quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Surgimento do Espiritismo

A partir de 1847, o lar da família Fox, em Hydesville no Estado de New York, foi perturbado por ruídos inexplicáveis, que tiravam o seu sono.

A série desses eventos, o exame rigoroso que foi feito (pelo menos três comissões foram nomeadas), assim como as acusações e as perseguições nascidas dos fanatismos religiosos, tiveram uma grande repercussão na Europa.

O fenômeno das mesas_girantes decorreu por volta de 1850, expandindo-se largamente pelo mundo, e confirmava a hipótese da manifestação_de_forças_inteligentes intervindo sobre o plano físico. É a própria mesa que indica um método permitindo obter a escrita, meio de comunicação mais prático e rápido. Mais tarde, se constatou que a escrita podia ser obtida diretamente por intermédio_da_mão_dos_médiuns, e as comunicações se realizar diretamente pela voz dos médiuns. Muitos outros fenômenos foram produzidos, como a escrita_direta sobre ardósias ou sobre papel encerrado em caixas seladas, clarões luminosos, etc, e isso ao mesmo tempo e por toda parte no mundo.

Esses fenômenos se transformaram em moda e passa-tempo. Em conseqüência, foram freqüentemente acolhidos com grande incredulidade, mas atraíram também a atenção dos homens de ciência, que se puseram a observar e estudar seriamente a fenomenologia mediúnica, descartando rapidamente a hipótese de fraudes.

Entre eles figura Hippolyte Rivail, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Allan Kardec.

Foi em 1854 que ele ouviu falar das mesas girantes e das manifestações inteligentes. Cético de início adotou, entretanto, uma atitude correta ao aceitar assistir às experiências, empreendendo depois seus sérios estudos do Espiritismo. Sem nunca elaborar uma teoria preconcebida ou prematura, aplicou o método experimental pela observação rigorosa e meticulosa dos fenômenos.

Analisando não somente o aspecto externo dos fenômenos, mas também o teor muito coerente das melhores comunicações recebidas, ele aplicou o princípio da causalidade: os efeitos inteligentes devem ter uma causa inteligente. Esta causa inteligente definiu a si mesma como sendo um espírito, ou princípio_inteligente dos seres humanos, sobrevivendo à morte que não é senão a destruição do corpo físico.

Allan Kardec rapidamente descartou a infalibilidade dos espíritos, que não sabem mais do que quando estavam encarnados entre os humanos. Não é por estarem mortos que devem tudo saber. Todavia, constatou que alguns dentre eles possuíam um nível intelectual e moral bem acima da média terrestre, que "se exprimiam sem alegorias, e davam às coisas um sentido claro e preciso que não pudesse estar sujeito à uma falsa interpretação."[9 questão 1010] Além disso, seus ensinamentos lógicos clareavam, confirmavam e sancionavam por provas o texto das escrituras sagradas e noções filosóficas por vezes muito antigas. Os fenômenos sendo naturais e universais, remontam à noite dos tempos.

Por um trabalho de observação e análise metódica, multiplicando as fontes (50.000 mensagens) e os médiuns, comparando as mensagens e passando-as sob o crivo da razão e do bom senso, Allan Kardec organizou e tirou os ensinamentos dos espíritos, e os publicou em 18 de Abril de 1857 no "O Livro dos Espíritos".

A Doutrina Espírita não é uma concepção pessoal de Allan Kardec. Ele não é nem "fundador' nem "papa" do Espiritismo, mas "Codificador da Doutrina Espírita". Seguindo o mesmo princípio, entre 1857 e 1869, ano de sua desencarnação, Allan Kardec completou "O Livro dos Espíritos" por outras obras, que são: As obras básicas.

Outros homens de ciência igualmente estudaram esta fenomenologia, desafiando, por vezes, a conspiração do silêncio e mesmo o descrédito das ciências "oficiais" e suas academias.

A Sociedade Dialética de Londres nomeou uma comissão em 1869 para fazer a verificação dos fenômenos espíritas. Dezoito meses mais tarde, esta comissão reconheceu sua autenticidade.

Depois, em 1882, a Sociedade de Pesquisas Psíquicas (S.P.R.) de Cambridge estudou numerosos fenômenos, entre os quais várias centenas de casos de aparições, publicando regularmente o relatório de suas atividades (proceedings). Frederic Myers, psicólogo, aí participa no estudo do fenômeno da telepatia, qualificada de "fato incontestável".

Por causa da intolerância das academias oficiais, o Doutor Paul Gibier, membro da S.P.R., teve de abandonar sua pátria, e se tornou diretor do Instituto Pasteur em New York.

A História das Ciências nos dá numerosos exemplos de descobertas que necessitaram de um longo período de lutas para vencer a resistência e mesmo a oposição da maioria ancorada às idéias em vigor.

No século XX, o Espiritismo conheceu um desenvolvimento importante no Brasil onde hoje mais de uma dezena de milhões de Espíritas freqüentam mais de 5500 associações. Os Espíritas pertencem a todas as classes sociais, dos mais modestos aos mais intelectuais. Há associações espíritas nas favelas, no meio dos operários, nas universidades, entre os médicos, psicólogos, psiquiatras, profissionais da comunicação, filósofos, militares, etc. Numerosas obras complementares cobrindo todos os aspectos da pesquisa e das aplicações da doutrina espírita têm sido publicadas.

Certamente o Espiritismo conheceu um desenvolvimento mais lento nos países industrializados, onde as tradições religiosas, a indiferença dos homens e seu apego às coisas materiais são mais fortes.

Os Espíritos o haviam pressentido afirmando que « Seria conhecer bem pouco os homens, pensar que uma causa qualquer pudesse transformá-los como por encanto. As idéias modificam-se pouco a pouco, conforme os indivíduos, e são necessárias gerações para apagar completamente traços de velhos hábitos. A transformação pode operar-se então apenas a longo prazo, gradualmente e passo a passo; em cada geração, uma parte do véu se dissipa; o Espiritismo o vem romper completamente; mas no entanto, se tivesse por efeito corrigir um só defeito que fosse em um homem, isso já seria um passo que teria dado, e por isso mesmo um grande bem, porque esse primeiro passo tornaria os outros mais fáceis. »

Na Europa e nos Estados Unidos, o longo período de desenvolvimento industrial desemboca atualmente em uma espécie de desencantamento e em um período de crise e se denota uma recuperação do interesse para as questões espirituais. Nos meios científicos, a Nova Gnose (Princeton), nascida nos anos 70, se vê religiosa no seu espírito, de resto estritamente científico.

No meio médico, o magnetismo animal retorna com força, como também as experiências de morte iminente, a acupuntura, a hipnose, etc.

Todavia, é imperativo distinguir os trabalhos sérios daqueles trabalhos com fins comerciais, sensacionalistas, sectários, esotéricos ou provenientes de autores sem conhecimento de causa ou navegando em meio a sofismas.