quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Neuroquímica e Compromissos Conjugais

Livro Bioética
Francisco Cajazeiras-Médico-Escritor espírita.

Os impulsos que determinam o interesse entre um homem e uma mulher têm sido interpretados de diversificadas maneiras pelos estudiosos do assunto.
Há os que defendem a ideação da "mulher ideal" ou do "homem ideal" calcada nos anseios íntimos de cada um e fortemente enfluenciada pelas figuras materna e paterna, respectivamente; há,também, a hipótese de uma possível univocidade de asperações e tendências que agiria na interação e promoção dos laços responsáveis pelo ajuntamento ou aproximação do casal.Atualmente, porém, vêm sendo desenvolvidas pesquisas sugestivas da participação biológica nesse processo de atração física e psíquica do par enamorado, através da fenomenologia de ordem bioquiímica.

Consideram os experimentadores que o plugue do romantismo seria conectado pela produção exacerbada, em certas áreas cerebrais de substâncias responsáveis por esse "ENVOLVIMENTO-ENCANTAMENTO", determinando, dessa forma, clima favorável `a instalação de um relacionamento afetivo mais aprofundado. Estariam envolvidas nesse mecanismo certas substâncias conhecidas, em seu conjunto, pela designaçãode NEUROTRANSMISSORES, dentre as quais implicam como principais a NORADRENALINA, a DOPAMINA e a FENILETILAMINA, sendo que esta última determinaria, até mesmo aquele estado de alheamento tão característico dos apaixonados.

Os espíritos incubidos de nos trazer a Terceira Revelação têm, repetidas vezes, chamado a nossa atenção para o fato de que, ao reencarnarmos, programamos a nossa existência, consoante nossas necessidades evolutivas, até mesmo no que se refere aos companheiros que deverão compartilhar-nos a família terrena-pai, mãe, esposo(a) filhos, etc. Essas relações familiais podem ser respaldadas por afinidades no campo da afeição e do amor, mas de outra forma, por sintonia na faixa das desavenças clamantes pelo reajuste ante a Lei.

É bastante usual, após a conviv~encia a dois mais demorada, surgirem questionamentos do tipo:
-MAS NÓS NOS DÁVAMOS TÃO BEM!... ELE(A) ERA TÃO CORTÊS!...NÓS NOS AMAVAMOS TANTO!..
O QUE ACONTECEU?!...

O que ocorre é que (mesmo excluindo os casos em que não foram levados em conta os compromissos adrede firmados na erraticidade) por ocasião do reencontro, no mundo formal, dos dois seres compromissados na constituição de um lar, há todo um processo responsável por sua aproximação , iniciando nos núcleos específicos do perispírito, envolvendo-os em um clima de recíproca atração, pelo despertar, em nível inconsciente, dos ajustes a que anuíram.

Assim, pois, em decorrência da maravilhosa sincronia psicossoma-corpo somático, dar-se-iam as alterações neuroquímicas já mencionadas. Isso proporcionaria àqueles dois espíritos as oportunidades de que carecem para o cumprimento, em seu próprio benefício do acordo realizado no mundo espiritual, a despeito de ser a maioria dessas relações do tipo prova e expiação. As pesquisas, porém, apontam que, após dois ou três anos, em resposta a um mecanismo desenvolvido pelo próprio organismo, denominado "TOLERÂNCIA", dá-se uma redução da dopamina, da noradrenalina e da feniletilamina e uma consequente diminuição daquela ação indutora da paixão, ao mesmo tempo em que, compensatoriamente, passa a se produzir um acúmulo de substâncias conjuntamente conhecidas pelo nome de ENDORFINAS, também neurotransmissores e promotora de uma sensação de segurança e tranquilidade. Existe, pois, arrefecimento da paixão, enquanto se instalam as condições básicas, no corpo físico, para a vivência do amor propriamente dito, agora "SENHOR" - e não mais servo - do sexo periférico (interação genital).

É exatamente nesse momento que o Espírito, se ainda não conseguiu tecer os laços de ternura, amizade e afeição, ver-se-á instado a usar de toda a sua determinação e perseverança na manutenção da união esposalícia. Pena que muitos soçobrem aos ventos da adversidade, como se depreende do grande número de separações conjugais!

A se confirmar, com o estudo e a observação mais judiciosos, " A TEORIA QUÍMICA DA PAIXÃO", mais uma vez teremos a ciência terrena demonstrando, na prática, as assertivas espíritas das relações iniciadas na dimensão extrafísica, não obstante sua postura invariavelmente radical, hostil e inflexível no que concerne às coisas do espírito.

Aguardemos e brevemente lograremos o aval da Ciência a todos os postulados da Doutrina dos Espíritos.