas delicadas peças se estão movimentando.

Os órgãos estão impregnados de fluido vital. É ele que permite aos órgãos do corpo humano funcionarem normalmente, mas é necessário que as células e os tecidos que os formam tenham condições biológicas e fisiológicas de funcionamento. Quando uma doença grave destrói a integridade do corpo físico, estando os elementos essenciais para o funcionamento dos órgãos destruídos ou profundamente alterados, o fluido vital não tem mais condições de ação, e o indivíduo morre. Segundo a concepção Espírita, a pessoa morre, não porque o fluido vital abandonou os tecidos, e as células, a seguir, morreram, mas morre, porque as lesões celulares foram tão profundas que o fluido vital não poderia mais agir.

O fluido vital se consome e é renovado permanentemente. Não há possibilidade de ser absorvido através dos poros da pele, como ensinam, de maneira infantil, certos livros ditos Espíritas. A única função dos poros é excretar o suor, que contém água, sal e uréia, numa função complementar à dos rins. Só excretam; não absorvem nada.

O fluido vital pode ser transmitido de uma pessoa a outra, e é isso que acontece nos passes. Quando a pessoa morre, o Espírito, com seu Perispírito, se liberta e vai para outras regiões do espaço. A matéria inerte vai para o solo, onde sofre transformações, reintegrando-se em novos corpos, a principio vital retorna à massa fluiidica do Universo.

A vontade é uma força importante, e é por meio dela que os Espíritos agem sobre os fluidos, manipulando-os. Mas, para formar a materialização visível e palpável das sessões Espíritas, eles preecisam de um agente especíal, que é o fluido vital. É encontrado esse fluido no organismo humano; daí, a necessidade da presença de um médium nas sessões de materializações.

Começamos este item lembrando que não devemos confundir fluido vital com Perispírito. Agora, podemos entender a razão, o períspírito é um fluido mais sutil, intimamente ligado ao Espírito, acompanhando-o durante os processos de desdobramento, e vai com ele, após a morte do corpo físico, o fluido vital, pelo contrário, é um elemento que apenas vivifica a matéria, mas não tem individualidade, nem independência. É absorvido do fluido universal, em parcelas e momentos variáveis, e a ele volta após ter exercido seu papel.

E o Espírito, será uma outra forma de matéria ainda mais sutil? Como nossa mente só consegue raciocinar em termos físicos, não podemos conceber o que seja, na sua intimidade, o Espírito. Sabemos que não é constituído, nem de matéria, nem de energia. Mas o que será, então?

"Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos pelo nome de matéria. Não podemos defini-los, a não ser por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação. Imaterial não é termo apropriado; incorpóreo seria mais exato, pois, sendo uma criação, o Espírito deve ser alguma coisa." ("O Livro dos Espíritos" - Livro Segundo - Cap. 1° - item 82.)
Ary Lex

sábado, 16 de abril de 2011

Perdoando e Crescendo

“Perdoar aos inimigos é pedir perdão para sim mesmo...”


“... porque se sois duros, exigente, inflexível, se tende rigor mesmo por uma ofensa leve, como quereis que Deus esqueça que, cada dia, tende maior necessidade de indulgência?...”
(ESSE cap. X, item 15)


Quando o Divino Mestre esteve entre nós, diante de suas belas e fraternas lições, ele veio nos falar da grande necessidade de perdoarmos sempre quando nos sentirmos ofendidos, então, ele nos trazia suas parábolas, onde ilustrava seus magníficos ensinamentos, para que pudéssemos refletir através delas, nos colocando em posição para melhor entendimento de sua mensagem.

Mas o próprio Cristo entendia nossas grandes limitações para o compreendemos da forma como deveríamos, foi então que ele nos prometeu o seu Consolador, que nos ajudaria a alcançarmos melhores condições de entendermos tantas coisas que antes não podíamos, Jesus tinha consciência de que estaríamos mais “maduros”, e neste momento nos enviaria seus emissários de luz, que nos trariam tantos esclarecimentos para que pudéssemos nos enriquecer ainda mais através de seu Evangelho, mesmo depois de dois milênios, condenando a nevoa densa da ignorância e nos libertando dos dogmas fortalecedores do fanatismo,nos trazendo a fé raciocinada para que através de nossas sábias escolhas , pudéssemos trilhar firmes no caminho rumo á perfeição, como espíritos imortais que somos.

Depois da codificação da Doutrina de Luz enviada pelo Mestre, hoje mais esclarecidos do que antes, já temos a plena consciência de que alem de buscarmos efetivamente os devidos esforços para nutrirmos um sentimento de maior compreensão uns com os outros, examinando o nosso irmão como ser que esta na luta pelo aprimoramento espiritual como todos nós estamos, também já nos conscientizamos da grande responsabilidade que temos, quando observamos que o nosso hoje é fruto de nosso ontem e que se estamos em determinada condição de “ofendidos”, que isso nada mais é, do que uma grande oportunidade para demonstrar algum aprendizado do Evangelho do Cristo-“Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.”- mas também não podemos esquecer de que o cultivo no passado de grandes indiferenças com aqueles que nos ladeiam em nossa jornada para a luz, nos traz a colheita certa hoje, que de alguma forma pode nos beneficiar, se formos testemunhos fiéis das lições do Cristo.

“O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na luta cotidiana.”
(Palavras de Vida Eterna-Emmanuel-Francisco Cândido Xavier)


Era isso que o Mestre queria nos ensinar, a necessidade de nos perdoarmos sempre, todas as vezes que fosse necessário o nosso perdão, pois só assim, aos poucos, de acordo com nossas boas conquistas, e de acordo com nossas vitórias, de não tratarmos mais com tanta indiferença uns aos outros, mas nos olharmos como irmãos, nos tornaríamos mais compreensivos mutuamente, seriamos maiores do que as pequenas rasuras que a convivência nos proporciona e assim seriamos seres mais felizes e mais fraternos.

Entretanto para podermos lograr efetivamente a posição de verdadeiros cristãos que lutam para superar a ignorância que retarda nosso aprimoramento espiritual, devemos também aprender a nos perdoar, livrando-nos das penitencias impróprias, dos processos de culpa, que nada mais são do que verdadeiros instrumentos devassadores da alma, devemos nos libertar da posição de algozes de nós mesmos, nos possibilitando ao reajuste necessário, nos colocando na posição real de que somos almas ainda na marcha pela perfeição, merecedores de nossa própria indulgencia.

Quantos são os irmãos que ainda estão estagnados na marcha para a Luz, pois não conseguiram se libertar das culpas provenientes de um passado equivocado e sofrem por estarem ainda muito ligados a sentimentos de culpas pelos atos cometidos no pretérito, nesta o em outras vidas, entregando-se a processos obsessivos que fatalmente farão surgir os transtornos mentais, causando uma completa falta de autoridade sobre si mesmo, colocando-se a disposição daqueles entes equivocados que não desejam o nosso melhoramento espiritual, por mera igonarancia, ou ainda colocando a criatura a mercê dos narcóticos, surgindo à dependência química que escraviza e limita a criatura.

“... Suas raízes podem estar fixadas no pretérito – erros e crimes ocultos que não foram justiçados – ou em passado próximo, nas ações da extravagância ou da delinqüência. Geradora de graves distúrbios, a culpa deve ser liberada, a fim de que os seus danos desapareçam.
(Joanna de Angelis-Livro: Momentos de Consciência.

psicografia de Divaldo P. Franco (T-04)


Para nos livrarmos do fardo pesado do passado, Deus nosso Pai que em sua bondade, justiça e misericórdia, nos dá a cada dia novas oportunidades para recomeçarmos e para buscarmos uma vida nova, cheia de bênçãos e de momentos para ajustarmos o que fizemos contra nós e contra aqueles que caminham conosco nesta Terra Santa e abençoada, muito abençoada por aquele que esteve entre nós um dia, se dignando a estar perto de nós para que pudesse provar seu grande e incondicional amor , quando ainda na cruz,lá no calvário, nos seus derradeiros momentos, em meio a tanto sofrimento, ele ainda nos perdoou-“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”

“Não atingiremos a paz sem desculpar os erros alheios que, em outras circunstancias , poderiam ser os nossos...”
(Ave Cristo)

Autor:
Sérgio Aparecido Alvim

Fonte:
O Mensageiro

Vigilância

Léon Denis afirma, na Introdução de sua notável obra “No Invisível”, que a regra por excelência nas relações entre o plano físico e o espiritual é a lei das afinidades e atrações.

Assim, quem procura as culminâncias e os altos objetivos da alma, cedo ou tarde os atinge; quem busca as sombras e baixios, com eles se encontra e se rebaixa.

O bom êxito na comunhão espiritual superior não o obtém o mais sábio, ou o mais inteligente, mas sim o verdadeiramente digno, paciente e moralizado.

Essa observação lógica e intuitiva deveria estar presente na consciência de todos os adeptos da Doutrina Espírita, como forma de alertamento permanente contra as influenciações inferiores que se insinuam nos pensamentos e ações de muitos espíritas, visando a perturbar a harmonia no seio do Movimento.

A dignidade da causa do Consolador, elevando-se acima das conveniências de ordem pessoal e das vaidades humanas incontroláveis, impõe aos espiritistas sinceros redobrada vigilância e reação contra os deturpadores, os críticos demolidores, os que só admirem um Espiritismo à sua feição, os que fazem da Doutrina, fraterna e cristã, campo de agitação e de desentendimento entre seus seguidores.

Onde estiver, cada consciência carrega consigo o fruto de suas inclinações e realizações. Dentro das fileiras espíritas existem os inadaptados, por não terem percebido ainda a verdadeira índole da Nova Revelação.

A vigilância e a reação a que nos referimos nada encerram de sentimentos antifraternos ou de intolerância contra quaisquer criaturas que porventura divirjam das idéias e convicções cristãs e espíritas. São formas naturais de auto-defesa, visando tão-somente, à maneira do dique solidamente construído, a deter as ondas, transformadas em modismos, renovados de tempos em tempos, de ataques aos valores incontestáveis da Doutrina dos Espíritos, no que tem ela de mais sublime e necessário à evolução humana: sua feição religiosa, moralizadora, libertadora do ser, fundamentada na individualidade incomparável do Cristo de Deus, na sua doutrina e na sua mensagem.

O que temos presenciado, com sincero pesar pelos inconseqüentes demolidores, é a preocupação indisfarçável, continuada, de retomada de velhas tentativas de diminuição do Cristo e de todas as figuras que fizeram parte de sua excepcional missão junto à Humanidade.

À sombra da doutrina cristã e humanitária, ressaltada por Kardec, procuram atingir todos aqueles que servem como instrumento junto aos homens para veicular a Doutrina do Amor e da Esperança, da Fé e da Concórdia. Nesse afã de demolir valores, não se detêm diante dos Guias Espirituais que se distinguem por sua sabedoria e dedicação à obra redentora e se apresentam ao Movimento Espírita através de elucidações educativas inatacáveis, verdadeiros discípulos do Cristo e divulgadores de seu Evangelho. Os médiuns comprovadamente missionários são ridicularizados, sem a menor sensibilidade e respeito. As instituições dignificadas no serviço e devotamento à causa espírita, a começar pela Federação Espírita Brasileira, as Federações Estaduais, os Centros Espíritas, tudo, enfim, que se constitui em valores e instrumentos de trabalho construtivo não são poupados à critica ácida, ao destempero, à intemperança.

Todo esse quadro deixa à mostra, iniludivelmente, um plano demolidor dos valores do bem, uma síndrome de ascendentes espirituais nos aborrecidos da Luz, contrariados nos seus objetivos pelas realizações positivas do Espiritismo no Brasil, a terra escolhida pelo Cristo para o retorno de seu Evangelho.

Esses ascendentes espirituais, imperando há logos séculos no mundo, opositores do Cristo, não se conformam com a projeção da Nova Luz. Querem a todo custo detê-la, se possível destruí-la, dispersar seus obreiros, levar o desânimo aos trabalhadores de boa vontade.

O que vemos e sentimos no próprio seio do Movimento Renovador, desde os tempos do Codificador, passando pelas crises dos Movimentos de diversas nações onde o Espiritismo iniciara sua obra, pelas lutas dos primórdios do Movimento no Brasil, pelas dissidências constantes e pelos ataques descobertos e francos da atualidade às construções positivas – conseguidas com tenacidade e sacrifício pelos idealistas espíritas de muitas décadas -, não deixa margem a dúvidas aos que estão atentos: os aborrecidos têm aqui, dento do Movimento Espírita, suas colunas, suas “pontas de lança”, preparadas intelectual e materialmente para levarem às hostes espíritas a dissidência, a desordem mental e o desânimo.

A vigilância requer de todos os que adquiriram a responsabilidade do conhecimento espírita sem vínculos com as sombras, dos idealistas que identificaram o Consolador na Nova Revelação, que evitem o engano de agasalhar os que apregoam a concórdia mas agem prestigiando a rebelião, o dissídio e a divisão; os que falam de simpatia e fraternidade e acionam a injúria; os que usam seus instrumentos para destruir e não para construir o bem; os que procuram incutir o desânimo nos de boa vontade; os que exploram a inexperiência e o despreparo daqueles que ainda não assimilarem suficientemente a essência da generosa Doutrina.

Os fomentadores do divisionismo aproveitam-se de toda e qualquer eventual imperfeição dos grupos, dos indivíduos e das instituições para melhor atacarem a unidade da Doutrina e se instalarem como salvadores e orientadores. Nos grupos do Movimento Espírita são os que acreditam mais na astúcia e na destreza intelectual que na humildade e na honestidade de propósitos e na busca do bem comum. São os críticos impiedosos, falando de indulgência, os que fazem tábula rasa da bondade, aperfeiçoando-se na técnica de ferir.

Muitos deles têm grande atração pela fenomenologia espírita, outros inclinam-se à ciência, ou cultivam o aspecto filosófico do Espiritismo, mas, de forma geral, não mostram simpatia pelo aspecto religioso da Doutrina, nem pelos Evangelhos, porque o esforço para a renovação íntima exige maior aplicação, perseverança e renúncia, independentemente do saber, da agilidade mental e da inteligência, sempre muito preciosos quando a serviço do aperfeiçoamento moral.

Paulo, escrevendo a Timóteo, exortou:

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas, porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo, quanto aos que te ouvem”.

São enormes as dificuldades a serem superadas no mundo em que vivemos. Dentro do Movimento Espírita elas se acentuam, diante de um ideal elevado a ser atingido, no terreno individual e coletivo. Há necessidade de constante esforço para aprender e viver os princípios da Doutrina.

No desdobramento de continuado esforço a que se entregam as almas enobrecidas no ideal espírita será imprescindível não descurar do cuidado consigo mesmo, vigiando o campo íntimo, resguardando a autodisciplina e os valores do coração. Com isso, cada qual ampliará a compreensão de si mesmo, respeitando todos os círculos evolutivos à sua volta, dilatando a esperança e o otimismo construtivo e renovador.

A vigilância interior não exclui o cuidado com o que procede do exterior. No contexto da Doutrina estão eles expressos, mas é preciso discernimento, bom senso, humildade, estudo e trabalho, para não se deixar conduzir pelo brilho dos “falsos profetas”, que costumam produzir prodígios interpretativos, urdidos com sagacidade capaz de ludibriar os desatentos. Em todo caso, suas idéias e obras, escritos e palavras, embora possam confundir, sempre se traem, ora pelo prepotente personalismo, ora pelo orgulho e vaidade, mal disfarçados. A medida para o exame seguro devem ser sempre os ensinos evangélicos, à luz da Doutrina dos Espíritos. Aí tem o estudioso espírita, ao seu alcance, a mais justa forma de aferição.

Dentro de nossos arraiais não teremos justificativas para deixar medrar o joio em prejuízo do trigo, como não podemos compactuar com o divisionismo, oculto em objetivos não confessados.

Teremos de resistir, sem ódio e rancores, aos que semeiam a discórdia, para implantação do “reino dividido” nas fileiras do Movimento, sob os mais diferentes pretextos. Se bem examinados, todos eles se resumem, no fundo, em oposição ao Evangelho.

As armas para a resistência, nessa pugna permanente, serão forjadas no aprendizado e na vivência da Doutrina, no uso da razão esclarecida e no cultivo dos sentimentos cristãos, associados de maneira equilibrada. Obtido o equilíbrio, não há que temer as arremetidas desagregadoras dos “revisores” do Espiritismo, eis que se tornam nítidos os valores verdadeiros, cuja fonte é invariável, não se deixando tisnar ao sabor dos interesses personalistas.

A dignidade da causa comum dos espíritas sinceros e esclarecidos impõe o dever de vigilância, serena mas eficaz, contra toda ordem de deturpação, de revisão suspeita, de negação, que se manifestam aqui e ali, já agora sem rebuços, não como inimigos declarados do Espiritismo, mas como seus adeptos.

É uma nova onda, novo processo, sutil e perigoso, na longa sucessão de meios de combate à Doutrina, que sempre teve seus opositores invisíveis, por trás dos combatentes ostensivos.

Se o mundo oculto inferior oferece as naturais dificuldades de identificação e avaliação aos que se encontram no campo físico, o mesmo não ocorre com seus agentes. Suas idéias os identificam. Ao combater concepções errôneas, mostrando as inconseqüências e inconformações com os ensinos espíritas e cristãos, automaticamente são atingidos os agentes ostensivos e a sustentação invisível.

A verdade não pode coexistir, nos domínios da Doutrina generosa e libertadora, com o erro e a insensatez. Poderá, sim, ser solapada e vilipendiada pelos poderes ocultos e pelos desvios interpretativos, mas somente enquanto os que são visados não despertam e não descobrem os valores autênticos, as verdadeiras consolações proporcionadas pela Nova Revelação, na plenitude de suas claridades.

Para discernir a verdade será mais apto o Espírito liberto de preconceitos, humilde de coração e desperto para o amor e menos capaz o portador de prevenções e dominado pelo orgulho, pressuposta semelhante capacidade intelectual.

Abraçando a Doutrina Espírita, o adepto aceita o compromisso de amá-la e respeitá-la, na sua unidade e integridade. Esse compromisso compreende o dever de estudá-la, aprofundando-a na medida do próprio discernimento. O espírita sincero está investido, assim, pelo conhecimento adquirido, na função de colaborador e participante de obra transcendente de esclarecimento e progresso sem limitações, abrindo novas vias para si e seus semelhantes, atraindo-os para o belo e o verdadeiro.

Daí seu dever de vigilância contra as mesclas e insinuações inferiores de encarnados e desencarnados. Cumpre-lhe atentar sempre para as fontes puras do Evangelho e da Codificação. Nas dúvidas porventura ocorrentes, existe vasta literatura consagrada por sua origem e pelo tempo, tratando dos desdobramentos doutrinários nos seus pormenores, análises e detalhamentos.

A Espiritualidade facilita, dessa forma, o esforço do adepto, orientando-o para que não seja induzido a erros e desvios, propostos, às vezes, sob formas sutis por inteligências a serviço dos opositores do Espiritismo e do Evangelho.

O Movimento Espírita no Brasil está repleto de lições muito claras a respeito dos rumos a seguir. Em horas cruciais, a Espiritualidade Maior jamais abandonou os trabalhadores sinceros, os que souberam manter os compromissos assumidos e se opuseram aos desvios de várias procedências, incompreensões, instabilidades políticas, penúria econômica, agitações sociais, no decorrer de mais de um século, não conseguiram desviar e comprometer a admirável firmeza doutrinária de um Bezerra de Menezes, de um Guillon Ribeiro, de um Wantuil de Freitas ou de um Francisco Cândido Xavier, para só citar uns poucos. Foram e são exemplos de tenacidade e resistência contra todas as espécies de pressões e tentações na condução e sustentação de uma obra coletiva que levou o Espiritismo, no Brasil, ao estágio atual, expandindo-se sem comprometimentos indesejáveis.

Não queremos afirmar que tudo está perfeito, acabado, sem problemas no Movimento. A obra a realizar é imensa e permanente a possibilidade de aperfeiçoar-se, mas as diretrizes traçadas estão no rumo certo. Portanto, não há por que tergiversar, desviar, desanimar.

Como diz Emmanuel:

“Provocações e problemas, habitualmente, são testes de resistência, necessários à evolução e aprimoramento da própria vida”.


O Mensageiro - Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio

Autor:
Juvanir Borges de Souza

Fonte:
Livro: Tempo de Transição

terça-feira, 12 de abril de 2011

Justiça Divina - Psicografias em Tribunais

Débora Rabelo

Nos anos 70 e 80 as psicografias do médium Francisco Cândido Xavier causariam a maior reviravolta de todos os tempos nos tribunais. Pela primeira vez, a vítima (desencarnada) dava seu relato e inocentava o acusado.

Os casos de Goiás e Mato Grosso do Sul tiveram repercussão internacional, devido as circunstâncias dos acontecimentos. Aos que acreditavam ser obra do acaso, recentemente, através de outros médiuns, as vítimas deram sua versão inocentando os acusados.

Fatos inexplicáveis para alguns, justiça divina para outros. Em maio de 1976 na cidade de Goiânia de Campina José Divino Nunes,18 anos é acusado de matar Maurício Garcez Henriques, 16 anos. Nunes jurou inocência o tempo todo. Mas, a família de Henriques, católica não aceitava a perda do filho, queria a condenação de Nunes. Apesar da religião católica, os pais do jovem morto foram buscar palavras de consolo com o espírita Chico Xavier.

Durante meses os Henriques seguiam a mesma prossissão de milhares de pessoas em busca de ajuda até Uberaba/MG. Em 1978, Maurício ressurge com a primeira carta para família e que, inocentava José Divino. Com breves palavras o jovem levava força aos familiares. Segundo Maurício, o fato havia ocorrido da seguinte forma:

“O José Divino nem ninguém teve culpa em meu caso. Brincávamos a respeito da possibilidade de ferir alguém pela imagem no espelho. Sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo ou minha mesmo. O resultado foi aquele. Se alguém deve pedir perdão sou eu mesmo, porque não devia ter admitido brincar em vez de estudar. Estou vivo e com muita vontade de melhorar. “
Com a psicografia apresentando uma assinatura semelhante a que fora feita na identidade, o texto causava perplexidade na família. Apesar disso, o senhor Henriques desejava a condenação de Nunes. Então, em 12 de maio de 1979, próximo ao Dia das Mães, Maurício faz um apelo ao pai através de outra carta com a seguinte mensagem:

“ Peça ao meu pai que, no íntimo, aceite a versão que forneci do acontecimento que me suprimiu o corpo físico. Não se procure culpa em ninguém.”

Diante de mais um auxílio vindo da espiritualidade, os advogados colocaram a psicografia junto com assinaturas e cartas de Maurício no processo a ser analisado pela justiça. A versão apresentada pelos advogados seguia a seguinte defesa:

“A vítima Maurício Garcez Henriques, desencarnada, envia mensagem de tolerância e magnitude espiritual, inocentando seu amigo José Divino e dizendo que ninguém teve culpa em seu caso, tudo através do remontado médium Francisco Cândido Xavier. ”
O juiz Orimar de Bastos proferiu então, a seguinte sentença datada a 16 de Julho de 1979:

“Temos que dar credibilidade à mensagem (de Chico Xavier), apesar de a Justiça ainda não ter merecido nada igual, em que a própria vítima, após sua morte, vem revelar e fornecer dados ao julgador para sentenciar. Ela isenta de culpa o acusado, fala da brincadeira com o revólver e o disparo da arma. Coaduna este relato com as declarações prestadas pelo acusado.”

A decisão final foi:

“Julgamos improcedente a denúncia para absolver, como absolvido temos, a pessoa de José Divino Nunes.”

A situação, antes nunca vista em nenhum tribunal, chegou ao conhecimento internacional. Os jornais americanos, National Enquire e Physic News noticiaram o inédito caso. O juiz ainda seria alvo de entrevistas pela sentença inédita e também pela decisão em aceitar a psicografia como prova mesmo assumindo a religião católica. Assim como o magistrado, Chico Xavier ao ser questionado pelo fato declarou:
“ ...Como cristão acredito que, se a mensagem de alguém que se transferiu para a Vida Espiritual demonstrar elementos de autenticidade capazes de interessar uma autoridade humana, essa mensagem é válida para qualquer julgamento.”
O que parecia ter sido mera obra do acaso para os descrentes da Doutrina Espírita, voltaria a ser tema de discussão novamente nos anos 80. Desta vez, em 1982, a vítima era o Deputado Federal Heitor Alencar Furtado. Na época com 26 anos.
Heitor fora assassinado momentos depois de ter estado em um comício. Enquanto relaxava no acostamento, após viajar vários quilômetros, leva um tiro no peito. O responsável era o policial José Aparecido Branco, conhecido como Branquinho.
Na época, várias autoridades como Ulysses Guimarães, Figueiredo, Maximano da Fonseca e Tancredo Neves deram suas palavras de indignação pedindo justiça. A imprensa condenava o policial. Em carta psicografada por Chico Xavier a resposta simples e direta:
“O disparo foi acidental”.

O pai da vítima, Alencar Furtado então diz:

“ As declarações são mesmo de meu filho”.

Em 1984 a sentença: O tiro havia sido acidental. Assim, o magistrado classificou o crime como homicídio simples. Decorrente de negligência, condenando o réu a 8 anos e 20 dias.

O segundo caso na mesma década ocorreu com a ex-miss Campo Grande, Gleide Dutra de Deus. Ela foi assassinada pelo marido Francisco João de Deus. Meses depois do fato, Francisco procura Chico Xavier em busca de “socorro”. Em carta psicografada, a versão de Gleide:
“ Em carta escrita por Chico Xavier, para garantir ter sido vítima mesmo de um tiro acidental, disparo quando seu marido tirava a arma da cintura.’’

O fato na época teve validada a situação por enfermeiras que haviam atendido a vítima no hospital. Veredito: absolvição por 7 votos a 0.

Algumas pessoas afirmaram que, após o desencarne do médium Chico Xavier, tais fatos não voltariam a acontecer. O caso ocorrido na década de 90 com resolução a partir de 2000 e outros ocorridos depois de 2003 comprovam o contrário. A mediunidade, como afirmava Allan Kardec (codificador da Doutrina Espírita) é uma faculdade existente em todos os seres humanos, em maior ou menor grau de intensidade. A importância da psicografia ou orientação espiritual como é também chamada nos centros espíritas vai além de um julgamento, traz paz e alívio a dor de milhares de pessoas.

São Paulo, 1997, o comerciante Paulo Roberto Pires é assassinado com mais de 10 tiros. O acusado, Milton dos Santos, que iria a julgamento por crime qualificado, foi inocentado por Pires. O fato incomum para a justiça ocorreu na cidade de Ourinhos.

A carta enviada pela vítima foi recebida através do médium Rogério Leite contendo 11 folhas. Além da mensagem, a defesa utilizou fotos para demonstrar como se desenvolvia uma sessão espírita e também do médium, trabalhador do Centro Espírita Paulo Ferreira. Na psicografia Pires relatava:

"inocentem o Milton, para que ele prossiga a sua vida aproveitando-se da observação dos fatos para dirigir melhor sua família".

O morto não aponta, no entanto, o verdadeiro culpado. Diz apenas esperar "que os culpados pela minha morte do corpo paguem suas culpas. "

No fato em questão, desconhece-se a absolvição do acusado. A psicografia foi feita apenas em 2004. Mesmo assim, a justiça temendo reações, decidiu por levar a fundo a carta deixada na intenção de que uma perícia confirme ou descarte as assinaturas da vítima contidas na mensagem.

O Rio Grande do Sul também foi palco de polêmica envolvendo ajuda espiritual para a resolução de um crime. Através de algumas psicografias a acusada Iara Barcelos, 63 anos foi inocentada do assassinato do tabelião Ercy da Silva Cardoso, 71 anos.

O crime ocorreu em 2003 na cidade de Viamão. Na época, Ercy foi morto com dois tiros na cabeça. A acusada segundo a justiça manteve um relacionamento amoroso com o tabelião.

Com a psicografia, Iara foi absolvida por 5 votos a 2. A mensagem foi lida durante o julgamento pelo advogado da acusada, Lúcio de Constantino que tinha como teor a seguinte descrição da vítima:

"O que mais me pesa no coração é ver a Iara acusada desse jeito, por mentes ardilosas como as dos meus algozes (…). Um abraço fraterno do Ercy ".

Segundo relatos, teria sido o marido da acusada a buscar ajuda espiritual. E inclusive, recebeu uma carta também da vítima. Como a psicografada foi colocada no processo ainda em tempo hábil, a prova foi aceita.

As orientações (psicografias) são uma prática comum nos centros espíritas e também a seus adeptos e simpatizantes. Para estes, as cartas são uma forma de encontrar paz e aliviar a saudade dos entes queridos. Da mesma forma que, através delas os mesmos parentes ou amigos, podem lhes dar conselhos para lhes ajudar a resolverem certos problemas e viverem melhor.

A psicografia segundo a Doutrina Espírita é uma das variedades de mediunidade a que o médium (intermediário entre o mundo corporal e espiritual) é portador. Como o próprio espiritismo mesmo relata, há momentos em que o médium não é conhecedor da mensagem que chega através dele. Dentro da própria psicografia existem variedades como: Mecânica, Intuitiva, Semi-Mecânica e Inspiração.

Assim, podemos coloca-las da seguinte forma:


MEDIUNIDADE CARACTERÍSTICA
Psicografia Mecânica Quando o médium desconhece o teor da mensagem
que está escrevendo.
Psicografia Intuitiva O médium sabe o que está escrevendo
porém, transmite as idéias que recebe
dos espíritos.
Psicografia Semi-Mecânica O médium toma consciência
do que vai escrevendo de acordo como as palavras
lhe saem.
Psicografia por Inspiração É também denominada como uma variedade
da mediunidade intuitiva. E todo médium que,
recebe pelo pensamento idéias diferentes das
suas pode ser classificado nesta linha.


Dentro destas classificações há ainda várias sub-classificações. Para um maior conhecimento disto, aconselha-se ler o Livro dos Médiuns de Allan Kardec. Para termos um conhecimento mais aprofundado sobre a questão destes trabalhos nos centros espíritas, pedimos ao casal de médiuns Rosane e Hugo Carvalho que dessem um parecer baseados na experiência que ambos possuem nesta área de convívio com os desencarnados e médiuns das mais diversas procedências, a fim de ilustrarmos esta reportagem com a visão de praticantes deste intercâmbio dos dois mundos. Ambos são trabalhadores da Sociedade Espírita “Caminheiros do Bem“ de Novo Hamburgo/RS.

A seguir o depoimento dos médiuns:

“A pequena contribuição que poderemos dar a este tema tão importante nos seus efeitos para a Doutrina do Amor que abraçamos com certeza absoluta de estarmos angariando as luzes do entendimento das verdades eternas, é a de que em qualquer situação ligada a esta problemática, mais do que em outras,é fundamental que o médium seja um seguidor fiel dos ensinos de Jesus e de Kardec como Chico Xavier o foi.
Como muitos o sabem, estas ocorrências fizeram parte da programação espiritual em andamento, onde foi necessário chamar a atenção de muitos, para as verdades eternas que o Espiritismo comprova com muito bom senso e que foi obtida com êxito para desespero dos adversários da Luz Divina.

No histórico do médium, que psicografou a mensagem, é importantíssimo observar se constam comprovações de humildade, simplicidade e amor ao próximo vivenciadas e conhecidas, e que permitam a grande maioria das pessoas que o conhece, confirmar que possui realmente uma MORAL ELEVADA. Acreditamos que este embasamento do perfil do médium, já elimina antecipadamente, uma grande gama de falsidades que podem estar embutidas na mensagem.

Esta é a base, para aceitar iniciar a análise da situação e prosseguir buscando a comprovação dos fatos apresentados na mensagem recebida. Num segundo momento, a defesa apresentada pelo desencarnado, na escrita, é coerente com o bom senso, com a lógica dos fatos acontecidos?
Os pormenores são relevantes e no contexto em geral, são verossímeis? Evidentemente, que a confirmação da autenticidade no que diz respeito a letra do desencarnado, ou da sua assinatura, e de que o médium usufrui da mediunidade caracterizada por Kardec como MECÂNICA, constitui o item mais importante para técnicamente aceitar e dar um parecer jurídico sobre o caso.
A continuidade da preocupação se verdadeira ou não da mensagem psicografada recebida, seria o aspecto de "quem vai ganhar o que com isto". Se porventura, o médium que no caso não seria dos bons espíritos, de uma forma ou de outra, vai ser beneficiado, não tenhamos dúvidas, não será uma verdade provinda de benfeitores espirituais!

Todo e qualquer Espírita verdadeiro, neste caso, tem que fazer a sua parte, lutando pela verdade, anonimamente ou não, para que mais facilmente a Luz do Evangelho de Jesus ilumine mentes e corações, a fim de não se desviarem do verdadeiro caminho, tão admiravelmente difundido com exemplos vivos de renúncia, resignação e coragem, que Bezerra de Menezes, Chico Xavier, Divaldo Franco, Raul Teixeira e outros líderes espíritas, já nos
obsequiaram com tanto amor.

Finalizamos agradecidos, lembrando Kardec:
Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.“
O que será que nos diria o francês Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita sobre esses fatos? Os que atacam o espiritismo dizem que, tudo isto não passa de farsa e um abuso sobre as leis. Aos adeptos desta doutrina, a verdade sempre é revelada e nada é por acaso. Sendo Deus que rege todas as leis do universo, nada mais justo do que uma intervenção espiritual para impedir que o destino de alguém tome o rumo errado.

Com esta reportagem, pretendemos demonstrar que, mais do que uma religião e uma filosofia de vida, o espiritismo também é uma ciência. Suas bases são tão profundas quanto a origem da vida. Somente quem sente a dor da saudade pelo desencarne de alguém, sabe o quanto é consolador ter a certeza do seu bem estar.

Nunca nenhuma pesquisa ou tentativa de provar fraude sobre os trabalhos do médium Francisco Cândido Xavier obtiveram êxito. Pelo contrário, milhares foram os que não apenas se renderam as suas verdades, mas que, também passaram a defende-lo. Para se criticar algo é necessário estudo e bases para isso. A Doutrina Espírita prova-se por si só e não necessita brigar pelo seu espaço.

As psicografias ainda não são aceitas em todos os tribunais. Quem sabe, a continuidade destas manifestações não possam alterar o rumo que hoje segue o campo dos magistrados. Afinal, Jesus o grande mestre já dizia: Conhecereis a verdade e ela vos libertará.

Embora, ainda seja uma polêmica por todos estes fatores a utilização da psicografia como prova em um tribunal, sua força perante o público em geral é inegável. Quem sabe, estudos como estes ajudem a mudar esta realidade de hoje, de uma sociedade tão carente de espiritualidade e entregue a superficialidade dos fatos. Muitas mudanças já ocorreram e, como dizia Chico Xavier: Deixemos que o tempo e a voz de Deus sejam a nossa voz. Esperamos que, muitas pessoas possam encontrar as respostas para suas dúvidas e possam questionar muitos pontos com o auxílio deste estudo conhecendo um pouco mais sobre a Doutrina Espírita e sua valiosa contribuição a sociedade em geral.