sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

FREDERICO FÍGNER (IRMÃO JACOB)


Frederico Fígner nasceu na madrugada de 2 de Dezembro de 1866, na casa humilde de n º 37 da rua Teynska, em Milevsko, perto de Tabor, Tcheco-Eslováquia, então Boêmia e parte do Império Austro-Húngaro.

Israelita de nascimento, bebeu no lar paterno os preconceitos de sua raça contra o Carpinteiro de Nazaré.

Filho de pais pobres, Fígner tinha que emigrar para o Novo Mundo, como faziam os jovens da Europa Central, naquele tempo. Aos treze anos sai do lar paterno e vai para a cidade de Bechim aprender um ofício. Aos dezesseis anos, deixa definitivamente a terra natal.

No Brasil, estabeleceu-se, prosperou, conheceu uma jovem de peregrinas virtudes e alma de artista, D. Esther de Freitas Reys, filha de família ilustre.

Em 1897, Frederico Fígner e D. Esther fundavam, pelo matrimônio, seu lar feliz. Desse feliz enlace nasceram seis filhos.

Frederico Fígner não teve escola superior. Foi autodidata sem tempo nem calma para estudar, pois que em lutas econômicas desde a infância; no entanto, sua missão reclamava grandes conhecimentos e ele os revelou. Possuía e manejava com segurança línguas de três famílias: eslavas, germânicas e latinas. Adquiriu conhecimentos jornalísticos suficientes para colaborar num dos maiores diários do País.

Demonstrou raras capacidades técnicas em sua indústria e no comércio, gravando ele em pessoa, discos fonográficos de músicas populares brasileiras e divulgando-as por todo o território nacional. Mais tarde, quando a indústria de gravação fonográfica progrediu, ele soube orientar o progresso. Já não executava o trabalho como simples técnico, mas montava oficinas modernas de gravação, as quais, em maior escala, operavam nessa obra de distribuir por todo o Brasil o patrimônio artístico, genuinamente brasileiro. Meio século de trabalho desse pioneiro fonográfico representa uma obra imensa de unificação nacional.

A ação industrial de Frederico Fígner, no tempo em que não existia o rádio tem o valor de nobre apostolado patriótico.

Como divulgador industrial das máquinas de escrever, do mesmo modo, contribuiu grandemente para o progresso material do Brasil.

Essa posse de conhecimentos universitários, inexplicavelmente adquiridos, revela a elevação de seu espírito, demonstra que ele não era um simples habitante da Terra, mas, sim, um missionário descido ao Planeta para colaborar em sua transformação predita e anunciada para o nosso tempo.

Foi no Brasil e quando já negociante próspero, com seu estabelecimento comercial e industrial e uma sucursal em São Paulo, que Fígner foi chamado a conhecer a Verdade.

Fígner travou relações de amizade com Pedro Sayão, filho do saudoso doutrinador Antônio Luiz Sayão. Pedro Sayão, durante cerca de dois anos lhe freqüentava a loja e palestrava sobre Espiritismo e Cristianismo, sem que Fígner se impressionasse muito pelo assunto; porém, numa de suas visitas ao seu estabelecimento de São Paulo, Fígner ouviu a dolorosa história de um seus empregados, cuja esposa se achava gravemente enferma e necessitada de melindrosa intervenção cirúrgica. Ao regressar ao Rio de Janeiro, Fígner pediu a Pedro Sayão que lhe obtivesse receita para a cura da enferma de São Paulo. Veio a receita e a cura da doente, sem intervenção alguma dos médicos. Foi esse fato que impressionou Fígner a favor do Espiritismo.

Já impressionado com a cura da doente mediante uma receita mediúnica, Fígner foi procurado em sua loja por um pobre pai de família desempregado, em penosa situação econômica. Ouviu-lhe o relato de suas aflições, deu-lhe um pouco de dinheiro e disse-lhe que voltasse oito dias mais tarde. Ao sair o necessitado, pela primeira vez na vida, Fígner fez um pedido ao Carpinteiro de Nazaré: “Se é como dizem os cristãos que tu tens muito poder, ajuda a esse pobre pai de família; arranja-lhe trabalho e meios de vida!”

Oito dias mais tarde, voltava o homem com o sorriso dos felizes e lhe narrava: “Já estou trabalhando e brevemente virei restituir seu dinheiro, Sr. Fígner. Fui procurado por uma pessoa que me convidou para um emprego totalmente inesperado.”

Fígner se entusiasmou e repetiu semelhantes pedidos, com resultados sempre positivos. Em vez de pedir a Jesus, passou a pedir à Maria e igualmente os resultados não se fizeram esperar. Encheu-se da fé que transporta montanhas e estudou com entusiasmo o Espiritismo e o Cristianismo. Passou a consagrar sua vida ao serviço dos outros.

Não se sabe ao certo quando se deu essa conversão, mas em 1903 já se encontram vestígios das atividades espíritas de Fígner na Federação Espírita Brasileira.

Por ocasião da gripe espanhola, em 1918, com 14 doentes em seu próprio lar e ele mesmo adoentado e febril, passava os dias inteiros na Federação, atendendo a doentes e necessitados que lá iam, em avalanches , buscar recursos para situações aflitivas.

Sua vida normal durante longos anos consistia em ir de manhã e à tarde à Federação tomar ditados de receitas de diversos médiuns, chegando a tomar de 150 a 200 receitas por dia e a dar passes em numerosos doentes. Levantava-se às cinco horas da manhã e, antes de ir à loja, ia à Federação, de onde só saía quando terminava esse serviço de tomar ditado de receitas. Às quatro horas da tarde lá estava de novo para orar e dar passes em doentes. E curava mesmo os enfermos, pois que seus “fregueses”, como ele lhes chamava na intimidade, cresciam sempre de número.

Franco, leal, por vezes rude, repreendia frente a frente a qualquer companheiro que ele supunha ou fora informado haver cometido erro grave em detrimento da Doutrina. Mas se o caso se esclarecia e verificava ser injusta a recriminação, penitenciava-se com a mais comovedora humildade cristã.

Contrariamente à primeira impressão que causava, era extremamente humilde e cordato.

Presidia diversos grupos na sede da Federação e em seu lar.

Foi Vice Presidente da Federação e depois membro do Conselho Fiscal, função que exerceu até à desencarnação. Era Tesoureiro da Comissão Pró Livro Espírita

Consumia vultosas rendas em obras de beneficência. Possuía sólidos conhecimentos da Doutrina e defendia com ardor as obras de Allan Kardec.

O serviço de Fígner nas obras de assistência e no trabalho profissional afastava-o muito do lar, mas isso não prejudicava o cultivo de um afeto extremado entre pai e filhas.

Um exame atento na obra, nos conhecimentos, na ética, no caráter de Frederico Fígner nos leva à convicção de que ele foi missionário e cumpriu sua missão com perfeita segurança.

Ainda nos últimos dias de sua vida, distribuía ele donativos por instituições e pessoas pobres de sua amizade, guiando-se pelo coração e nem sempre pelo cérebro, e só respeitando a fortuna das filhas.

Trabalhou e serviu abnegadamente até que a enfermidade o prendeu ao leito, poucos dias antes da partida. Completou oitenta anos em 2 de Dezembro de 1946, e em 19 de janeiro de 1947, às 20 horas, partiu para o mundo espiritual, deixando abertos caminhos de luz sobre a Terra que pisara por tanto tempo.

Fígner possuía todas as grandes virtudes cristãs que mais enobrecem as almas privilegiadas por alto grau de progresso e tinha o espírito prático do homem moderno que sabe reunir meios materiais para ajudar em grande escala a divulgação das idéias e os necessitados. Esse conjunto raro de capacidades espirituais, intelectuais, sociais e materiais fez dele realmente um espírita modelar, dentro da vida social, em pleno século vinte.