segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Entrevista com Raul Texeira

A Chance de Cooperar com Deus: Em entrevista, o orador e médium José Raul Teixeira relata como chegou ao Espiritismo e comenta a finalidade do centro Espírita e a evolução do Movimento Espírita.
P: – Como você tornou-se espírita?R: – A partir do convite de um querido amigo, José Luiz Vilaça, colega de escola, a quem relatei acontecimentos que comigo se davam, envolvendo a visão e a audição de seres espirituais, os quais o meu orientador religioso à época, afirmava serem “demônios”, aceitei o convite do amigo, após grande relutância, porque nunca ouvira nada a respeito do Espiritismo, e isso me amedrontava.
P: – Qual a sua relação com o movimento de Mocidades Espíritas?R: – Bem, o convite feito por meu amigo Vilaça era para que eu visitasse a Mocidade Espírita a qual freqüentava, pois, quando ouviu meus relatos sobre aparições espirituais, disse-me que no grupo de jovens espíritas do qual participava tal questão era conhecida como mediunidade. Quem sabe ali eu encontraria resposta para os fenômenos?
Desde aquele dia 8 de abril de 1967, que assinalou a minha primeira visita a um Centro Espírita, tornei-me membro ativo da Mocidade Espírita Ranulpho Xavier, do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque, em Niterói (RJ), minha cidade natal. Mais tarde, a Mocidade passou a ser designada tão-somente como Mocidade do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque. Nos estudos e trabalhos desenvolvidos, então, nessa Instituição, fui convidado a lecionar para grupos de crianças quanto de jovens, o que se delongou por vários anos, ensejando-me profundas alegrias e grandes aprendizados da formosa Doutrina Espírita.
Dessa forma, sempre estive vinculado ao trabalho com jovens espíritas, participando de inúmeras confraternizações no Estado do Rio de Janeiro como em outros Estados brasileiros, trocando experiências e aprendendo sempre, apaixonando-me sempre mais pelo pensamento espírita, por sua lucidez e inquebrantável lógica.
P: – O que teria a relatar sobre sua vivência como conferencista, visitando todas as regiões do país?R: – Considero que é uma das mais expressivas experiências de minha vida, uma vez que jamais pudera supor que um dia viesse a tornar-me pregador, dado ao meu temperamento tímido até o período da adolescência, exatamente quando conheci o Espiritismo.
Quando da minha primeira visita a um Centro Espírita, a professora, talvez por observar-me a timidez, pediu-me que dissesse algo sobre o tema que estava sendo tratado pelos jovens – Moisés: a primeira revelação – e senti algo extraordinário: o peito pareceu-me intumescido e a língua parecia ter crescido. Sem qualquer raciocínio, falei sobre Moisés durante 20 minutos, tocado por forte emoção, e, como se desligasse uma “chave”, parei de falar, restando-me demorada taquicardia. Aí tudo começou no meu contato com o Espiritismo.
A partir dos comentários doutrinários realizados em nossa Instituição, dos pequenos estudos desenvolvidos na Escola Paulo de Tarso, mantida pelo Grupo Leôncio, numa instituição penal de nossa cidade, fui sendo convidado para pregar em outros Centros da cidade. Após, comecei a pregar na cidade do Rio de Janeiro. Alguém que me conheceu nesses labores foi-me convidando para visitar Minas Gerais, São Paulo, e, quando me vi, estava visitando o país inteiro. A minha família se ampliara, o tempo se fizera mais apertado, pois tinha que saber bem distribuí-lo entre a faculdade, a vida profissional, a família e as atividades espíritas.
Até hoje, cada vez que me levanto para falar da nossa Doutrina Espírita, onde quer que seja, sou tomado pela mesma emoção, pelo mesmo entusiasmo da primeira hora, imensamente honrado pela oportunidade que Jesus-Cristo me oferece de trabalho no bem.
P: – E sobre as visitas ao Exterior?R: – Imagino que não estivessem nos planos da minha presente reencarnação as viagens ao Exterior. Curioso é que foram surgindo convites, e elas foram sendo incrementadas, após um grave acidente automobilístico do qual os Benfeitores retiraram-me ileso e afirmaram que eu recebera uma significativa “moratória”, um tempo a mais para aprender e servir. Hoje, com 38 países visitados, identifico naqueles que estão lutando por apresentar e disseminar o pensamento espírita, com devotamento e seriedade, a extensão da nossa família espírita brasileira, ou melhor, a ampliação da nossa família espírita mundo afora.
P: – Você tem responsabilidades cotidianas em alguma Instituição Espírita?R: – Sim, tenho. Sou fundador e atual presidente da Sociedade Espírita Fraternidade, em Niterói, onde temos as várias atividades espíritas de domingo a sábado. A SEF tem seu braço assistencial, que chamamos Remanso Fraterno, onde nos ocupamos em atender com escolaridade, saúde física, odontológica e psicológica, alimentação, etc., a uma comunidade de quase oito centenas de pessoas, distribuídas entre crianças, adolescentes e seus pais ou responsáveis.
P: – Como conceitua o objetivo do Centro Espírita?R: – O Centro Espírita deverá propor-se ensejar aos seus freqüentadores o estudo da Doutrina Espírita, na condição de Escola das almas, ou, como bem posicionou Bezerra de Menezes, através da mediunidade de Chico Xavier, “o Centro Espírita é a universidade do Espírito”. No seu bojo, igualmente, aprendemos a conviver na sociedade dos confrades, verdadeiro laboratório, onde mil e uma experiências são vivenciadas, amadurecendo-nos para os objetivos mais altos de Jesus para as nossas vidas.
P: – Qual a sua opinião sobre a evolução do Movimento Espírita nas últimas décadas?R: – É com alegria que acompanho o gradual crescimento numérico do nosso Movimento Espírita, muito embora tenha que admitir a necessidade de um incremento qualitativo, ou seja, maior engajamento dos que buscam os benefícios propiciados pelo Espiritismo, seja aprofundando seu conhecimento, a fim de que a vida terrena seja vista com maior clareza e responsabilidade, seja no esforço por vivenciar seus ensinamentos excelentes.
P: – Teria uma mensagem ao leitor de Reformador?R: – Importante reafirmar nossos compromissos com o Cristo, quando retornamos à Terra sob o Seu amparo, guardando a certeza de que esse é um tempo muito especial, considerando a confiança que o nosso Modelo e Guia deposita em nossas possibilidades, sem que haja nenhum prurido messianista de nossa parte. Importante fazer do pensamento luminoso do Espiritismo a nossa filosofia de vida. Importante imprimir maior qualidade aos nossos labores pela Causa, convictos de que estamos sendo agraciados com a grande chance de cooperar com Deus nesse momento complexo do progresso humano.
Assim, quero abraçar os irmãos leitores de Reformador, com especial carinho, agradecido pelas orações, e pela acolhida afetiva que venho recebendo em todos os lugares que tenho tido a honra de visitar a serviço do Espiritismo.