quinta-feira, 3 de março de 2011

O Passe

Álvaro Vanucci

O Passe Espiritual constitui-se em uma prática importante no meio espírita, envolvendo o necessitado, o médium passista (medianeiro e co-participante do processo) e o(s) espírito(s) assessor(es). Basicamente, o passe envolve uma troca de fluidos (geralmente do médium e do plano espiritual para o enfermo), e não possui qualquer tipo de contra indicação, sendo sempre valioso nos diversos tipos de enfermidades e distúrbios, podendo ser aplicado em qualquer pessoa e de qualquer idade.

No entanto, todos nós sabemos que, para ser ministrado com a maior eficiência possível, alguns requisitos básicos devem ser satisfeitos. Do médium passista, requer-se hábitos sadios e atitudes cotidianas exemplares, baseadas na simplicidade, humildade e controle emocional. Do enfermo, que se coloque em posição mental de querer efetivamente receber a ajuda de que veio em busca - ".... foi tua fé que te salvou", como sempre dizia Jesus.

Mas as perguntas básicas que podemos formular são: Por quais mecanismos se processa o passe? Por quê a necessidade da oração durante o passe? É necessário o uso de gestos específicos ou vestimentas especiais para se ministrar o passe? Respostas a estas e outras perguntas do gênero, podem ser encontradas no livro de André Luís, "Mecanismos da Mediunidade", psicografado pelo Chico Xavier.

De acordo com André Luís, o cérebro pode ser considerado como potente emissor e receptor de ondas mentais, ao mesmo tempo. A frequência destas ondas mentais caracteriza o nível moral/espiritual de cada criatura e também se reflete na sua aura. Basicamente, a aura corresponde a correntes atômicas sutis do pensamento, que possui frequência e cor peculiares, e quanto mais nobres forem os ideais e mais correta a conduta moral, maior será a frequência das ondas emitidas.

De forma geral, para que haja a perfeita interação (e consequente troca de pensamentos, fluidos e energia) entre duas criaturas, é necessário que elas estejam "sintonizadas" uma com a outra, isto é, que seus estados íntimos, ao menos naquele instante, estejam vibrando na mesma faixa de frequência. Durante uma manifestação mediúnica qualquer da qual participa um mensageiro das altas esferas, por exemplo, ele irá se esforçar por diminuir o seu padrão vibratório ao mesmo tempo que solicitará ao médium um certo esforço no sentido de elevar sua freqüência mental intrínseca, o que será conseguido se ele se mantiver em concentração e em oração fervorosa. Se o médium possuir de fato o desejo de servir, então ele conseguirá, através da oração sincera, elevar seu padrão vibratório e o intercâmbio transcorrerá com facilidade e segurança. Caso o médium não realize este esforço, a comunicação torna-se tanto mais difícil quanto maior for o grau de desatenção do médium.

Nunca devemos nos esquecer que esta influenciação que recebemos das diversas entidades espirituais é sempre determinada pela configuração do padrão vibratório que dispomos no momento, reflexo imediato dos pensamentos e/ou sentimentos que nos assenhoram o íntimo. Considerando que chegam até nós tanto os pensamentos elevados (emitidos por espíritos protetores e mensageiros do bem) como também os pensamentos perniciosos (emitidos por entidades inconseqüentes e zombeteiras), passaremos naturalmente a "dar ouvidos" (sintonizar) àqueles que possuem a mesma frequência que os nossos. Daí a atração que se exerce sobre semelhantes. No fundo, nós é que escolhemos os espíritos que nos acompanham, segundo nosso modo de ser e pensar.

Desta forma, durante o passe espiritual, é fundamental que o médium se coloque em condições de sintonia perfeita com o(s) espírito(s) benfeitor(es) que o acompanha na tarefa. Além disto, o médium e sua equipe devem procurar meios de incentivar aquele que está recebendo o passe a elevar, por sua vez, sua própria condição vibratória, uma vez que processo de socorro pelo passe é tanto mais eficiente quanto maior for a sintonia e confiança daquele que lhe recolhe os benefícios. Por exemplo, se tiver sido recebido anteriormente com gestos de atenção e carinho, o enfermo tende a acolher as sugestões emitidas, passando a emitir pensamentos relacionados com o bem estar que procura. Durante o passe em si, o médium estará também projetando o seu próprio fluxo energético sobre a epífise do necessitado, provocando nele o estado de atenção. Suas palavras de consolo têm, então, forte poder indutivo sobre o enfermo, fazendo com que ele passe a emitir ondas mentais renovadas, de refazimento, e que passam a agir tanto quanto possível sobre as células do veículo fisiopsicossomático de forma restaurativa, inclusive as dos tecidos celulares afetados.

Como vemos, a eficácia do passe depende quase que exclusivamente de processos mentais que envolvem três partes: o espírito auxiliar, o médium e o enfermo. Se qualquer um deles jaz desatento ao trabalho, com a mente voltada para objetivos estranhos à tarefa em andamento, o intercâmbio de fluidos torna-se difícil, com resultados aquém do desejável.

Em decorrência desta análise, concluímos que a utilização de roupas específicas ou gesticulações padronizadas, são totalmente dispensáveis, já que são os sentimentos nobres e a vontade de servir que determinam o grau de sintonia com as esferas superiores e perfeito êxito da tarefa.