sábado, 30 de abril de 2011

A Força do Exemplo

José do Espírito Santo, modesto espírita de Nilópolis, Estado do Rio, falava à porta do centro, a pequeno grupo de amigos:

- Sim, meus irmãos, a caridade é a maior bênção.

Nisso, passavam dois estudantes, ouvem breves trechos da palestra e avançaram conversando:

- Você ouviu? Todo espírita é só “fachada”!

- Realmente. Fazem as coisas “para inglês ver”.

Logo depois, os rapazes deparam com infeliz mendigo. Pálido e doente. Sem paletó. Camisa em frangalhos. Pele à mostra.

A tiritar de frio, estende-lhes a mão magra.

Um dos estudantes dá-lhe alguns centavos.

Notam, então, que José do Espírito Santo vem vindo sozinho, pela rua. E um deles diz:

- Olhe! Lá vem o “tal”! Aposto que não dará nada a esse homem.

- Sim. Vamos ver. Afastemos um pouco, senão ele vai querer “fazer cartaz”.

Os dois jovens ficaram escondidos na esquina, um pouco adiante.

O pedinte roga auxílio.

José chega junto dele e o abraça, fraterno.

Em seguida, apalpa os bolsos e exclama:

- Infelizmente, meu amigo, estou sem um níquel...

Os jovens entreolham-se, rindo... Um deles recorda:

- Não lhe disse?...

O espírita condoeu-se, vendo a nudez do homem que tremia de frio. Deitou um olhar em torno para ver se estava sendo observado. Sentiu a rua deserta.

Num gesto espontâneo, tirou o paletó. Dependurou a peça num portão de residência próxima, arrancou a camisa felpuda e, seminu, vestiu-a no companheiro boquiaberto, mas encantado.

A seguir, após recobrir à pressa, o busto nu com o paletó, disse com simplicidade:

- Meu amigo, é só isso que tenho hoje. Volte aqui mesmo amanhã.

E estugou o passo para a frente, enquanto o necessitado sorria, feliz.

No outro dia, os dois estudantes estavam no templo espírita, ouvindo a pregação.

Waldo Vieira (médium)
Hilário Silva (espírito)