Antônio Moris Cury
É impressionante a estatística oficiosa dando conta de que em Curitiba, a cidade onde vivemos, são cometidos 14 suicídios em média por mês, ou seja, quase um suicídio a cada dois dias.
Este número só não é maior porque os diretores dos meios de comunicação, felizmente, concluíram que o melhor é não haver divulgação, a não ser em casos excepcionais ou que, pelas circunstâncias, não possam ser omitidos, diante do efeito multiplicador que a publicação certamente provocaria.
Conquanto sejam diversas as causas alegadas para o suicídio, em bilhetes e cartas deixados pelos autores de tão tresloucado gesto, em sua maioria, porém, aparece o desgosto pela vida como o motivo determinante.
A esse propósito, na pergunta 943 de O Livro dos Espíritos, a obra basilar da Doutrina Espírita, questionou Allan Kardec, o eminente e proeminente Codificador: "Donde nasce o desgosto da vida, que, sem motivos plausíveis, se apodera de certos indivíduos?, recebendo dos Benfeitores da Humanidade a seguinte resposta: "Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera" (texto encontrável na página 439 da 75a edição da FEB).
Com efeito, a ociosidade é perigosa sempre, o mesmo acontecendo com a saciedade, que cria a ilusão de que, por estar aparentemente satisfeito em todos os sentidos, o indivíduo não teria mais desafios pela frente, o que significaria, em última análise, estar submetido à intolerável rotina.
De igual modo, a falta de fé pode conduzir a criatura ao despenhadeiro, já que não tem confiança, e muito menos convicção, de que a vida prossegue para sempre, a despeito da desencarnação, conclusão a que se pode chegar pelo uso da razão, especialmente se combinada com a observação dos atos e fatos do dia-a-dia.
Feliz, pois, é quem usa de suas faculdades com finalidade útil, tornando-se útil onde quer que esteja, procurando servir antes de ser servido, revelando por este modo ter plena consciência de que mais se beneficia quem melhor serve.
Todos nós renascemos com aptidões, com tendências oriundas de outras existências, remotas ou não, razão pela qual quem a elas der vazão, com naturalidade, verá que nenhum trabalho é árduo; bem ao contrário, qualquer trabalho será fonte inesgotável de satisfação, sobretudo se realizado com esmero, do melhor modo possível, com apreciável qualidade, o que se constituirá, no mínimo, em importante contributo para o equilíbrio das relações sociais.
E, convém que não esqueçamos, "Toda ocupação útil é trabalho", na enxuta e precisa definição de O Livro dos Espíritos, que se pode encontrar na resposta dada à questão número 675 (página 328 da 75a edição da FEB).
Assim, aquele que usa esses antídotos, ao alcance de todos nós, seguramente sentirá permanente alegria de viver, renovando-se a cada dia, para melhor, e seguindo em frente, sempre em frente, sem temor de qualquer espécie.
Por outro lado, não é difícil concluir que o suicida direto pretende eliminar a aflição, a vergonha, o desgosto pela vida, o problema maior, enfim, que esteja vivenciando, acreditando que por este modo estará pondo um ponto final em tudo.
Ledo engano! Que desapontamento terá depois!
Com efeito, o suicida pode pôr fim ao seu corpo material, ao seu corpo físico, que irá se decompor e transformar. Todavia, não conseguirá dar cabo de sua vida propriamente dita, à sua individualidade, uma vez que todos nós, Espíritos, seres pensantes da Criação, encarnados ou desencarnados, somos imortais. Depois de criados passamos a ser eternos, tendo uma única vida, desdobrada em inúmeras existências, cujo destino final é a perfeição relativa e a felicidade suprema.
Como as leis da Natureza são perfeitas, e por esta razão imutáveis, a brusca interrupção da vida física praticada pelo suicida, que não teve coragem e resignação suficientes para prosseguir, independentemente das dificuldades que encontrou pelo caminho, comuns a todos nós, deverá ser reparada, por ele, exclusiva e intransferivelmente, sofrendo expiação proporcional ao ato, à sua gravidade e demais circunstâncias.
Nem poderia ser diferente, uma vez que ninguém, exceto Deus, tem o direito de dispor sobre a vida.
Entretanto, não obstante o insano gesto, terá ele, com certeza, novas oportunidades para corrigir os erros, males e equívocos cometidos, porquanto sempre é possível recomeçar, eis que não há nas Leis Divinas ou Naturais condenação irremissível. Por mais hediondo que seja o crime, por maior insanidade de que se revista o ato, a reparação será sempre possível porque tendemos todos para a perfeição, que se constrói gradualmente, devagarinho, a pouco e pouco, a exemplo do que acontece com a própria Natureza, que não dá saltos.
Neste passo, interessante reproduzir a questão 950 de O Livro dos Espíritos: "Que pensar daquele que se mata, na esperança de chegar mais depressa a uma vida melhor? , que obteve a seguinte e lúcida resposta dos Espíritos Superiores: "Outra loucura! Que faça o bem e mais certo estará de lá chegar, pois, matando-se, retarda a sua entrada num mundo melhor e terá que pedir lhe seja permitido voltar, para concluir a vida a que pôs termo sob o influxo de uma idéia falsa. Uma falta, seja qual for, jamais abre a ninguém o santuário dos eleitos" (página 441 da edição da FEB, antes citada).
Por derradeiro, nestas rápidas observações sobre tema tão complexo quão penoso, vale relembrar que há também o suicídio indireto, que pode decorrer da gula, da ingestão de bebidas alcoólicas, do uso do tabaco em suas variadas formas, da exposição voluntária a riscos desnecessários (de que são exemplos as corridas de automóveis e de motocicletas), etc., cumprindo dizer, ainda, que o suicídio indireto também pode decorrer de viciações morais.
Pelo exposto, pode-se desde logo extrair inarredável conclusão: a prática do Bem é um excelente remédio para todos os males!
Este Blog destina-se a pessoas interessadas no estudo e na prática da verdade do evangelho de Jesus, sem alienação e temor.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Porque os Médicos Hoje Acreditam que a Fé Cura?
Elena Serocki
Com o título acima a Revista Seleções de agosto de 2001 publicou matéria com base em pesquisas médicas, da qual extraímos o seguinte tópico:
O CÉU PODE ESPERAR
Centenas de estudos e pesquisas documentam a ligação entre fé e saúde. Entre os efeitos positivos da devoção figuram:
Vida mais longa. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 21 mil pessoas, entre 1987 e 1995, constatou uma diferença de sete anos na expectativa de vida entre aquelas que nunca freqüentam cultos religiosos e as que os freqüentam mais de uma vez por semana.
Bem-estar geral. Em uma pesquisa co-dirigida pelo epidemiologista Jeff Levin, autor de God, faith, and health (Deus, fé e saúde), idosos que se consideravam religiosos tiveram menos problemas de saúde do que os não religiosos.
Melhor recuperação. Pacientes confortados pela fé apresentaram probabilidades três vezes maior de sobrevivência após cirurgias cardíacas abertas, segundo estudo de 1995 da Faculdade de Medicina de Dartmouth.
Batimentos mais firmes. Em um estudo feito na Índia, em 1997, os participantes, em sua maioria hindus, que rezavam regularmente tinham 70% menos chance de sofrer de doença coronariana.
Pressão mais baixa. Em um estudo de 1989 realizado com 400 homens, pesquisadores da Duke University observaram um significativo efeito protetor contra a pressão alta entre aqueles que consideravam a religião muito importante e freqüentavam a igreja.
Boa saúde mental. Freqüentar locais de devoção tem relação com taxas menores de depressão e ansiedade, segundo uma pesquisa de 1999 da Duke University, que incluiu quase 4 mil idosos.
Menos estresse. Pessoas sob estresse apresentam aumento da pressão arterial e das freqüências cardíaca e respiratória, reduzindo a imunidade, segundo o Dr. Herbert Benson, de Harvard, autor de A resposta do relaxamento. Ele constatou, em várias pesquisas, que tanto a meditação como a oração, o tai chi chuan e a ioga provocam uma reação oposta ao estresse.
Com o título acima a Revista Seleções de agosto de 2001 publicou matéria com base em pesquisas médicas, da qual extraímos o seguinte tópico:
O CÉU PODE ESPERAR
Centenas de estudos e pesquisas documentam a ligação entre fé e saúde. Entre os efeitos positivos da devoção figuram:
Vida mais longa. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com 21 mil pessoas, entre 1987 e 1995, constatou uma diferença de sete anos na expectativa de vida entre aquelas que nunca freqüentam cultos religiosos e as que os freqüentam mais de uma vez por semana.
Bem-estar geral. Em uma pesquisa co-dirigida pelo epidemiologista Jeff Levin, autor de God, faith, and health (Deus, fé e saúde), idosos que se consideravam religiosos tiveram menos problemas de saúde do que os não religiosos.
Melhor recuperação. Pacientes confortados pela fé apresentaram probabilidades três vezes maior de sobrevivência após cirurgias cardíacas abertas, segundo estudo de 1995 da Faculdade de Medicina de Dartmouth.
Batimentos mais firmes. Em um estudo feito na Índia, em 1997, os participantes, em sua maioria hindus, que rezavam regularmente tinham 70% menos chance de sofrer de doença coronariana.
Pressão mais baixa. Em um estudo de 1989 realizado com 400 homens, pesquisadores da Duke University observaram um significativo efeito protetor contra a pressão alta entre aqueles que consideravam a religião muito importante e freqüentavam a igreja.
Boa saúde mental. Freqüentar locais de devoção tem relação com taxas menores de depressão e ansiedade, segundo uma pesquisa de 1999 da Duke University, que incluiu quase 4 mil idosos.
Menos estresse. Pessoas sob estresse apresentam aumento da pressão arterial e das freqüências cardíaca e respiratória, reduzindo a imunidade, segundo o Dr. Herbert Benson, de Harvard, autor de A resposta do relaxamento. Ele constatou, em várias pesquisas, que tanto a meditação como a oração, o tai chi chuan e a ioga provocam uma reação oposta ao estresse.
A Razão de Ser do Espiritismo
Victor Hugo (espírito)
Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.
Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.
Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.
Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.
As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.
Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.
Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.
O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz
maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.
Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de idéias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinqüentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.
O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam . . .
Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqüi, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.
Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que se vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.
Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.
Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas seqüelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.
A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.
Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.
Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.
Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.
Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.
As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.
Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.
Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.
O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz
maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.
Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de idéias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinqüentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.
O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam . . .
Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqüi, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.
Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que se vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.
Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.
Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas seqüelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.
A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.
A Força do Exemplo
Daltro Rigueira Viana
Manhã luminosa. Sol esplendente, fazendo jorrar seus raios multicores sobre a minha face. Inicio a minha trajetória em mais um dia abençoado por Deus. Alhures, diviso um casal de rolinhas, arrulhando e se acariciando _ exemplo de amor! Subindo a ladeira, caminhando com passos incertos, olhos perdidos no tempo, surge uma criatura esquálida e maltrapilha _ exemplo de abandono! Alguém se desvia dela, como se de um malfeitor. Lembro-me de uma frase que aprendi: "Por que fugirmos dos andrajos humanos se em nossos corações repousam ulcerações lamentáveis?"
Mais adiante, uma velhinha de pequena estatura tem dificuldades em alcançar a campanhia de uma residência _ alguém presto resolve o seu problema _ exemplo de solidariedade!
A caminhada prossegue. Vejo uma igreja. Pela porta semi-aberta, diviso criaturas orando _ exemplo de fé! Vem-me à mente, outro ensinamento: "O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o in feliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem".
Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os "bons tempos" e sorriem felizes: exemplo de amizade! Ouço um deles, dizendo: "Na amizade e no amor se repartem os bens imortais da alma". Não longe, forte rapaz puxa uma carroça abarrotada de mercadorias _ exemplo de trabalho!
O tempo transcorre. Continuo com minhas observações. Caminhando cambaleante, segue um infeliz dominado pela bebida _ exemplo de vício! Pitágoras exarou: "Não é livre aquele que não obteve domínio sobre si próprio".
Respiro a longos haustos. Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor solícito me atende com carinho e atenção _ exemplo de gentileza! Na vitrine deparo com um extraordinário dizer do Pe. Antonio Vieira: "O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive".
Retiro-me feliz. Uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversação fraterna _ exemplo de caridade! Emmanuel, escritor espiritual, baila em meu campo mental, relembrando-me um ensinamento: "Sublime é a caridade que se transforma em reconforto. Divina é a caridade que se converte em amor irradiante".
Uma estátua na praça. Uma menina loura a observá-la. Na ampulheta do tempo, revejo-me lendo uma historieta: "O fato ocorreu na Itália. Havia uma estátua que representava uma menina grega, escrava. Era formosa, limpa e bem vestida. Uma menina maltrapilha, desasseada, despenteada, deteve-se a contemplar a estátua, enamorando-se dela. Ficou admirada, encantada. Chegou em casa, lavou-se e penteou-se. Pôs em ordem seus vestidos e passou a cuidar-se melhor. A força do exemplo, mesmo um exemplo mudo, estereotipado no mármore".
Num parque, sento-me e respiro profundamente. Volvo o olhar para o alto e agradeço as dádivas Divinas. Um toque suave de mão em meus ombros... A entrega de um folheto, enquanto a criatura abençoada se vai. Os pássaros gor
jeiam. Os ventos convidam-me à reflexão. Tudo é festa! Curioso, abro o folheto e leio magistrais elucidações para meu espírito, ávido de aprendizado:
"É longa a estrada dos preceitos: a dos exemplos é breve e mais segura". _ Sêneca.
"Em todas as idades, o exemplo pode muitíssimo convosco: na infância, então, é onipotente". _ Fénelon.
"As palavras comovem, os exemplos arrastam". _ Provérbio árabe.
"Não há modo de mandar ou ensinar mais forte e suave do que o exemplo; persuade sem retórica, seduz sem porfiar, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas". _ Pe. Manuel Bernardes.
"... vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais também vós". _ JESUS.
Retorno ao meu lar, meditando numa extraordinária frase da autora espiritual Joanna de Ângelis: "Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade".
Manhã luminosa. Sol esplendente, fazendo jorrar seus raios multicores sobre a minha face. Inicio a minha trajetória em mais um dia abençoado por Deus. Alhures, diviso um casal de rolinhas, arrulhando e se acariciando _ exemplo de amor! Subindo a ladeira, caminhando com passos incertos, olhos perdidos no tempo, surge uma criatura esquálida e maltrapilha _ exemplo de abandono! Alguém se desvia dela, como se de um malfeitor. Lembro-me de uma frase que aprendi: "Por que fugirmos dos andrajos humanos se em nossos corações repousam ulcerações lamentáveis?"
Mais adiante, uma velhinha de pequena estatura tem dificuldades em alcançar a campanhia de uma residência _ alguém presto resolve o seu problema _ exemplo de solidariedade!
A caminhada prossegue. Vejo uma igreja. Pela porta semi-aberta, diviso criaturas orando _ exemplo de fé! Vem-me à mente, outro ensinamento: "O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o in feliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem".
Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os "bons tempos" e sorriem felizes: exemplo de amizade! Ouço um deles, dizendo: "Na amizade e no amor se repartem os bens imortais da alma". Não longe, forte rapaz puxa uma carroça abarrotada de mercadorias _ exemplo de trabalho!
O tempo transcorre. Continuo com minhas observações. Caminhando cambaleante, segue um infeliz dominado pela bebida _ exemplo de vício! Pitágoras exarou: "Não é livre aquele que não obteve domínio sobre si próprio".
Respiro a longos haustos. Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor solícito me atende com carinho e atenção _ exemplo de gentileza! Na vitrine deparo com um extraordinário dizer do Pe. Antonio Vieira: "O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive".
Retiro-me feliz. Uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversação fraterna _ exemplo de caridade! Emmanuel, escritor espiritual, baila em meu campo mental, relembrando-me um ensinamento: "Sublime é a caridade que se transforma em reconforto. Divina é a caridade que se converte em amor irradiante".
Uma estátua na praça. Uma menina loura a observá-la. Na ampulheta do tempo, revejo-me lendo uma historieta: "O fato ocorreu na Itália. Havia uma estátua que representava uma menina grega, escrava. Era formosa, limpa e bem vestida. Uma menina maltrapilha, desasseada, despenteada, deteve-se a contemplar a estátua, enamorando-se dela. Ficou admirada, encantada. Chegou em casa, lavou-se e penteou-se. Pôs em ordem seus vestidos e passou a cuidar-se melhor. A força do exemplo, mesmo um exemplo mudo, estereotipado no mármore".
Num parque, sento-me e respiro profundamente. Volvo o olhar para o alto e agradeço as dádivas Divinas. Um toque suave de mão em meus ombros... A entrega de um folheto, enquanto a criatura abençoada se vai. Os pássaros gor
jeiam. Os ventos convidam-me à reflexão. Tudo é festa! Curioso, abro o folheto e leio magistrais elucidações para meu espírito, ávido de aprendizado:
"É longa a estrada dos preceitos: a dos exemplos é breve e mais segura". _ Sêneca.
"Em todas as idades, o exemplo pode muitíssimo convosco: na infância, então, é onipotente". _ Fénelon.
"As palavras comovem, os exemplos arrastam". _ Provérbio árabe.
"Não há modo de mandar ou ensinar mais forte e suave do que o exemplo; persuade sem retórica, seduz sem porfiar, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas". _ Pe. Manuel Bernardes.
"... vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais também vós". _ JESUS.
Retorno ao meu lar, meditando numa extraordinária frase da autora espiritual Joanna de Ângelis: "Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade".
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Uma Homenagem a Um Irmão do Coração
Queridos amigo!
Hoje, 02 de agosto é uma data que agradeço a Deus por ter mandado um ser maravilhoso conviver como meu irmão sanguíneo.
Há quantas vêzes na infância andamos juntos, a pé de bicicleta e na adolesCência e na fase adulta eramos muito unidos e passamos momentos inesquecíveis durante sua jornada na Terra.
Quanta falta senti de dua presença física, aquela palavra de carinho de amor a todos que o redeavam, era incapaz de cometer injustiça.
Como Médico, não tinha hora para atender e não era necessário ter convênio ou dinheiro para prestar seus competentes serviços em prol dos nossos irmãos.
Muitas vezes salvava vidas e essas pessoas nem sequer chegaram a conhecê-lo. Era um ser humano íntegro e praticava a caridade sem ninguém saber, que descobrimos no seu sepultamento ao chegar onibus e onibus a formarem filas de agradecimento pelo seu enorme coração.
Mano, como Eu te chamava, muito obrigado pela lição de vida que nos deixou e tenho certeza que no mundo espíritual estais sempre olhando por nós.
Alma querida, que Deus no seu infinito amor te proporcione forças a cada dia que passa a fim de que o teu maravilhoso espírito possa distribuir as grandezas do mundo celestial a todos necessitados.
Carlos André Laranjeira Miranda, Também te posso chamar de médico dos pobres, onde o teu exercício não enxergava, raça, cor, preconceitos e sim a verdadeira caridade a todos que te procuravam e também ao teu redor com seu maravilhoso exemplo.
Obrigado mais uma vez amado irmão, que a espiritualidade leve o meu abraço carinhoso para o teu coração.
Que Jesus te ampare hoje e sempre!
Hoje, 02 de agosto é uma data que agradeço a Deus por ter mandado um ser maravilhoso conviver como meu irmão sanguíneo.
Há quantas vêzes na infância andamos juntos, a pé de bicicleta e na adolesCência e na fase adulta eramos muito unidos e passamos momentos inesquecíveis durante sua jornada na Terra.
Quanta falta senti de dua presença física, aquela palavra de carinho de amor a todos que o redeavam, era incapaz de cometer injustiça.
Como Médico, não tinha hora para atender e não era necessário ter convênio ou dinheiro para prestar seus competentes serviços em prol dos nossos irmãos.
Muitas vezes salvava vidas e essas pessoas nem sequer chegaram a conhecê-lo. Era um ser humano íntegro e praticava a caridade sem ninguém saber, que descobrimos no seu sepultamento ao chegar onibus e onibus a formarem filas de agradecimento pelo seu enorme coração.
Mano, como Eu te chamava, muito obrigado pela lição de vida que nos deixou e tenho certeza que no mundo espíritual estais sempre olhando por nós.
Alma querida, que Deus no seu infinito amor te proporcione forças a cada dia que passa a fim de que o teu maravilhoso espírito possa distribuir as grandezas do mundo celestial a todos necessitados.
Carlos André Laranjeira Miranda, Também te posso chamar de médico dos pobres, onde o teu exercício não enxergava, raça, cor, preconceitos e sim a verdadeira caridade a todos que te procuravam e também ao teu redor com seu maravilhoso exemplo.
Obrigado mais uma vez amado irmão, que a espiritualidade leve o meu abraço carinhoso para o teu coração.
Que Jesus te ampare hoje e sempre!
sábado, 31 de julho de 2010
Olhai os Lírios do Campo
Américo Domingos Nunes Filho
Jesus, nosso Mestre, além de todas as virtudes, é, também, um excelente poeta. Sendo Espírito de alta hierarquia, o Cristo já tem a vivência, em grande expressão, do sentimento do belo.
Hodiernamente, tanto se fala em ecologia, no respeito à natureza, no carinho às árvores e aos animais. Jesus exemplificou, em seu nascimento, cercado de seres infra-hominais, no estábulo, o seu amor aos seres vivos. O Mestre reencarna em uma humilde estrebaria, sendo seu berço um tabuleiro onde se' serve a comida aos animais.
Os primeiros visitantes do menino foram simples pastores que guardavam suas ovelhas, naquela noite majestosa. Encontro memorável do Cristo com os primeiros "lírios do campo" que, de vigília, pastoreavam seu rebanho.
Na casa de Simão, o fariseu, Jesus viu, mais uma vez, as flores do campo; quando exortou a uma nova vida a irmã que ungiu os seus pés. O israelita, embora religioso, não podendo ver os lírios que crescem, recriminava o Mestre, dizendo ser a mulher uma pecadora (Lucas 7:39).
Nas cercanias de Tiro e Sidon, uma mãe aflita, cananéia, foi testada em sua fé no Cristo. Ele sabia que estava diante de uma flor do campo, e disse-lhe: "Ó mulher, grande é a tua fé!... " (Mateus 15:28).
Uma mulher, encontrada em adultério, foi levada ao Mestre. A lei mosaica determinava a pena de morte, através do apedrejamento. Jesus olhou os lírios do campo que desabrochavam naquela irmã, e respondeu aos que ainda não sabem observar as flores do campo: "Aquele que estiver sem erro, atire a primeira pedra". E todos se retiraram, a começar pelos mais velhos (João 8:7-9).
"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham, nem fiam. Eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Mateus 6:28-29).
Você, querido leitor, não vê os lírios que crescem? Enquanto, neste momento, está preocupado com o dia-a-dia, porventura desesperado com o amanhã, todo o seu Arcabouço físico está funcionando automaticamente. Trilhões de Células de seu corpo vivem sem a intervenção da sua vontade. Uma potente máquina, em seu peito, bombeia o sangue, fazendo toda a operação por si mesma, sem a sua interferência.
Passe a olhar os lírios do campo! Tenha a certeza de que ninguém é desgraçado, infortunado: Jesus disse: “Aquele que não toma a sua cruz, e não me segue, não é digno de mim". (Mateus 10:38).
Tenha fé, tudo é passageiro. O Cristo, também, afirmou que na casa do Pai há muitas moradas. O Universo espelha a eternidade e haverá, sempre, uma mão amiga para acolher você. Nenhum ser será deserdado. O apóstolo Pedro, em sua Primeira Epístola, nos conforta, dizendo que Jesus pregou aos espíritos em prisão (1 Pedro 3: 19). O "inferno" existe em nós, à medida que nosso pensamento está canalizado para o mal que causamos a outrem.
No momento em que resolver tocar no Mestre, como fez a mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue (Marcos 5:25), evocando-o, pedindo-lhe perdão por suas faltas e disposto a repará-las, o "inferno", em que se encontra a sua consciência, transformar-se-á em misericórdia e esperança. O Cristo ensinou que nenhuma ovelha se perderá.
Abra seu coração a Jesus. Procure agir como o samaritano que ajudou o homem caído na estrada. Vá de encontro aos sofredores.
Procure praticar a fraternidade. Faça com que o amor seja, cada vez mais, espargido sobre todos os aflitos e desesperados. Olhe os lírios do campo! Observe aqueles que são menosprezados e vilipendiados pelos homens. Valorize sempre o ser humano, qualquer que seja sua conduta atual. Ontem, também, você semeara o mal e as mesmas mãos, que o socorriam então, serão substituídas, agora, pelas suas.
Não tenha preconceito. Olhe as flores do campo nos chamados pecadores. Todos nós somos frutos e criação do Grande Geômetra do Universo, definido, como Amor, no Novo Testamento. Segundo o Mestre, o Reino de Deus está dentro de nós e somos deuses. Fomos criados para a felicidade, que já existe em potencial dentro de nós, desde o momento de nossa fecundação cósmica.
Meu querido leitor, olhe, agora, olhe, sempre, os lírios do campo...
Jesus, nosso Mestre, além de todas as virtudes, é, também, um excelente poeta. Sendo Espírito de alta hierarquia, o Cristo já tem a vivência, em grande expressão, do sentimento do belo.
Hodiernamente, tanto se fala em ecologia, no respeito à natureza, no carinho às árvores e aos animais. Jesus exemplificou, em seu nascimento, cercado de seres infra-hominais, no estábulo, o seu amor aos seres vivos. O Mestre reencarna em uma humilde estrebaria, sendo seu berço um tabuleiro onde se' serve a comida aos animais.
Os primeiros visitantes do menino foram simples pastores que guardavam suas ovelhas, naquela noite majestosa. Encontro memorável do Cristo com os primeiros "lírios do campo" que, de vigília, pastoreavam seu rebanho.
Na casa de Simão, o fariseu, Jesus viu, mais uma vez, as flores do campo; quando exortou a uma nova vida a irmã que ungiu os seus pés. O israelita, embora religioso, não podendo ver os lírios que crescem, recriminava o Mestre, dizendo ser a mulher uma pecadora (Lucas 7:39).
Nas cercanias de Tiro e Sidon, uma mãe aflita, cananéia, foi testada em sua fé no Cristo. Ele sabia que estava diante de uma flor do campo, e disse-lhe: "Ó mulher, grande é a tua fé!... " (Mateus 15:28).
Uma mulher, encontrada em adultério, foi levada ao Mestre. A lei mosaica determinava a pena de morte, através do apedrejamento. Jesus olhou os lírios do campo que desabrochavam naquela irmã, e respondeu aos que ainda não sabem observar as flores do campo: "Aquele que estiver sem erro, atire a primeira pedra". E todos se retiraram, a começar pelos mais velhos (João 8:7-9).
"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham, nem fiam. Eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles" (Mateus 6:28-29).
Você, querido leitor, não vê os lírios que crescem? Enquanto, neste momento, está preocupado com o dia-a-dia, porventura desesperado com o amanhã, todo o seu Arcabouço físico está funcionando automaticamente. Trilhões de Células de seu corpo vivem sem a intervenção da sua vontade. Uma potente máquina, em seu peito, bombeia o sangue, fazendo toda a operação por si mesma, sem a sua interferência.
Passe a olhar os lírios do campo! Tenha a certeza de que ninguém é desgraçado, infortunado: Jesus disse: “Aquele que não toma a sua cruz, e não me segue, não é digno de mim". (Mateus 10:38).
Tenha fé, tudo é passageiro. O Cristo, também, afirmou que na casa do Pai há muitas moradas. O Universo espelha a eternidade e haverá, sempre, uma mão amiga para acolher você. Nenhum ser será deserdado. O apóstolo Pedro, em sua Primeira Epístola, nos conforta, dizendo que Jesus pregou aos espíritos em prisão (1 Pedro 3: 19). O "inferno" existe em nós, à medida que nosso pensamento está canalizado para o mal que causamos a outrem.
No momento em que resolver tocar no Mestre, como fez a mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue (Marcos 5:25), evocando-o, pedindo-lhe perdão por suas faltas e disposto a repará-las, o "inferno", em que se encontra a sua consciência, transformar-se-á em misericórdia e esperança. O Cristo ensinou que nenhuma ovelha se perderá.
Abra seu coração a Jesus. Procure agir como o samaritano que ajudou o homem caído na estrada. Vá de encontro aos sofredores.
Procure praticar a fraternidade. Faça com que o amor seja, cada vez mais, espargido sobre todos os aflitos e desesperados. Olhe os lírios do campo! Observe aqueles que são menosprezados e vilipendiados pelos homens. Valorize sempre o ser humano, qualquer que seja sua conduta atual. Ontem, também, você semeara o mal e as mesmas mãos, que o socorriam então, serão substituídas, agora, pelas suas.
Não tenha preconceito. Olhe as flores do campo nos chamados pecadores. Todos nós somos frutos e criação do Grande Geômetra do Universo, definido, como Amor, no Novo Testamento. Segundo o Mestre, o Reino de Deus está dentro de nós e somos deuses. Fomos criados para a felicidade, que já existe em potencial dentro de nós, desde o momento de nossa fecundação cósmica.
Meu querido leitor, olhe, agora, olhe, sempre, os lírios do campo...
Ética Espírita
1. Ética e Moral
A Ética (do grego ethika) é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana (Dicionário Michaelis)1. Relaciona-se com os costumes, sendo chamada ciência da conduta e ciência da moral, cujo objetivo é o julgamento e a distinção entre o bem e o mal. A Ética teve origem na Grécia, com Aristóteles (384-322 a.C.), o qual utilizou esse nome pela primeira vez em seu livro Ética a Micômaco.
Afirma Marilena Chauí2: "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à conduta correta e incorreta (...). No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problemize e interprete o significado dos valores morais."
A distinção entre ética e moral é, todavia, tênue. Já na Roma antiga, Cícero (106-43 a.C.) dizia que eles denominavam moral o que os gregos chamavam de ética.
Com Jesus Cristo, os conceitos éticos assumiram nova dimensão, como se depreende das palavras do Espírito Carlos Torres Pastorino, no recente livro Impermanëncia e Imortalidade3, cap. "Ética e razão"':
"Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes dEle, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se do que em educar e corrigir. Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou."
Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos, 12:21); "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (I Coríntios, 10:23); e reforça com seu exemplo: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas, 2:19-20).
Com o correr do tempo e o predomínio da Igreja, depois, com a Reforma Protestante, a ética cristã foi sendo adaptada às concepções da Teologia, na medida em que o comportamento humano era influenciado pelo temor a Deus, pela crença no pecado, nas penas eternas, em que a salvação da alma era condicionada à submissão aos dogmas e sacramentos, ou à fé em Cristo.
Iniciada no século XVII a Era da Razão, a partir de René Descartes (1596-1650), passando pelos filósofos do Iluminismo, até Jean-Jacques Rousseau (1712-1799) e Emmanuel Kant (1724-1804), no século XVIII, as reflexões éticas prepararam o pensamento humano para o advento do Consolador prometido por Jesus, destinado a reconduzir a ética cristã à sua pureza original.
2. Ética e Doutrina Espírita
Em nossa pesquisa, não encontramos menção à Ética nas obras da Codificação Kardequiana e na Revista Espírita. Todas as referências se reportam à Moral, cujo conceito espírita se confunde com o de Ética, como podemos conferir nas respostas dos Espíritos Reveladores às questões 629 e 630 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), formuladas por Kardec:
629. Que definição se pode dar da moral
A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.
630. Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é pro ceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-Ia.
Na obra Filosofia Espírita da Educação (vol. 1)4 Ney Lobo acentua que, como "existe a Filosofia Espírita, deve, forçosamente, corresponder-lhe determinada ética, a Ética Espírita" (destaque do autor).
Os princípios da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto - Filosofia, Ciência e Religião - fundamentam-se na moral do Cristo, que é a mais elevada expressão da Ética.
A concepção de Deus - justo e misericordioso para com todos os seus filhos -, como a "inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas"; a certeza da vida futura e o conhecimento do mundo espiritual, confirmados, através da mediunidade, pelas comunicações dos Espíritos; a origem, evolução e destinação do Espírito imortal; a pluralidade das existências e dos mundos habitados; a compreensão da justiça e da misericórdia divinas pelo funcionamento da lei de causa e efeito; o princípio de responsabilidade decorrente do exercício do livre-arbítrio; a concepção espírita das penas e gozos terrestres e futuros - repercutem na consciência moral do homem, levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta ética.
Nas Leis Morais, da Parte 3a de O Livro dos Espíritos, a Ética Espírita apresenta-se em sua plenitude. No capítulo 1, Kardec reúne o ensino dos Espíritos sobre a lei divina ou natural, examinando os caracteres e o conhecimento dessas leis; coloca as questões acerca do bem e do mal e apresenta (q. 648) a divisão da lei natural em dez partes (cap. II a XI), que compreendem as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. Afirmam os Espíritos que "essa última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras."
Ainda sobre a última lei moral, Kardec enfatiza, na Conclusão (IV) de O Livro dos Espíritos. "O progresso da Humanidade tem seu principio na aplicação da lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro."
Além da questão acima (648), três outras merecem destaque, por seu significado ético:
621. Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência.
625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? Jesus.
647. A Lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por Jesus?
Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens, uns para com os outros. (...).
O Codificador termina o estudo das leis morais com a abordagem de um aspecto fundamental da Ética em geral e da Ética Espírita em particular - a Perfeição Moral. As primeiras questões apresentadas tratam das virtudes e dos vícios. Indaga ele (q. 893) sobre qual a mais meritória das virtudes, e recebe por resposta: "Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. (...) A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade." (Grifamos.)
No exame das paixões, a resposta dos Espíritos à pergunta 907 esclarece que a paixão, em sua origem, não é má; "a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal".
O egoísmo é o vício mais radical (q. 913), dele derivando todo o mal. "Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. (...) Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades."
Fénelon responde de forma admirável à indagação - Qual o meio de destruir-se o egoísmo? (q. 917). Eis alguns trechos do seu pensamento: "De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de erradicar-se (...). O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas." (...).
No longo e elucidativo comentário sobre essa questão, Kardec afirma ser necessário combater o egoísmo na sua raiz "pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral".
Sobre a educação à luz do Espiritismo, Ney Lobo5 enfatiza: "A Ética Espírita é a argamassa que cimenta a Filosofia com a Educação Espírita, articulando-as funcionalmente num enlace perfeito e doutrinário: a Filosofia fornece a Ética para a Educação realizá-la."
3. Comportamento ético-espírita
A Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo -, leva o homem, à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do Codificador6 "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. "
Retomando o citado capítulo sobre a Perfeição Moral, encontramos o modelo de comportamento ético-espírita na questão 918, em que Kardec, no seu comentário, apresenta os caracteres do homem de bem e declara: "Verdadeiramente, homem de bem, é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza." Ele desdobra esse tema no capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, descreve a conduta do homem de bem, e conclui - referindo-se aos bons espíritas - que o Espiritismo leva aos resultados por ele obtidos que "caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro ". (Grifamos.)
***
A Ética Espírita foi enriquecida, no século XX, com o apostolado mediúnico de Francisco Cândido Xavier, através do qual a Espiritualidade Superior canalizou para o homem contemporâneo valiosas diretrizes de ordem comportamental, sob a visão evangélico-doutrinária da Terceira Revelação. Destacamos desse tesouro as mensagens de Emmanuel que compõem a série (editada pela FEB) Caminho, verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva, assim como as de André Luiz, cujo livro Conduta Espírita é um repositório de orientações a quantos queiram ter um comportamento ético-cristão. Esta contribuição do Mundo Espiritual é acrescida pelas obras de Joanna de Ângelis sobre o homem integral e a psicologia profunda, psicografadas por Divaldo Pereira Franco.
O comportamento ético-espírita não pode limitar-se aos momentos em que estamos na Casa Espírita ou no atendimento às carências do próximo. Ele deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da vida.
Ao espírita compete manter uma conduta ética no cotidiano, em todas as relações que estabelece com o seu semelhante e a sociedade, ainda que em detrimento de seu interesse pessoal. Cabe-lhe viver e exemplificar a conduta ética no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações apresentadas pelo Espírito André Luiz7, consultando sempre a sua consciência, onde está escrita a lei de Deus.
A Ética (do grego ethika) é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana (Dicionário Michaelis)1. Relaciona-se com os costumes, sendo chamada ciência da conduta e ciência da moral, cujo objetivo é o julgamento e a distinção entre o bem e o mal. A Ética teve origem na Grécia, com Aristóteles (384-322 a.C.), o qual utilizou esse nome pela primeira vez em seu livro Ética a Micômaco.
Afirma Marilena Chauí2: "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à conduta correta e incorreta (...). No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problemize e interprete o significado dos valores morais."
A distinção entre ética e moral é, todavia, tênue. Já na Roma antiga, Cícero (106-43 a.C.) dizia que eles denominavam moral o que os gregos chamavam de ética.
Com Jesus Cristo, os conceitos éticos assumiram nova dimensão, como se depreende das palavras do Espírito Carlos Torres Pastorino, no recente livro Impermanëncia e Imortalidade3, cap. "Ética e razão"':
"Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes dEle, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se do que em educar e corrigir. Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou."
Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: "Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos, 12:21); "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (I Coríntios, 10:23); e reforça com seu exemplo: "Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas, 2:19-20).
Com o correr do tempo e o predomínio da Igreja, depois, com a Reforma Protestante, a ética cristã foi sendo adaptada às concepções da Teologia, na medida em que o comportamento humano era influenciado pelo temor a Deus, pela crença no pecado, nas penas eternas, em que a salvação da alma era condicionada à submissão aos dogmas e sacramentos, ou à fé em Cristo.
Iniciada no século XVII a Era da Razão, a partir de René Descartes (1596-1650), passando pelos filósofos do Iluminismo, até Jean-Jacques Rousseau (1712-1799) e Emmanuel Kant (1724-1804), no século XVIII, as reflexões éticas prepararam o pensamento humano para o advento do Consolador prometido por Jesus, destinado a reconduzir a ética cristã à sua pureza original.
2. Ética e Doutrina Espírita
Em nossa pesquisa, não encontramos menção à Ética nas obras da Codificação Kardequiana e na Revista Espírita. Todas as referências se reportam à Moral, cujo conceito espírita se confunde com o de Ética, como podemos conferir nas respostas dos Espíritos Reveladores às questões 629 e 630 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), formuladas por Kardec:
629. Que definição se pode dar da moral
A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.
630. Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é pro ceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-Ia.
Na obra Filosofia Espírita da Educação (vol. 1)4 Ney Lobo acentua que, como "existe a Filosofia Espírita, deve, forçosamente, corresponder-lhe determinada ética, a Ética Espírita" (destaque do autor).
Os princípios da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto - Filosofia, Ciência e Religião - fundamentam-se na moral do Cristo, que é a mais elevada expressão da Ética.
A concepção de Deus - justo e misericordioso para com todos os seus filhos -, como a "inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas"; a certeza da vida futura e o conhecimento do mundo espiritual, confirmados, através da mediunidade, pelas comunicações dos Espíritos; a origem, evolução e destinação do Espírito imortal; a pluralidade das existências e dos mundos habitados; a compreensão da justiça e da misericórdia divinas pelo funcionamento da lei de causa e efeito; o princípio de responsabilidade decorrente do exercício do livre-arbítrio; a concepção espírita das penas e gozos terrestres e futuros - repercutem na consciência moral do homem, levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta ética.
Nas Leis Morais, da Parte 3a de O Livro dos Espíritos, a Ética Espírita apresenta-se em sua plenitude. No capítulo 1, Kardec reúne o ensino dos Espíritos sobre a lei divina ou natural, examinando os caracteres e o conhecimento dessas leis; coloca as questões acerca do bem e do mal e apresenta (q. 648) a divisão da lei natural em dez partes (cap. II a XI), que compreendem as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. Afirmam os Espíritos que "essa última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras."
Ainda sobre a última lei moral, Kardec enfatiza, na Conclusão (IV) de O Livro dos Espíritos. "O progresso da Humanidade tem seu principio na aplicação da lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro."
Além da questão acima (648), três outras merecem destaque, por seu significado ético:
621. Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência.
625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? Jesus.
647. A Lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por Jesus?
Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens, uns para com os outros. (...).
O Codificador termina o estudo das leis morais com a abordagem de um aspecto fundamental da Ética em geral e da Ética Espírita em particular - a Perfeição Moral. As primeiras questões apresentadas tratam das virtudes e dos vícios. Indaga ele (q. 893) sobre qual a mais meritória das virtudes, e recebe por resposta: "Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. (...) A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade." (Grifamos.)
No exame das paixões, a resposta dos Espíritos à pergunta 907 esclarece que a paixão, em sua origem, não é má; "a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal".
O egoísmo é o vício mais radical (q. 913), dele derivando todo o mal. "Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. (...) Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades."
Fénelon responde de forma admirável à indagação - Qual o meio de destruir-se o egoísmo? (q. 917). Eis alguns trechos do seu pensamento: "De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de erradicar-se (...). O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas." (...).
No longo e elucidativo comentário sobre essa questão, Kardec afirma ser necessário combater o egoísmo na sua raiz "pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral".
Sobre a educação à luz do Espiritismo, Ney Lobo5 enfatiza: "A Ética Espírita é a argamassa que cimenta a Filosofia com a Educação Espírita, articulando-as funcionalmente num enlace perfeito e doutrinário: a Filosofia fornece a Ética para a Educação realizá-la."
3. Comportamento ético-espírita
A Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo -, leva o homem, à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do Codificador6 "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. "
Retomando o citado capítulo sobre a Perfeição Moral, encontramos o modelo de comportamento ético-espírita na questão 918, em que Kardec, no seu comentário, apresenta os caracteres do homem de bem e declara: "Verdadeiramente, homem de bem, é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza." Ele desdobra esse tema no capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, descreve a conduta do homem de bem, e conclui - referindo-se aos bons espíritas - que o Espiritismo leva aos resultados por ele obtidos que "caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro ". (Grifamos.)
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A Ética Espírita foi enriquecida, no século XX, com o apostolado mediúnico de Francisco Cândido Xavier, através do qual a Espiritualidade Superior canalizou para o homem contemporâneo valiosas diretrizes de ordem comportamental, sob a visão evangélico-doutrinária da Terceira Revelação. Destacamos desse tesouro as mensagens de Emmanuel que compõem a série (editada pela FEB) Caminho, verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva, assim como as de André Luiz, cujo livro Conduta Espírita é um repositório de orientações a quantos queiram ter um comportamento ético-cristão. Esta contribuição do Mundo Espiritual é acrescida pelas obras de Joanna de Ângelis sobre o homem integral e a psicologia profunda, psicografadas por Divaldo Pereira Franco.
O comportamento ético-espírita não pode limitar-se aos momentos em que estamos na Casa Espírita ou no atendimento às carências do próximo. Ele deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da vida.
Ao espírita compete manter uma conduta ética no cotidiano, em todas as relações que estabelece com o seu semelhante e a sociedade, ainda que em detrimento de seu interesse pessoal. Cabe-lhe viver e exemplificar a conduta ética no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações apresentadas pelo Espírito André Luiz7, consultando sempre a sua consciência, onde está escrita a lei de Deus.
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