quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Meu testamento-Revista O Mensageiro- Autor Antonio Neves

Um dia, após certificar-se de que as funções do meu cérebro cessaram, um médico atestará o meu óbito.

Quando isso ocorrer, não tente prolongar a minha vida, artificialmente.

Em lugar disso, dê minha a visão a quem nunca viu o nascer do sol, o rostinho de uma criança ou o amor dos olhos de uma mulher.

Dê o meu coração a quem sempre sofreu de distúrbios cardíacos.

Dê os meus rins para quem depende da máquina para existir a cada dia. Tire meu sangue, meus ossos, cada músculo e nervo de meu corpo, mas arranje um jeito de fazer uma criança aleijada andar sozinha.

Explore cada centímetro de meu cérebro. Tire minhas células, se necessário, e deixe-as crescer para que um dia um garotinho mudo possa gritar quando o seu time marcar um gol, ou uma menina surda possa ouvir o som da chuva batendo em sua janela.

Queime o mais que restar de mim, e atire as cinzas ao vento para que ajudem as flores a crescer.

Mas se você quiser enterrar alguma coisa de mim, que sejam minhas falhas, minhas fraquezas e todo o preconceito que eu possa ter tido para com o próximo ...

E se você quiser lembrar-se de mim, faça-o através de uma boa ação ou palavra amiga a qualquer pessoa necessitada.

Se você fizer tudo o que pedi, viverei para sempre