domingo, 17 de abril de 2011

Os Fluidos

(Queremos, antes de focalizar o assunto, lembrar que a maioria dos Espíritas pronuncia, erradamente, a palavra fluido, com acento agudo na letra i (fluído), quando a pronúncia correta é enfatizar a letra u (fluido). Por causa da dúvida, tivemos a oportunidade de ouvir a opinião de vários conhecedores de nossa língua e todos, unanimemente, condenam a pronúncia fluído. Os leitores que não aceitarem nossa opinião devem procurar abalizados conhecedores do português e verão que estamos com a razão.)

"Fluido - escreve-se sem acento agudo no u e no i."

A - CONCEITOS DE FLUIDOS

Dentro da Ciência oficial, usa-se o termo fluido para designar os líquidos e gases, ou seja, a fase não-sólida da matéria. Os povos de língua inglesa estão usando a palavra com sentido restritivo, isto é, fluido é sinônimo de líquido. Lamentavelmente, os brasileiros estão se adaptando a esse conceito não-aconselhável. Veja-se por exemplo: "Fluido para breque", em vez de "óleo para breque".

Além dos três estados da matéria - sólido, líquído e gasoso - o grande físico inglês William Crookes, que se tornou Espírita graças às materializações de Katie King, salientou a existência de um quarto estado da matéria: o estado radiante. Abrange todas as radíações ou emanações da matéria, como o raio X, as emanações do rádium (alfa, gama), os raios cósmicos etc.

Em Espiritismo, o conceito de fluido é bem mais amplo que o da Ciência oficial. Léon Denis afirma que a matéria, quando se rarefaz, fica invisível, imponderável, toma aspectos cada vez mais sutis, os quais chamamos fluidos.

À medida que se rarefaz, ganha novas propriedades, entre as quais uma irradiação progressivamente maior, tomando a forma de energia.

A Física moderna praticamente derrubou a separação rígida entre matéria e energia, considerando-as, substancialmente, a mesma coisa, em graus de concentração e estrutura diferentes.

André Luiz estuda, esparsamente, os fluidos, em vários de seus livros, principalmente no "Evolução em Dois Mundos", onde diz, no capitulo 13: "No plano espiritual, o homem desencarnado vai lidar mais diretamente com um fluido vivo e multiforme, estuante e inestancável. É absorvido pela mente humana, em processo semelhante ao da respiração, pelo qual a criatura assimila a força que emana do Criador."

B - FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL

"O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva, da qual as modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza ('A Gênese' - de Allan Kardec - Capo XIV - item 2). Como princípio elementar universal, ofereece dois estados distintos: o de eterização ou de imponderabilidade, que se pode considerar como o estado normal primitivo, e o de materialização ou de ponderabilidade.

O primeiro permite os fenômenos espirituais ou psíquicos; o segundo, os fenômenos materiais. Como a vida espiritual e a corporal estão em incessante contato, os fenômenos dessas duas ordens se apresentam freqüentemente ao mesmo tempo."

(Idem - item 5) "O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, do qual nada pode dar uma idéia; o ponto oposto é a sua transformação em matéria tangível. Entre os dois extremos, existem inúmeras transformações, que mais ou menos se aproximam de um ou de outro. Os fluidos mais próximos da materialidade e, por conseguinte, os menos puros, compõem aquilo que se pode chamar de "atmosfera espiritual terrestre".

André Luiz inicia o livro "Evolução em Dois Mundos" com o seguinte período: "O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador, ou força nervosa do Todo-Sábio. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano." Esse período precisa ser por nós demoradamente analisado. Em poucas linhas, encerra noções novas para os estudiosos, que nem sempre conseguem entendê-las em toda sua profundidade. A começar pelo conceito de plasma divino, que se aproxima bastante do novo conceito de plasma, em Física Quântica. Embora tenhamos recebido abalizadas explicações, por parte de um professor de Física de nosso grupo de estudos, ainda não temos a pretensão de pôr aqui o conceito físico de plasma. Queremos lembrar que este livro de André Luiz foi publicado em 1958, praticamente antecipando conceitos que, bem mais tarde, a Ciência iria comprovar.

A matéria sólida, segundo Kardec, não passa de um estado transitório do fluido universal. Quando as condições de coesão cessam de existir, a matéria se desagrega e volta a seu estado primitivo. A lei de analogia nos leva, diz Delanne, a admitir que, entre os gases e o estado radiante, existe matéria, em diferentes formas de rarefação, desde a mais grosseira, que se aproxima dos gases, até a mais pura, que se apresenta no estado radiante.

"O Perispírito ou corpo fluídico dos Espíritos é um dos produtos mais importantes do fluido cósmico. É uma condensação desse fluido em torno de um foco de Inteligência ou Espírito.

Os Espíritos extraem o seu Perispírito do ambiente em que se encontram, o que quer dizer que esse envoltório é formado dos fluidos ambientais.

A natureza do envoltório fluidico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito." ("A Gênese" - Cap. XIV - itens 7,8 e 9).

(Idem - item 10) "Conforme o Espírito seja mais ou menos purificado, seu Perispírito se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido próprio do mundo no qual ele se encarna. Produz o efeito de um reativo químico que atrai a ele as moléculas assimiláveis, segunda a sua natureza, ou seja, substâncias facilmente combináveis com o reativo.

Portanto, o envoltório perispiritual do mesmo Espírito se modifica conforme o progresso moral deste, em cada encarnação. Os Espíritos superiores, encarnando-se, excepcionalmente, em missão, num mundo inferior, têm um Perispírito menos grosseiro que o dos nativos desse mundo."

(Item 11) "O fluido etéreo é para as necessidades do Espírito o que a atmosfera é para as necessidades dos encarnados. Ora, da mesma forma que os peixes não podem viver no ar; que os animaís terrestres não podem viver numa atmosfera demais rarefeita para seus pulmões, os Espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a ação dos fluidos mais eterizados. Eles não morreriam ali, porque o Espírito não morre, mas uma força instintiva os manteria afastados, como nos afastamos de um fogo forte ou de uma luz muito brilhante.

Eis por que não podem sair do ambiente apropriado à sua natureza. Para mudá-lo, teriam, primeiramente, de se despojar de seus instintos materiais, que os retêm em seus ambientes grosseiros."

C - TIPOS DE FLUIDOS

Compulsando as literaturas Espírita e esotérica, encontramos uma miscelânea de conceitos, explicações e classificações.

Já que o próprio conceito de fluido varia de acordo com os vários autores e escolas, sua classificação paira num terreno nebuloso.

Em todo o caso, com objetivo apenas didático e procurando deixar de lado a exatidão dos conceitos à luz da Física moderna, podemos considerar três tipos de fluidos: os fluidos espirituais, os magnéticos e o fluido vital.

C.1 - FLUIDOS ESPIRITUAIS

Os fluidos espirituais formam o ambiente, a atmosfera em que agem os Espíritos. Extraem eles dos fluidos as substâncias que utilizam nos fenômenos especiais que desencadeiam, fenômenos esses que, obviamente, escapam à percepção humana.

Kardec lembra que "a qualificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, pois, no fundo, trata-se ainda de um tipo de matéria, embora muito rarefeita ou quintessenciada. Nada há de realmente espiritual senão a alma ou Princípio Inteligente. Eles são designados como fluidos espirituais por comparação e, sobretudo, em razão de sua afinidade com os Espiritos. Pode-se dizer que são a matéria do mundo espiritual." ("A Gênese" - Cap. 14 - item 5.)

Mesmo a nossa matéria densa não é tão compacta como parece, pois é atravessada pelos fluidos espirituais e pelos Espiritos, aos quais ela não opõe maior obstáculo do que os corpos transparentes em relação à luz. A própria matéria sólida apresenta grandes vazios: os espaços intermoleculares, interatômicos e intra-atômicos.

Quem sabe se, ainda no estado em que é perceptível aos nossos sentidos, não será a matéria capaz de adquirir uma espécie de eterização que lhe confira propriedades particulares? Quando Kardec faz essa pergunta, mal sabe ele que se está antecipando em um século aos conhecimentos atuais da radioatividade. Hoje é conhecimento elementar sobre os corpos radioativos que eles emitem radiações e vão perdendo substância até desaparecerem.

O rádio, o cobalto, o tório, o césio emitem radiações, muitas delas usadas em medicina (cobaltoterapia, radioterapia), para combate às doenças e também na química mais refinada. Enfim, resumidamente, podemos afirmar que a matéria se transforma em energia. Mas isso se dá lentamente na natureza: um grama de rádio leva alguns milhares de anos para se transformar, totalmente, em radiações e desaparecer como substância material. Na bomba atômica há uma transformação súbita, pelo bombardeio dos átomos de urânio, com liberação fantástica de energia, capaz de destruir cidades.

"Os Espíritos agem sobre os fluidos espirituais, não que os manipulem como os homens manipulam os gases, mas com o auxílio do pensamento e da vontade. O pensamento e a vontade são, para os Espíritos, o que a mão é para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem a tais fluidos esta ou aquela direção. Eles os aglomeram, os combinam ou os dispersam. Formam, com esses materiais, conjuntos que tenham uma aparência, uma forma, uma cor determinadas. Mudam suas propriedades como um químico altera as propriedades dos gases ou de outros corpos, combinando-os, segundo determinadas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual." ("A Gênese" - Cap. XIV - item 14.)

É assim, por exemplo, que um Espírito se apresenta perante um vidente, sob as aparências que tinha, quando vivia na época em que se conheceram, mesmo que isso se dê depois de diversas encarnações. Apresenta-se com as roupas, os sinais exteriores e cicatrizes, barba, membros amputados, que tinha então. Seu Perispírito toma, instantaneamente, aquela forma, que desaparece, quando o pensamento cessa de agir. Se, pois, ele foi uma vez negro e outra vez branco, apresentar-se-á como negro ou branco, segundo a encarnação que estará sendo relembrada e à qual reportará seu pensamento.

Este assunto deverá ser muito bem analisado, quando nos defrontarmos, em nossa prática mediúnica, com as comunicações dos índios e "pretos velhos". O Espírito evoluído, espiritualmente, poderá apresentar-se ao médium vidente com o aspecto de um negro, referente a duas ou três encarnações passadas, desde que deseje impressioná-lo, bem como aos componentes da sessão.

Para tal, deve contar com a anuência e o auxílio dos mentores espirituais, que negarão seu apoio, quando se tratar de mera curiosidade ou de fanatismo. De qualquer forma, o que não se pode é erigir tabus e adorações em torno das comunicações dos pretos velhos.

O pensamento pode modificar as qualidades dos fluidos, impregnando-as das vibrações boas ou más, provindas daqueles que as estão emitindo. Os maus pensamentos deterioram os fluidos espirituais. Os fluidos projetados pelos maus Espíritos são, por isso, viciados, enquanto os bons emitem fluidos salutares.

Como os fluidos ambientais são modificados pela projeção dos pensamentos dos Espíritos encarnados e desencarnados, os Perispíritos dos vivos podem receber tais fluidos e se impregnar deles, sejam bons ou maus. Os emitidos pelos obsessores podem ser eliminados, em trabalhos especiais, mas o Perispírito do obsessor continuará de baixo padrão vibratório, enquanto este Espírito não se regenerar, não se esclarecer.

Kardec lembra, ainda, que o Perispírito dos encarnados é de natureza idêntica à dos fluidos espirituais e, por isso, os assimila com facilidade, como a esponja se embebe de líquido. Tais fluidos agem sobre o Perispírito, e este, por sua vez, reage sobre o organismo corporal, com o qual está em íntimo contato, como vimos no capítulo sobre Perispírito. Se os fluidos forem de boa qualidade, o corpo recebe uma impressão agradável. Se forem maus, a impressão é desagradável, penosa. Tais fluidos, se tiverem ação persistente, poderão levar a desequilíbrios psíquicos ou desordens orgânicas. E Kardec chega a dizer que certas moléstias não têm outra causa.

C.2 - FLUIDOS MAGNÉTICOS

Não querendo entrar em detalhes sobre o histórico do magnetismo, queremos lembrar que foi Mesmer, médico austríaco, nascido a 25/05/1734, quem vulgarizou a teoria do magnetismo animal. Admitia, de início, a existência de um fluido capaz de ser captado e acumulado por corpos metálicos especiais, o qual poderia ser usado no tratamento de doenças físicas e mentais. Posteriormente, passou a admitir o magnetismo humano, em que os fluidos magnéticos poderiam ser transmitidos de uma pessoa a outra. Conseguiu muitas curas, consideradas por seus contemporâneos como falsas curas magnéticas, pois seriam devidas à sugestão.

O fluido magnético continuou não sendo aceito pelos pesquisadores, e a prática foi substituída pela hipnose, hoje aceita pela Ciência. Braid afirmava que não há qualquer fundamento no mecanismo magnético. Todavia, essa postura não impediu que numerosos outros pesquisadores continuassem praticando o magnetismo, como Puységur, Ou Potet, Champignon e outros. Eles achavam que o fluido magnético formaria, em torno do corpo humano, uma espécie de aura, ou atmosfera, a qual poderia ser impulsionada pela vontade do magnetizador e, assim, agiria sobre as pessoas. O fluido magnético estaria, ainda, sujeito às leis de atração e repulsão.

Michaelus, outro magnetizador ilustre, dizia que o desequilíbrio dos fluidos magnéticos que impregnam os órgãos leva a distúrbios na sua função, caracterizando a doença. Sempre que o normal equilibrio é rompido, dizia ele, por excessiva condensação dos fluidos ou por sua dispersão, é necessário restabelecer esse equilíbrio advindo a cura.

O Espiritismo voltou a valorizar as idéias dos antigos magnetizadores, mas deu-lhes uma conceituação um pouco diferente, limitando o papel do magnetismo, face à importância da intervenção do mundo espiritual.

André Luiz diz que todas as agregações celulares emitem radiações, que se articulam através de sinergias funcionais. Todos os seres vivos, dos rudimentares aos complexos, se revestem de um "halo energético", que lhes corresponde a natureza.

No livro "A Gênese", de Allan Kardec, encontramos no item 33, do Capítulo XIV, úteis esclarecimentos.

"A ação magnética pode produzir-se por diversas maneiras:

1ª) Pelo próprio fluido do magnetizador - é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, cuja ação é subordinada à potência e, sobretudo, à qualidade do fluido.

2ª) Pelo fluido dos Espíritos que atuam diretamente e sem intermediário sobre um encarnado; seja para curar ou acalmar um sofrimento; seja para provocar o sono sonambúlico espontâneo; seja para exercer sobre o indivíduo uma influência física ou moral qualquer. É o magnetismo espiritual.

3ª) Pelo fluido que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, servindo este de condutor. É o magnetismo misto, semi-espiritual, ou, se assim o quisermos, humano-espiritual. O fluido espiritual, combinado com o fluido humano, dá a este último as qualidades que lhe faltam."

C.3 - FLUIDO VITAL

Antes de mais nada, devemos tomar cuidado, para não confundirmos fluido vital com Perispírito. Os seres inorgânicos, ensina a Codificação, não possuem vida nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria. Como exemplos, temos todos os minerais: o ar, a água etc. A lei da atração é a mesma, tanto nos corpos orgânicos como nos inorgânicos. A matéria de ambos é a mesma, porém, nos corpos orgânicos, ela é "animalizada", por sua união com o princípio vital.

"A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria, sem ele, não terá vida. Ele dá vida a todos os seres que o absorvem, que o assimilam." ("O Livro dos Espíritos" - Livro Primeiro - item 63.) "O princípio vital apresenta modificações conforme as espécies animais e vegetais. É ele que lhes dá movimento e atividade e as distingue da matéria inerte. O movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz." ("O Livro dos Espíritos" - item 66). Como vemos, a explicação da vida, pela Codificação, é clara, cristalina: os minerais não têm vida, sendo utilizados como matéria manipulável pelos vegetais e animais. Só estes dois podemos dizer que têm vida. Entretanto, as correntes orientais infiltradas no Espiritismo dizem que tudo tem vida, os minerais, inclusive, trazendo, com isso, muita confusão. Mas os astros não se estão movimentando perenemente, dizem eles? As moléculas não apresentam movimentos, bem como as estruturas intra-atômicas? Tudo isto não atesta a vida dos minerais? Respondemos enfaticamente: Não! Não podemos confundir movimentos dos corpos com vida. Se formos apegar-nos a esse sofisma, diríamos que os relógios têm vida, porque suas delicadas peças se estão movimentando.

Os órgãos estão impregnados de fluido vital. É ele que permite aos órgãos do corpo humano funcionarem normalmente, mas é necessário que as células e os tecidos que os formam tenham condições biológicas e fisiológicas de funcionamento. Quando uma doença grave destrói a integridade do corpo físico, estando os elementos essenciais para o funcionamento dos órgãos destruídos ou profundamente alterados, o fluido vital não tem mais condições de ação, e o indivíduo morre. Segundo a concepção Espírita, a pessoa morre, não porque o fluido vital abandonou os tecidos, e as células, a seguir, morreram, mas morre, porque as lesões celulares foram tão profundas que o fluido vital não poderia mais agir.

O fluido vital se consome e é renovado permanentemente. Não há possibilidade de ser absorvido através dos poros da pele, como ensinam, de maneira infantil, certos livros ditos Espíritas. A única função dos poros é excretar o suor, que contém água, sal e uréia, numa função complementar à dos rins. Só excretam; não absorvem nada.

O fluido vital pode ser transmitido de uma pessoa a outra, e é isso que acontece nos passes. Quando a pessoa morre, o Espírito, com seu Perispírito, se liberta e vai para outras regiões do espaço. A matéria inerte vai para o solo, onde sofre transformações, reintegrando-se em novos corpos, a principio vital retorna à massa fluiidica do Universo.

A vontade é uma força importante, e é por meio dela que os Espíritos agem sobre os fluidos, manipulando-os. Mas, para formar a materialização visível e palpável das sessões Espíritas, eles preecisam de um agente especíal, que é o fluido vital. É encontrado esse fluido no organismo humano; daí, a necessidade da presença de um médium nas sessões de materializações.

Começamos este item lembrando que não devemos confundir fluido vital com Perispírito. Agora, podemos entender a razão, o períspírito é um fluido mais sutil, intimamente ligado ao Espírito, acompanhando-o durante os processos de desdobramento, e vai com ele, após a morte do corpo físico, o fluido vital, pelo contrário, é um elemento que apenas vivifica a matéria, mas não tem individualidade, nem independência. É absorvido do fluido universal, em parcelas e momentos variáveis, e a ele volta após ter exercido seu papel.

E o Espírito, será uma outra forma de matéria ainda mais sutil? Como nossa mente só consegue raciocinar em termos físicos, não podemos conceber o que seja, na sua intimidade, o Espírito. Sabemos que não é constituído, nem de matéria, nem de energia. Mas o que será, então?

"Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos pelo nome de matéria. Não podemos defini-los, a não ser por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação. Imaterial não é termo apropriado; incorpóreo seria mais exato, pois, sendo uma criação, o Espírito deve ser alguma coisa." ("O Livro dos Espíritos" - Livro Segundo - Cap. 1° - item 82.)
Ary Lex