quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desencarnação: Fluido e Perispírito

A CAUSA DA MORTE

A causa da morte está na exaustão dos órgãos. O conceito de morte vigente hoje no meio científico internacional, é o da "ausência de atividade elétrica cerebral". Ao lado de alguns sinais de fácil identificação, a ausência de atividade cerebral determinada pelo eletroencefalograma, confirma o diagnóstico de morte física, mesmo que o coração continue em funcionamento a custa de aparelhos específicos. Bezerra de Menezes [Entrevistas] nos diz que o eletroencefalograma é o processo através do que podemos assinalar a desencarnação.

No entanto, em muitas oportunidades, esta exaustão do corpo físico será precedida por uma deterioração do fluido vital que o animaliza.

Podemos comparar o mecanismo da morte a um aparelho elétrico em funcionamento. Poderíamos fazê-lo parar de funcionar de duas maneiras:

1. Suprimindo a corrente elétrica que chega até ele;

2. Quebrando o aparelho.

Assim também ocorre com a morte nos seres orgânicos; ela pode ocorrer de duas formas:

1. O empobrecimento do tônus vital iria desarticular as células do veículo físico, surgindo daí a doença e posteriormente, a morte. Seria o processo observado como mais freqüência nas mortes naturais;

2. A destruição direta do veículo físico sem desintegração do fluido vital prévia, mortes trágicas (como acidentes, homicídio, suicídio)

QUADRO XI - Mecanismo da Morte

Mortes Naturais

- Deterioração do Fluido Vital

- Exaustão do corpo físico

- Desligamento do Espírito

Mortes Trágicas

- Destruição do corpo físico

- Desligamento do Espírito

No primeiro caso, o corpo enfermo não estaria em condições de participar da renovação do fluido vital adulterado, o que completaria o circuito de forças enfermiças.

No segundo caso, a morte alcançaria os órgãos impregnados de fluidos vitais sadios, o que poderia criar dificuldades na readaptação do desencarnante à sua nova vida, já que o fluido vital é exclusivo dos encarnados. Nesta eventualidade (mortes trágicas), sabemos que o sofrimento que acompanha o desencarnante é diretamente proporcional à culpabilidade da vítima naquele acidente. Nos casos em que o Espírito não foi responsável (consciente ou inconsciente) pelo seu desencarne, o fluido vital restante sofreria uma "queima rápida" o que liberaria o Espírito dessas energias impróprias para a vida espiritual. Nos casos de suicídio direto ou indireto, as faixas de fluido vital estariam aderidas ao corpo espiritual do desencarnante, gerando dificuldades a sua readaptação à vida na erraticidade.

O DESLIGAMENTO

Há diferença capital entre morrer e desligar-se: a morte é física, mas o desligamento é puramente espiritual.

Dá-se o nome de desligamento espiritual ou desprendimento espiritual ao processo através do qual o Espírito desencarnante se afasta definitivamente do corpo físico que o abrigava durante a vida na Terra.

Allan Kardec ensina-nos que o corpo espiritual e o corpo físico estão aderidos uma ao outro - do ponto de vista magnético, átomo a átomo e molécula a molécula. Essa união que se estabeleceu durante a encarnação, quando o Espírito estava ainda no útero materno, é necessária ao intercâmbio indispensável que se verifica entre Espírito e corpo.

O desligamento, portanto, consiste na separação mais ou menos lenta que se verifica entre eles.

Segundo André Luiz, o desligamento, via de regra, inicia-se na porção caudal do corpo, e, em sentido ascendente, atinge a região cefálica.

Quando não mais existir nenhum ponto de contato entre perispírito e corpo físico, o desencarnante está completamente liberto da matéria; podemos dizer que o desligamento concluiu-se.

O FLUIDO VITAL

Fluido vital é um fluido mais ou menos grosseiro, encontrado apenas nos seres orgânicos. É o responsável pela animalização da matéria nos seres vivos.

Forma-se, como todos os fluidos espirituais, de transformações do Fluido Cósmico Universal.

Durante o processo gestacional, o Espírito reencarnante irá se impregnando de determinada quantidade deste fluido, quantidade esta, proporcional ao tempo médio de vida que terá na Terra.

Esta carga de fluido vital, no entanto, poderá sofrer modificações durante a existência (para mais ou para menos). O perfeito funcionamento dos órgãos poderia renová-lo; assim como também poderia sofrer um processo de deterioração em conseqüência de uma vida atormentada moral e emocionalmente.

São três as principais condições onde o fluido vital terá uma participação ativa:

a) Animalização da Matéria: o fluido vital é a força motriz dos seres orgânicos; o elemento que dá impulsão aos órgãos, movimento e atividade à matéria organizada;

b) Mediunidade de Efeitos Físicos: o fluido vital é um dos constituintes do ectoplasma, material de que se utilizam os Espíritos nas manifestações mediúnicas de efeitos físicos. Os médiuns aptos à produção de tais fenômenos libertam essas energias com mais facilidade;

c) Curas Espirituais: nos processos de cura espiritual onde são utilizados energias dos encarnados, o fluido vital será o principal elemento a ser transfundido para o enfermo. Quem o possui em melhor condição pode doá-lo àquele que necessita dele e fazer retornar à saúde uma criatura doente. Nos processos de "moratória espiritual", onde o encarnado recebe permissão para continuar na Terra por mais alguns anos, estará ele recebendo determinada carga de fluido vital, para renovar as suas reservas já combalidas.

O fluido vital no seu conjunto vai constituir o que se denomina de "duplo etérico", "corpo vital" ou "corpo bioplásmico".

Acredita Jorge Andréa que o fluido vital constituiria uma zona de energias bastantes densificadas, dispostas entre o perispírito e o corpo físico.

Por ocasião da morte, o corpo vital sofrerá um processo de desintegração, qual ocorre ao corpo físico.

DESENCARNAÇÃO E PERISPÍRITO: TRANSPLANTES

Os transplantes de órgãos são, hoje, uma realidade indiscutível. Os diversos avanços na terapêutica médica têm permitido o prolongamento da vida física em pessoas portadoras de moléstias gravíssimas, graças ao transplante de órgãos vitais.

Muitas questões de natureza espiritual têm sido levantadas.

A presença de um órgão estranho junto ao perispírito do receptor não deveria gerar implicações negativas para ele, como a rejeição, por exemplo? Qual seria a situação daqueles Espíritos que tiveram seus órgãos doados? A retirada do órgão, estando o Espírito ligado ao corpo físico não iria lesar o seu corpo espiritual?

A REJEIÇÃO E O PERISPÍRITO DO DOADOR

A rejeição do órgão transplantado, condição verificada com relativa freqüência, se deve, sob o ponto de vista espírita, a vários fatores:

Rejeição em nível físico

As células do doador são incompatíveis com a organização física do receptor. Essa incompatibilidade fará com que o sistema imunológico do doador desencadeie uma reação de defesa, através da produção de anticorpos dirigidos contra o órgãos estranho.

Rejeição em nível do fluido vital

O órgão transplantado vai impregnado de fluido vital do doador e caso não haja entre ele e o fluido vital do receptor uma certa afinidade poderá observar-se uma rejeição.

Rejeição em nível perispiritual

Os órgãos transplantados estarão também impregnados dos fluidos perispirituais do doador que poderão não ter afinidade vibratória com as energias perispirituais do receptor.

Rejeição em conseqüência de possível influência obsessiva do doador

Essa influência poderia ser consciente quando motivada por ódio, ciúme ou qualquer outro sentimento menos digno, ou inconsciente naqueles Espíritos que, sendo excessivamente apegados à matéria, mantém-se junto ao campo magnético do encarnado. Vale lembrar que, também nesses processos obsessivos seria respeitada a lei das sintonias.

No que se refere a possíveis lesões perispirituais no doador, sabe-se que não há reflexos traumatizantes no perispírito do doador.

O que lesa o perispírito são as atitudes incorretas perpetradas pelo indivíduo e não o que é feito a ele ou a seu corpo por outras pessoas.

André Luiz [Evolução em Dois Mundos] diz:

"Para definirmos de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar que ele não é reflexo do corpo físico, porque na realidade, é o corpo físico que reflete, tanto quanto ele próprio o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação."

A integridade do perispírito após a morte está relacionada intimamente com a vida que o indivíduo levou e não com o tipo de morte que teve, com a destinação de seus despojos.

Acredita-se também, que o doador desencarnado, em muitas oportunidades, possa ser beneficiado pelas preces, vibrações e pelo carinho daquele que recebeu o órgão e de seus familiares.