quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Posturas Espíritas

Em razão da nossa educação basal, em razão do nosso nivelamento intelectual, das nossas crenças, nossas inclinações e outros tantos fatores que influenciam o nosso comportamento de ver e entender a doutrina espírita, nós adotamos determinadas posturas que não se coadunam com os ensinamentos kardecianos. Práticas estranhas adentram o Espiritismo e mister se torna que as evitemos.

De maneira geral, observamos em nosso movimento:

Espíritas Contemplativos:

São especiosos. Acham a doutrina uma maravilha! Fazem alarde do Espiritismo. Enchem-no de encômios, de adjetivos. Acrescentam informações inverídicas, porque o desconhecem. Eles têm uma inclinação para o fanatismo, porque não estudam o Espiritismo profundamente, apenas o contemplam. Fazem leituras superficiais e fantasiam coisas.

Espíritas Fenomenistas:

Estão sempre atrás de um fenômeno. Percorrem léguas e léguas atrás de médiuns de efeitos físicos. Mas são incapazes de permanecerem sentados alguns minutos para uma conferência espírita. Não têm embasamento doutrinário e por isso necessitam dos fenômenos para sentirem-se “motivados”. E quando o médium, por qualquer motivo, deixa o centro espírita a que está vinculado essas pessoas também o deixam. Mas, quando o médium retorna, lá estão essas pessoas nas primeiras fileiras. Choram, emocionam-se, mas não se dispõem a modificar o modus vivendi nem o modus operandi.

Esquecem-se que os fenômenos existem desde que o mundo é mundo. Moisés era capaz de realizar fenômenos incríveis, Jesus da mesma forma, Chico Xavier, José Arigó, Eusápia Paladino e tantos outros notáveis que vieram para alavancar o mundo. Mas os fenômenos passaram, seus exemplos e valores morais permaneceram.

Mas os fenomenistas não querem modificar-se. São alimentados tão somente pelos fenômenos. E por isso mesmo são vazios.

Espíritas Racionalistas:

São os espíritas que imaginam que a doutrina espírita é apenas um código de lógica e que por isso mesmo não pode ser outra coisa senão razão. Não se dão conta das dimensões sentimento, prática. Para eles não há lugar para o amor, para a fraternidade. Vão se tornando donos da verdade. Somente eles entendem Kardec, somente eles conseguem interpretar os livros da Codificação. Nos estudos sistematizados da doutrina espírita (ESDE) somente eles estão certos com suas visões e interpretações. Fazem-se pontífices! Criam suas próprias estruturas. Fundam os seus centros. E nada de sentimento, afinal de contas o espiritismo é razão. Esquecem-se da sua tríplice função (filosofia, religião, ciência). Esquecem-se que ao lado da razão é imprescindível o coração (o sentimento).

Espíritas Devocionistas:

São aqueles que trazem das crenças anteriores toda uma bagagem e querem injetá-la na doutrina espírita. Trazem a voz melosa, ritos estranhos... Têm uma capacidade enorme de imaginarem que os médiuns são semideuses. Santificam os médiuns. E se esses faltam às tarefas do centro, sentem-se sozinhos, desmotivados, incapazes, porque a “atividade só tem fundamento se fulano ou beltrano estiver aqui”. Reverenciam determinados médiuns, esquecidos de que todas as bajulações só tendem a comprometer o trabalho do medianeiro.

Assevera André Luiz que devemos nos “precaver contra as petições inadequadas junto à mediunidade (...), por nenhuma razão elogiar o medianeiro pelos resultados obtidos através dele, lembrando-se que é sempre possível agradecer sem lisonjear.” (Conduta Espírita)

Esses espíritas devocionistas penduram imagens de espíritos notáveis no centro e mantêm as antigas práticas. Bezerra de Menezes, Scheilla, Barsanulfo e tantos outros e, ao pé da imagem, deixam uma flor num pequeno jarro. Que diferença há entre esse comportamento e os de irmãos de outras religiões que cultuam suas imagens?

Ainda André Luiz adverte: “Desaprovar a conservação de retratos, quadros, legendas ou quaisquer objetos que possam ser tidos na conta de apetrechos para ritual, tão usados em diversos meios religiosos”.

Resguardar o Espiritismo dessas práticas (e tantas outras) é dever de todos nós. Não condizem com as posturas espíritas exaradas pelo ínclito Codificador.

O Consolador bate a porta da nossa razão e do nosso coração e todas essas práticas estranhas ao Ensino Redivivo devem ser evitadas.

Mais uma vez o nobre espírito André Luiz diz-nos: “A pureza da prática da Doutrina Espírita deve ser preservada a todo o custo.”