terça-feira, 15 de setembro de 2009

Gêmeos Siameses e o Espiritismo



Muito se tem falado a respeito de gêmeos siameses no nosso Estado e várias pessoas inclusive colegas médicos sempre me indagam a respeito desse assunto.
Devido a importância dessa patologia e a grande repercussão que ocorre na sociedade em geral, tenho observado que, com uma certa freqüência, políticos influentes no cenário nacional têm utilizado esse termo, alguns citam, por exemplo, amigos e até adversários de partidos como sendo irmãos siameses e que não podem e não devem ser separados nem no Brasil e nem em Goiás, como recentemente esse comentário foi destaque em um jornal local.
Alguns jornalistas também que fazem cobertura na área política fazem as mesmas citações na imprensa .

Não sou espírita e nenhum “expert” nesta área, mas, como ser humano, tento entender o que levaria a união de dois seres vivos que às vezes transcendem o conhecimento médico e científico e passam a ser regidos pelo desígnio de Deus e do Universo.
Qual a razão desta existência, pois alguns estão condenados a permanecerem unidos para sempre, pela vida e pela morte.
Nestes últimos dias, passei a estudar e pesquisar ainda mais nos livros textos religiosos e encontrei uma explicação plausível do ponto de vista espiritual.
Como se explicaria, por exemplo, esses dois irmãos que estão unidos sem a menor chance de separação sem comprometer a vida um do outro e nunca conseguem se olhar de frente?
Reba e Lori são os gêmeos unidos pela cabeça, nasceram em 1961 na Pensilvânia, EUA, dividem o cérebro em 30% e não têm a visão do olho esquerdo.
Reba tem espinha bífida e não apresenta movimentos nas pernas, sendo transportada pelo irmão em um aparelho com rodas.

Sempre olham em direções opostas e não conseguem enxergar a face do outro a não ser com a ajuda de um espelho, o mesmo recurso utilizam para assistir televisão.
Mas o que são gêmeos siameses?
Siameses, na realidade, é um nome genérico que se originou de um país denominado Sião, onde os primeiros gêmeos unidos (Chang e Eng’s) foram relatados e passaram a ser conhecidos mundialmente, isso em 1811; atualmente, este país é a Tailândia. Como não conseguiam trabalho, passaram a ter uma atividade circense, onde se exibiram e se apresentavam como gêmeos do Sião, ou seja, siameses.
Ficaram famosos e ricos, se tornaram fazendeiros, casaram, construíram duas residências e a cada semana dormiam em uma delas com as suas respectivas esposas, tiveram 22 filhos normais (12 de Eng’s e 10 de Chang), vários netos e uma sobrevida alta, considerando os padrões da época, e vieram a falecer em 1874, aos 63 anos de idade. Chang contraiu pneumonia e morreu e logo a seguir, após 3 horas, Eng’s também morreu.

Na realidade, o termo médico correto é denominado gêmeos conjugados e essa anomalia genética se dá por volta do 13º dia da fecundação, onde o óvulo passa a não se dividir e, dependendo da região em que esse processo ocorra, existe a união do organismo; por exemplo, se for na cabeça, passam a ser chamados de craniopagus, se for no tórax, seriam toracópagus; no apêndice xifóide, são os xifópagus, no umbigo, temos os onfalópagus; na bacia, ischiopagus, etc.
As causas ainda não estão definidas, mas as hipóteses principais são os fatores genéticos e teratogênicos (produtos que causam má-formações), ou seja drogas; quem não se lembra da talidomida?
Os fatores ambientais na atualidade são considerados os principais causadores das alterações genéticas, bem como a desnutrição materna.

Em alguns países como a Índia, esses bebês são adorados como deuses, pois os indianos acreditam que sejam reencarnação de uma deusa hindu, recentemente nasceu uma menina com quatro pernas e quatro braços e foi operada com sucesso.
Em Bangladesh na Ásia, uma outra criança nasceu com duas cabeças e causou uma comoção naquele país e por causa disso, juntamente com os seus pais, tiveram que permanecer no hospital sob escolta policial, pois uma multidão de mais de 150 mil pessoas queriam vê-la de perto.
Recentemente, recebi uma mensagem de que havia nascido uma outra criança, também na Índia, com uma má-formação muito complexa .

É um caso de duplicação da cabeça e da face, apresenta quatro olhos, dois narizes, duas bocas e lábios normais com dois rostos um do lado do outro; o bebê nasceu muito saúdavel, com bom peso, respirando normalmente, e consegue se alimentar por qualquer uma das bocas.
Vivendo em um vilarejo, ela se transformou em uma verdadeira celebridade, onde as pessoas fazem reverência, pois acreditam que ela possui poderes especiais e falam em até construir um templo no local.

Pelas minhas pesquisas em termos de religião, apenas o Espiritismo e o Hinduísmo têm explicações sobre essas má-formações.
Os hindus acreditam na reencarnação de um Deus.
Os espíritas explicam que são espíritos que se odeiam ou se amam patologicamente, gerando um fluxo de energia que se funde reciprocamente.
O Livro dos Espíritos diz que os gêmeos siameses são espíritos muito afins ou simpáticos ou contrariamente pode ser uma reaproximação entre espíritos muito antagônicos entre si.
Concluindo naturalmente que são reencarnações expiatórias, de aversões e ódios seculares.
Entende-se se tratar provavelmente de dois espíritos ligados por ódio extremo, talvez de muitas reencarnações, e que renasçam nestas condições não por livre escolha ou punição divina, mas por uma espécie de determinismo originado na própria lei da causa e do efeito.
São impelidos por uma irresistível atração de ódio e desejo de vingança, buscam-se sempre e acabam se reencontrando por vezes em situações dramáticas, que os obrigam a partilhar o próprio sangue, as funções vitais e o próprio ar que respiram.
Essa convivência que poderá ser longa ou curta estabelecerá laços de parceria e apoio, despertando os sentimentos de amizade, de respeito mútuo, e com isso se inicia uma reconciliação pelo perdão.

Algumas outras razões possíveis falam em casos que são espíritos que levaram a simbiose psíquica às últimas conseqüências, reparando agora, na própria carne, a patologia da função egoística.
São aqueles espíritos que não têm senso de limite e que invadem patologicamente os limites e direitos naturais do próximo; como exemplo, são citados os psicopatas insensíveis destituídos de qualquer princípio de valor.
Cada espírito tem o destino de que necessita, pois não é outra a finalidade da reencarnação senão aperfeiçoamento espiritual na sua própria evolução.


Zacharias Calil é médico e cirurgião pediátrico