segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Evangelização Infantil e Mocidades- Raul Teixeira

“O Consolador” - Há um descompasso da época em que vivemos com relação à educação dos filhos. Os tempos diferentes da atualidade, diretamente afetados pela velocidade da comunicação virtual, trouxeram uma realidade difícil e complexa para pais e educadores, o que também afetou o movimento espírita, antes bem mais dedicado à evangelização infantil e às atividades da mocidade espírita. Como vencer o desinteresse de dirigentes espíritas quanto à importância da atenção a jovens e crianças em nossas instituições? JRT - Em realidade, toda a nossa vida está pautada em algo que chamamos escala de valores. Cada indivíduo, assim, tem valores distintos dos outros. Para quem tem a educação dos filhos como algo importante, apesar dos tempos difíceis e dos desafios vividos, têm-nos juntos dos seus corações, amigos, companheiros, apesar de ter cada qual sua personalidade, seu temperamento, suas idiossincrasias. Para quem pensa primeiro nos recursos financeiros, nas aparências sociais, sem clara noção de que seus filhos são espíritos e que lhes não pertencem como objetos, com certeza encontrarão todos os impedimentos provocados pelas mídias, pelos companheiros dos filhos, e por tudo mais que teime em intervir no relacionamento doméstico. Vivendo no mesmo mundo midiático que todos nós, atravessando as horas de aperto e violência como nós, bem como enfrentando as mesmas exigências econômicas, vemos irmãos de outras crenças bem junto aos seus familiares, indo as suas igrejas em conjunto, orando e vivendo. Por que somente os espíritas não conseguiremos trazer os filhos, educá-los conforme manda o figurino e fazê-los pessoas de bem? Alguma coisa está errada e, com certeza, não é com o Espiritismo, mas, sim, com as nossas escalas de valores. Quanto aos centros espíritas e seus serviços de evangelização de crianças e de jovens, cabe-nos avaliar a sua qualidade, pois nessa época referida de comunicação virtual, de internets, de blogs e de tudo o mais, não se admite que as nossas “aulinhas” ainda sejam dadas à base de historinhas contadas oralmente ─ nem sempre há bons contadores de histórias nas casas espíritas o que torna enfadonha a exposição ─ e pelos quadros de giz, sem que os jovenzinhos participem, façam, busquem, investiguem, cantem ou “naveguem na rede”. É incontestável que nem todos os centros espíritas dispõem de recursos materiais para oferecerem aos evangelizandos o que há de mais moderno em termos didáticos-pedagógicos. Assim, deveremos investir na melhor qualificação dos nossos evangelizadores para que consigam cativar da garotada, desde a simpatia com que a receba até o modo como lhe serão apresentados os assuntos. Olhando por outro prisma, não há como imaginar que filhos gostem de ir ao centro espírita para receber as instruções espíritas, sendo que seus genitores não vão, não se dedicam e, quando em casa, têm uma vida relacional bastante sofrível com a família. É, de fato, o exemplo que costuma arrastar. “O Consolador” - Considerando que o Espiritismo é uma religião eminentemente educadora e que o Espírito reencarna para aperfeiçoar-se, você não acha que as atividades que visam à evangelização da criança têm deixado de receber o apoio na proporção da importância da tarefa? Por que não há um incentivo maior, da parte dos Espíritos, no sentido de chamar a atenção dos dirigentes de entidades espíritas para a evangelização infantil, a fim de que apóiem esse trabalho? JRT - Sim, quase sempre encontramos pouca atenção por parte de muitos dirigentes espíritas para com a evangelização infanto-juvenil. Vale a pena enfatizar a questão das escalas de valores que têm os indivíduos e, em função deles, as instituições ou setores de atividades que eles dirigem. Tais escalas estabelecem o que poderemos chamar de missão da instituição. Enquanto o objetivo dos espíritas não corresponder aos objetivos do Espiritismo, essas atividades não terão bom desenvolvimento. Muitos dirigentes dão grandíssimo valor às sessões mediúnicas (há centros que se orgulham de terem dezenas delas, em dias variados da semana), outros se esmeram nas atividades sociais junto aos pobres e estropiados, possivelmente porque não vejam sentido na orientação dos que estão recomeçando as próprias experiências no planeta. A muita gente passa despercebido o fato de que as entidades atendidas nas sessões mediúnicas, como sofredoras ou como obsessoras, ou muitas daquelas que comparecem repletas de necessidades de toda a ordem, são exatamente aquelas às quais não se oportunizou a orientação para a vida, as instruções espirituais ou a evangelização, se quisermos tratar assim. Não vale a pena, então, deixarmos as crianças e os jovens ao abandono das preciosas lições de renovação espiritual, a fim de que, no futuro, não se tenham muitas almas a serem atendidas nas sessões mediúnicas ou nos trabalhos de assistência material. Parece-me um contrassenso ver confrades espíritas que não valorizam esses labores espirituais profiláticos. De parte dos Espíritos, não têm eles mais como tentar despertar os encarnados das suas ilusões ou da sua letargia. Há anos, o Espírito Estevão, Guia Espiritual do saudoso médium capixaba Júlio Cezar Grandi Ribeiro, escreveu numa mensagem uma frase que a Federação Espírita Brasileira tomou como slogan para as suas campanhas evangelizadoras: A criança e jovem reclamam orientação no bem. Evangelize, coopere com Jesus. Temos recebido incontáveis instruções do Mundo Espiritual enfatizando a grandeza da evangelização ou espiritização da criança e do jovem, seja nos textos de Emmanuel, de Joanna de Ângelis, de Estevão, de Camilo e de tantos outros Benfeitores que luxuriam esse escrínio de luz das orientações imortais que nos chegam na Terra. Cabe aos espíritas estarmos atentos para as mesmas, refletir a respeito delas e as colocarmos na pauta das nossas ocupações e serviços na Seara.