sábado, 7 de novembro de 2009

Mentes Superdotadas

Na grande e próspera Siracusa, antiga cidade grega na Sicília, o sábio Arquimedes cria bases de uma incrível revolução científica. Desenvolve a matemática e descobre como utilizar as leis da física em benefício da cidadania. Suas invenções de guerra protegem seu povo contra invasões das tropas inimigas.

O francês Blaise Pascal, cientista, escritor e filósofo, surpreende os homens de seu tempo ao construir a primeira calculadora mecânica e ao enxergar, no distante futuro, a revolução dos computadores.

Albert Einstein, famoso físico e matemático alemão, criador da teoria da relatividade, revolucionou o conhecimento científico no início do século vinte e era portador de uma inteligência extraordinária. Seu cérebro, conservado, é até hoje estudado pelos maiores nomes na área neurológica de nosso tempo.

O grande Mozart, aos dois anos de idade tocou violino, aos quatro escreveu sua primeira sonata e aos sete sua primeira ópera.

Para não citar casos mais recentes, como o coreano Kim Ong Dyongh, que segundo, Paulo Daltro de Oliveira, autor do livro "A Luz Dissipa as Trevas", em 1962, aos dois meses de idade começou a falar, aos quatro meses andou, aos sete escrevia, aos nove publicou um livro de poemas, aos seis anos ingressou na Universidade de Seul e aos dez anos recebeu o título de doutor "Honoris causa" em química e hoje, é um notável matemático especializado em cálculo diferencial e espacial.

Qual a causa de mentes tão privilegiadas, em detrimento de bilhões de outras que ante estes cérebros parecem pertencer a um mundo primitivo? Diriam uns que seriam o número de neurônios, mas a ciência nos mostra que temos todos cerca de 100 bilhões deles, inclusive os superdotados. A diferença de uma pessoa comum e outra superdotada, estaria não no número de neurônios, mas na capacidade e na complexidade das conexões cerebrais, chamadas "sinapses".

Sabemos que uma pessoa estimulada no desenvolvimento de sua inteligência, desde a infância apresenta melhores condições de raciocínio. O Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), estima que 1% da população escolar (algo em torno de 380.000 crianças), seriam superdotadas.

Em geral, apresentam dons específicos para matemática, música ou idiomas estrangeiros. A criança aprende rápido a ler, chama a atenção pela capacidade de argumentação, pela memória excepcional, pela atenção e pela curiosidade incomuns e raciocínio ágil, que são características marcantes destas mentes.

Diríamos então que Deus em sua infinita justiça teria errado ao produzir estes seres tão capacitados, impedindo a maioria de seus filhos possuir mentes evoluídas levando-se em conta a condição humana. Somente o Espiritismo poderia lançar luzes sobre esta questão.

Kardec, no livro "A Gênese", nos diz o seguinte sobre os homens de gênio: “...Pertencem, realmente, à Humanidade, uma vez que nascem, vivem e morrem como nós. Onde, pois, haurem esses conhecimentos que não puderam adquirir em sua vida? Dir-se-á, como os materialistas, que o acaso lhes deu a matéria cerebral em maior quantidade, e de melhor quantidade?...A única solução racional desse problema está na preexistência da alma e na pluralidade das existências. O homem de gênio é um espírito que viveu por mais tempo; que por conseqüência, mais adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos avançados. Em se encarnando traz o que sabe, e, como sabe muito mais do que os outros sem ter necessidade de aprender, é o que se chama um homem de gênio. Mas o que sabe não deixa de ser fruto de um trabalho anterior, e não o resultado de um privilégio...”.

Muitos poderão, a esta altura, estar perguntando-se sobre aquelas inteligências que acabam levando destruição e sofrimento à humanidade,e que nós conhecemos ao longo de nossa história. Gostaríamos de esclarecer que, pelo que entendemos, Kardec chama de "homem de gênio", aquele que, quando encarnado, é provido de facilidades no raciocínio, ou seja, o organismo não oferece tanta resistência às aptidões anteriores e que se volta para a descoberta de algo que faça avançar a humanidade.

Enfim, pelo que podemos deduzir, se somente no Brasil existem tantos espíritos com características de um superdotado, talvez um investimento maciço em educação, por parte de toda sociedade constituída, proporcionaria, ainda nesta encarnação, divisarmos o limiar do mundo de regeneração tão comentado por nós espíritas. Permitindo que mentes com experiências, se manifeste em nosso meio, estaríamos no mínimo mostrando a nós mesmos que estamos começando a descer do pedestal que montamos ao longo de nossa caminhada evolutiva, baseados sobre a areia do tempo.