sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Que Diz Mahatma Gandhi Sobre o Esquecimento

Mário Boari Tamassia

No livro "Viva sem Morte", o autor Nils O. Jacobson, destacada figura da psiquiatria e parapsicologia, na Europa, ao fazer um balanço sobre a crença na Reencarnação, verifica que as maiores objeções apresentadas pelos seus correspondentes, se referem ao fato de que "não nos lembramos de quem fomos . E realmente os argumentos, às vezes até mesmo aguerridos dos que têm obrigação religiosa ou profissional de defender a tese anti-reencarnacionista, são sempre ligados ao fato de que estaríamos passando por agruras cujas causas desconhecemos e que, portanto, estaríamos sendo punidos, sem que nos dessem a conhecer as razões do procedimento de Deus-Juiz em relação a cada um de nós.

No entanto, encontro, de certo modo, no Mahatma Gandhi, uma proposta que seria válida a todas as questões que se levantam no tocante a este assunto. Em "Cartas a um Discípulo", ele diz: "Não conservar a memória das reencarnações anteriores é sinal da bondade da natureza para conosco. Que bem receberíamos por conhecer os particulares dos inúmeros nascimentos que já tivemos? Se fôssemos obrigados a suportar tão terrível carga de memória ao longo do nosso caminho, a vida se tornaria um fardo muito pesado".

O esquecimento, pois, de nossas vidas passadas não representa um mal, um procedimento draconiano do Governo Divino, mas, pelo contrário, a aplicação da mais profunda sabedoria. Conforme a alma se eleve e se desembarace do seu excessivo personalismo, então sim, ela poderá ter capacidade de num relance conhecer ou ter consciência de toda ou parte da vida pregressa: aqui foi potentado e com a riqueza abusou dos pobres e vilipendiou-lhes os lares, conspurcou-os, desta ou daquela maneira; ali adiante teve de se humilhar, experimentando a dura vida de servo de mau senhor. Num momento, quis enganar a vida, fugindo dela e se acomodando em atitude contemplativa monacal: noutra meteu-se atrás da fortuna, feito louco, perdendo totalmente o equilíbrio.

Como costumava nos dizer um Guia da nossa intimidade, sem que nisso pretendesse ser original: "Deus é aquele credor compassivo e Justo que não nos tira a responsabilidade para que não nos habituemos a ser marotos, mas, abre-nos novo crédito concedendo-nos novo nome, sobrenome, família, lugar, onde não nos conheçam e não nos cobrem coisa alguma. Pelo contrário, nesse novo estabelecimento concedido apresentamo-nos na abertura do negócio com cara de querubim".

O curioso é que em revistas, jornais, colunas católicas, os teólogos hábeis que dão respostas, batem na mesma tecla, a que alude Nils O. Jacobson, dizendo que "Deus seria cruel se nos desse vida de provação, sofrimentos indescritíveis, a loucura, a paralisia, o câncer, sem nos mostrar afinal qual teria sido a nossa dívida". No entanto, vejam só, acham natural, até mesmo bacana, na opinião do Cardeal Belarmino, que 99,99% dos filhos de Deus sejam mandados por Ele para o Inferno, onde arderão nas chamas do Fogo. não um espaço de tempo, mas por toda a Eternidade. Eternidade?