quinta-feira, 21 de julho de 2011

Entrevista Concdida à ADE-Associação de Divulgadores do Espiritismo-PR

Ricardo Di Bernardi.



API – Ao tempo da Codificação, os Espíritos Superiores resumiram o homem a três elementos: corpo, perispírito e espírito. André Luiz fala-nos em corpo mental e duplo-etérico, o mesmo ocorrendo com certas religiões orientais. Afinal, à luz dos conhecimentos atuais, como, nós encarnados, somos constituídos?

RDB (DR. RICARDO DI BERNARDI) – Na infância aprendemos que o corpo humano é dividido em cabeça, tronco e membros. Está certo. Mas, é apenas um resumo. Somos constituídos de corpo físico, corpo etérico, corpo astral (perispírito), corpo mental e espírito. No entanto, cada corpo destes possui bilhões de subdivisões e compartimentos como o nosso corpo físico é constituído de trilhões de células que se constituem de tetralhões de moléculas.

API – Diante de um quadro de coma irreversível, quais os critérios para se desligar os aparelhos que mantêm artificialmente a vida do paciente?

RDB – Eu sempre erraria ao dar critérios que se aplicassem a todos os casos. Cada caso deve ser estudado, analisado e sentido com seriedade, profundidade e amor. Em resumo, nunca desligar se houver qualquer possibilidade de manutenção da vida por algum tempo.

API – Mas num país com uma assustadora precariedade do serviço público de saúde, seria justo dispêndios tão elevados com uma só pessoa?

RDB – Enquanto houver tempo de reencarnação a cumprir não devemos abreviar.

API – Como e onde fica o espírito durante os comas profundos, às vezes, de muitos anos?

RDB: Nos casos citados a situação vai depender acima de tudo do nível evolutivo de cada espírito. Assim, por exemplo: alguns ficam presos ao corpo, inconscientes, pois são espíritos comprometidos carmicamente e despreparados para se desprenderem naquele momento. Recebem assistência espiritual, porém ainda não são passíveis de serem libertados do arcabouço biológico. Outros desdobram-se durante o processo e têm consciência. Trata-se, neste caso, dos espíritos de nível ético-moral mais elevado e, por isto, automaticamente se libertam com mais facilidade. Outros ainda ficam presos ao corpo, semi-conscientes, e sofrem as dores. Há, portanto, diversas situações decorrentes da freqüência vibratória que a entidade se encontra. Não se pode generalizar o que ocorre pois cada situação é específica.

API – Espiritualmente falando, a permanência prolongada em estado de coma representa uma punição ao espírito? Estava programado?

RDB – Na nossa visão não existe punição nem neste caso nem em nenhum caso. Há sempre aprendizado. A experiência é útil para drenar as energias ou fluidos em desarmonia no corpo astral (perispírito) para a superfície física. Quanto maior necessidade desta drenagem, maior o tempo necessário para que o indivíduo permaneça em coma. O processo não é punitivo, mas de oportunidade para aprimoramento do espírito visando reduzir sofrimentos e não causá-los. Cremos não haver uma programação imposta pela espiritualidade, porém uma auto-programação gerada pelos núcleos energéticos do próprio espírito que, tal qual um computador, registra todas as atitudes pretéritas e auto-programa a correção. É um processo contínuo que o livre arbítrio refaz a cada minuto da existência. A espiritualidade orienta e ampara mas nós mesmos é que construímos o nosso destino.

API – Qual a utilidade de se congelar corpos humanos?

RDB – Se forem utilizados em benefício da humanidade, no sentido de aliviar dores, reduzir sofrimentos do próximo poderiam até ser úteis. Depende da utilização e da intenção que se pretenda efetuar.

API – Um corpo preservado indefinidamente após a morte clínica, mesmo sem a possibilidade de retorno do espírito, não pode causar uma perturbação ainda maior no espírito, como nos casos em que há o acompanhamento do processo de decomposição? Haveria algum benefício para o espírito?

RDB – Em casos raros poderia. Depende do desequilíbrio do espírito ou da patologia psíquica que vive. A espiritualidade superior não quer ninguém sofrendo. É herança judaico-cristã medieval e atual concepção “espiritólica” que temos que sofrer para evoluir. Precisamos abrir a porta do amor e do labor ao invés da porta da dor. No entanto, quando se fica cego psiquicamente não se consegue ver as mãos amorosas que ao seu lado o querem e desejam muito auxiliar. Fica-se então preso ao corpo. É uma anormalidade.

API – Embriões humanos congelados possuem algum espírito ligado a ele?

RDB - Há casos que pode haver e há casos que não há. Veja no Livro dos Espíritos a questão 356. Pode haver o desenvolvimento de gestação sem espírito. SEM ESPÍRITO. André Luiz explica o mecanismo deste processo na 2ª parte do livro Evolução em Dois Mundos. O molde perispiritual é o materno dado pelo comando espiritual da mãe que deseja muito Ter o filho.

API – Numa época de tantos descalabros na esferas da sexualidade, o que o Sr. Poderia nos dizer sobre os processos envolvidos?

RDB – Vivemos hoje um processo reacional aos séculos anteriores. Antes a sexualidade era proibida, tabu, pecado e conceitos do gênero. Hoje há sucedendo aos conceitos infantis um conceito adolescente ou de transição, um conceito de reação ao modelo anterior. O sexo é exibido, liberado sem responsabilidade. A humanidade galgou um degrau da evolução como o bebê que passa a adolescente. O bebê parece angelical, mas ao chegar a adolescência fica agressivo, inconveniente... trata-se de um processo rumo ao equilíbrio futuro. Vamos chegar lá até o ano 3000, creio.

API – Fala-se em possível tramitação no Congresso Nacional de uma lei que permitiria a união entre homossexuais. Qual a sua opinião a respeito?

RDB – Nada entendo de leis humanas. No entanto, a natureza nos propiciou dois sexos. Sexos complementares e que possibilitam a reencarnação de quem necessita retornar ao plano físico. Naturalmente falamos do sexo embasado no amor entre os espíritos. A homossexualidade é uma dificuldade adaptativa do indivíduo ao sexo físico que a programação espiritual assim determinou. Esta programação envolve dificuldades para alguns como em outros campos. Devemos respeitar o homossexual como um ser que deve ser amado como um irmão, mas não estimular a fuga de sua programação reencarnatória.

API – E quanto à possibilidade ou direito de, nestas condições, adotar-se crianças?

RDB – Sempre estudei, como médico e como terapeuta, que uma criança necessita dos modelos masculino e feminino para Ter as duas polaridades energéticas com estímulo ao desenvolvimento do seu psiquismo. Qualquer outra posição é uma dificuldade a ser transposta. Não somos radicalmente contra, mas somos a favor de que os casos (criança e pretendentes) devam ser individualmente analisados.

API – Qual a relação existente entre acupuntura e perispírito?

RDB – Os pontos de acupuntura são núcleos energéticos situados no corpo etérico (entre o perispírito e o corpo físico). Estes pontos tem representações correspondentes no físico e no perispírito.

API – Os espíritas deveriam estudá-la?

RDB – Cabe aos médicos estes procedimentos e não aos leigos. Os espíritas podem e devem estudar todas as formas de conhecimento humano, mas não exercê-las pois é ilegal e podem pôr em risco a vida do paciente.

API – E quanto à homeopatia, essa medicamentação afeta o corpo espiritual ou só o físico?

RDB – A medicina homeopática não atua quimicamente sobre o corpo. A ação do medicamento é energética. Isto quer dizer que atua sobre o nosso corpo energético e não diretamente nas células físicas. Naturalmente, a ação sobre o campo energético será captada pelas células físicas que passarão a modificar-se na sua bioquímica. A vantagem inicial da homeopatia é a ausência de toxidade química sobre o organismo. Os efeitos colaterais e contra-indicações são, em comparação com a terapêutica convencional, inexpressivos. A Segunda vantagem do tratamento homeopático é a sua ação não ser, apenas, sobre um determinado órgão, mas no conjunto ou totalidade do organismo. Esta harmonia holística que se procura determinar ao conjunto reflete sobre o órgão que padece de uma alteração qualquer. O terceiro ponto seria a abordagem que o médico homeopata efetua sobre a psicologia do paciente. Nós, médicos homeopatas e espíritas, procuramos esclarecer que a origem dos processos costumam Ter uma causa ou fator de origem espiritual. Ou seja, quem adoece inicialmente é a alma do indivíduo, seus sentimentos e pensamentos o fragilizam permitindo-o adoecer. A homeopatia visa curar o doente e não a doença, pois o médico homeopata trabalha na essência energética ou fluido vital como se diz entre espíritas e vai interferir na causa mais profunda da doença antes mesmo que ela se manifeste.

API – Como conciliar o desenvolvimento da engenharia genética com as leis divinas de justiça na área psicossomática, ou seja, ação e reação?

RDB – Excelente pergunta! A lei de Ação e Reação sempre se faz. É do automatismo da natureza. E a natureza é o livro divino onde Deus escreve a história de sua sabedoria. Quando interferimos no processo, a espiritualidade superior dá novos rumos à programação. Se assassinamos alguém ou nos suicidamos, a espiritualidade reprograma uma ou várias assistências espirituais. Também, se interferimos na genética ou programamos um embrião, será atraído para este o espírito que tiver afinidade energética, merecimento ao carma compatível com o mesmo. Os amparadores extrafísicos reestudam e reprogramam. O que não isenta de responsabilidade os agentes desta interferência .

API - Há opiniões espíritas de que nas experiências visando a clonagem humana, para fins terapêuticos ou de reprodução, e mesmo nos de reprodução assistida, a ligação de algum espírito ao corpo em formação só se faria se e quando implantado no útero materno. O que pensa disso?

RDB – Absurdo! A ligação do espírito se faz na fecundação ou concepção. Esta idéia é altamente nociva pois acaba permitindo o uso da pílula do dia seguinte, quando já se iniciou a reencarnação. Portanto, na visão espírita, esta pílula é abortiva.

API – Quem está mais perto de descobrir o espírito, a Medicina ou a Física?

RDB – Creio em um empate.

API – Costumamos, para encerrar, submeter nosso entrevistado a um JOGO RÁPIDO, proposições de temas doutrinários e pessoais aos quais, responde-se em, no máximo, dez palavras. Vamos lá, então?

Loucura: espiritopatia com repercussões cerebrais. Ou cerebropatia por desajuste energético do corpo espiritual.
Ciência espírita: estudo do mundo extrafísico e suas relações com o mundo físico.
Intuição: percepção psíquica de campos energéticos e ondas mentais externas.
Instinto: reflexos automáticos e atuais adquiridos em função de experiências de nosso passado longínquo.
Carma: tendência relativa e provisória a determinadas dificuldades adquiridas pelo mal uso do livre-arbítrio.
Um objetivo ainda não realizado: atingir a plenitude do amor e da sabedoria.
Medicina do futuro: integrará os conhecimentos das estruturas extra-físicas e orgânicas ao amor integral.
Um vulto espírita encarnado e outro desencarnado: Divaldo Franco e Allan Kardec
Lazer preferido: conhecer países e culturas.
Amor: o objetivo de toda criatura do universo


Dr. Ricardo Gandra Di Bernardi é médico homeopata geral e pediatra. Natural de Florianópolis – SC, nascido a 11/11/1947, casado com a Sra. Helena S. Thiago Di Bernardi, tem 4 filhos e 2 netas. Ingressou jovem no movimento espírita tendo sido presidente da Juventude Espírita de Florianópolis e também do MEUC ( Movimento Espírita Universitário). Exerceu posteriormente diversas funções em âmbito federativo estadual, fundou o ICEF (Instituto de Cultura Espírita de Florianópolis) e a AME-SC (Assoc. Médico-Espírita de Santa Catarina). Tem elaborado inúmeros workshops e participado como palestrante em encontros, jornadas e congressos espíritas. Seus seminários mais solicitados são: “Gestação, Reencarnação e Aborto” “Estudo dos corpos espirituais na visão espírita”, “Fisiologia da Reencarnação”, “Drogas, ação nos Corpos Espirituais”, “Sexualidade na Visão Espírita”. Desenvolveu interessante pesquisa sobre fotos Kirlian com estudo da movimentação da aura pelo passe magnético.