segunda-feira, 18 de julho de 2011

Rejuvenescimento: Vaidade ou Auto-Estima?

Américo Domingos Nunes Filho

Certa feita, após ter proferido palestra em Centro Espírita da minha cidade. Rio de Janeiro, a Presidente da Instituição fez-me a seguinte pergunta: Procede errado a mulher de idade avançada ao pintar seus cabelos, não assumindo a velhice? Sendo profitente espírita, a culpa é maior?

Sorri e, antes de responder-lhe, lembrei-me de Jesus, dizendo qual é o grande mandamento na lei, como está descrito no Evangelho de Mateus, capítulo 22, versículos 36 a 40, como também em Marcos 12:28-34.

O Mestre assim ensinou: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento". A seguir, complementa a excelsa lição, dizendo:

"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (os grifos são meus).

O ensinamento é bem claro, porquanto é imperioso que o indivíduo queira muito bem a outrem, na mesma proporção em que aprecia a si mesmo. Sendo capaz de amar-se, é possível, igualmente, ser propenso a ter afeição pelo próximo.

Se alguém pode utilizar a tecnologia atual para a melhoria de sua aparência, por que não fazê-lo? À medida em que reforça a auto-estima, está mais inclinado e disposto a "amar o próximo como a si mesmo".

É importante não confundir esse sentimento de auto-afeição com vaidade, a qual denota o desejo inveterado de atrair admiração ou homenagem, coisa fútil e frívola.

O Espiritismo, sendo o Consolador prometido por Jesus, de maneira alguma pode ser apontado como castrador, punitivo e contrário ao progresso atual.

O desenvolvimento científico em grande escala, principalmente na área da medicina, canalizado para o bem da criatura, é de fato concessão da Providência Divina.

O bondoso e iluminado médium Chico Xavier, entrevistado por queridos companheiros da AME-SP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), em 25 de fevereiro de 1984, dá sua opinião acerca da correção de problemas estéticos, através da cirurgia plástica: "Nós pensamos com os amigos que se comunicam conosco, que nem toda provação deve perdurar durante a existência inteira. Chega o momento em que esta provação pode ser extinta e renovada para o bem, reformada para a felicidade da criatura.

"A cirurgia plástica regeneradora é uma ciência que vem em benefício de nós outros, porque muitos de nós precisamos do rosto mais ou menos bem composto, das pernas fortes ou mesmo de outros sinais morfológicos do corpo corretos para cumprir bem a tarefa.

"Conheço uma amiga que é manequim e ganha a vida para sustentar o marido que está num sanatório. Por que razão impedir que ela faça a cirurgia plástica nos seios, quando estes estão defeituosos?" (Extraído do conceituado jornal "Folha Espírita", outubro de 1996).

Alguns profitentes mais conservadores da Doutrina codificada por Kardec, ardorosos defensores da "moral espírita", manifestam desagrado e repúdio às inovações científicas que visam ao embelezamento e ao rejuvenescimento da criatura humana.

Lembro-me que, após assistir proveitosa palestra de cunho doutrinário espírita, uma pessoa abordou-me, manifestando desagrado por constatar que o orador apresentava cabelos tingidos.

À irmã, a qual confundia auto-estima com vaidade, disse que recursos modernos, possibilitando remoçar os velhos, deveriam ser cada vez mais utilizados.

Citei também os textos evangélicos sobre o "Maior Mandamento", frisando-lhe, igualmente, que deixasse de observar comportamentos e atitudes do próximo e olhasse especificamente para si própria, como advertiu o Cristo no Sermão da Montanha (Mateus 7:1-5).

Podem alguns conservantistas utilizar princípios doutrinários espíritas para justificação da sua hostilidade à correção estética, afirmando que não adianta reparar defeitos na vestimenta orgânica, sem atuação a nível de perispírito, isto é, faz-se uma correção no corpo físico, esquecendo-se do envoltório espiritual, que se mantém inalterável

Será bem isso?

A Codificação Kardeciana ensina exatamente o contrário, dizendo que a matéria sutil do perispírito não possui a tenacidade, nem a rigidez da matéria compacta do corpo somático. Sendo, portanto, flexível e expansível, a forma que toma não é absoluta, amoldando-se à vontade do Espírito, que lhe pode dar a aparência que entenda. O envoltório extrafísico se dilata ou contrai, se transforma: presta-se a todas as metamorfoses de acordo com a vontade que sobre ele atua. ("O Livro dos Médiuns", pág. 73 - Edição FEB)

A mesma intensidade de pensamento que leva o indivíduo a buscar o rejuvenescimento na arena física pode agir de forma idêntica na intimidade perispiritual.

Em verdade, a vestimenta extrafísica do ser é resultante do que pensa e faz, segundo a força da sua vontade e consonante o grau evolutivo em que se encontra, como criatura imortal diante da Eternidade. Portanto, se a casca tomou-se jovem, o miolo pode acompanhar também o processo.

Na realidade, a jovialidade, qualquer que seja a idade cronológica, é atributo do Espírito.