segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fascinação Amorosa- Richard Simonetti

Só pensava nela.
Cérebro em circuito fechado.
A jovem namorada, de estonteante beleza, ocupava-lhe todos os espaços mentais.
Última lembrança ao dormir.
A primeira, ao despertar.
Levantava-se com ela, passava o dia pensando nela, por ela suspirava...
Em seus devaneios imaginava-se a retê-la em seus braços, aspirando seu perfume, cobrindo-a de carícias, fundindo-se ambos em ardentes abraços.
Às vezes desligava-se.
Eram momentos fugidios, como breves intervalos separando músicas num disco.
Logo recuperava-lhe a imagem, assustado como quem houvesse sofrido a perda da respiração por momentos.
Contava os dias e as horas que os separavam. A seu lado pedia a Deus que parasse o relógio do tempo, a fim de que pudesse desfrutar indefinidamente a ventura de sua presença.
Sempre acontecia o inverso:
Juntos, as horas ganhavam asas.
Separados, fluíam com a lentidão das tartarugas.
***
Com incontáveis variações, encontramos na literatura universal envolvimentos passionais semelhantes.
Um paraíso, quando tudo corre bem.
Um inferno, se surgem problemas.
Semelhantes experiências situam-se nos domínios da fascinação quando, a partir da atração física, instala-se o desejo irrefreável de comunhão carnal, em paroxismos passionais. George Bernard Shaw, teatrólogo inglês, dizia, referindo-se ao casamento, que um dos paradoxos- da sociedade humana é que pessoas apaixonadas são obrigadas a jurar que continuarão naquele estado excitado, anormal e tresloucado até que a morte as separe.
Muitas uniões efêmeras ocorrem a partir de envolvimentos passionais, principalmente entre jovens, empolgados por recíproca fascinação, quando se rendem ao domínio dos hormônios.
Justamente por inspirar-se nos instintos, a fascinação amorosa é a mais freqüente, responsável por casamentos precipitados, adultérios, separações, crimes e tragédias sem fim.
Proclama a sabedoria popular que a paixão é cega, o que exprime uma realidade. Paixão e bom senso raramente seguem juntos.
Por isso os Espíritos obsessores estimam envolver as pessoas passionais, torturando-as com anseios amorosos irrealizáveis ou usando-as para exercer sua ação nefasta, criando estranhas e perigosas situações.