terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Bem- Estar Psicológico

O assunto aqui abordado não oferece nenhuma fórmula mágica ou regra de como obter o bem-estar psicológico. Não apresenta induções nem sugestões, é antes uma reflexão sobre a tomada de consciência do que podemos fazer para alcançar esse bem-estar.

Quando alguém está ciente de que ele é o construtor do seu destino, abandona as projeções de atribuir ao mundo a responsabilidade por seu sucesso e insucesso; larga a posição cômoda de vítima, e assume a autoria de sua existência; deixa de perder energia com queixas tóxicas; desiste de intrometer-se na vida dos outros, enfim, pára de perder tempo e energia vital.

Falar de estados positivos como saúde, bem-estar, alegria, felicidade é tão pouco usual e pouco refletido, que, para defini-los, se utilizam termos negativos, por isso a saúde se define como a ausência de doença e o bem como a ausência do mal.

Somente a reencarnação possibilita compreender a diversidade do comportamento humano. Tentar explicar as diferenças entre as pessoas baseados apenas na hereditariedade, na educação e na cultura, não responde a tantas diferenças. Muitos irmãos gêmeos que receberam a mesma educação podem ter inclinações opostas, ou seja, um poderá gostar de música clássica enquanto o outro tornar-se delinqüente. É comum observar também que pessoas criadas em ambientes perigosos onde predominam drogas, jogos, malandragens, não se envolvem com a pressão ambiental, tornando-se cidadãos honestos.

Essas condutas diferentes do esperado contrariam as estatísticas e deixam os materialistas sem respostas racionais. Porque é fato conhecido que as condições básicas para a formação de um cidadão se verifica por meio da hereditariedade, da educação familiar, da formação escolar, e das influências do meio ambiente. Mas, à revelia dessas forças reprodutoras de estereótipos, muitas pessoas tomam uma direção diferente do esperado. Entendemos que essas influências somente contribuem para o esboço da personalidade e não para a sua formação ou para a determinação de como ele será. Para tentar explicar esse disparate, os cientistas falam de influências inconscientes que os pais passam aos filhos, ou de pessoas importantes em sua vida. É comprovado que, inconscientemente, as pessoas expressam seus desejos e intenções não manifestas; mães que gostariam de ter uma filha, e nasce um menino, acabam por tratando a criança como se fosse uma garota. O pai que vê no filho um rival, discretamente dará mais atenção aos outros filhos, fazendo comparações de desqualificação àquele. A Psicologia está repleta de experiências demonstrando as influências parentais nos filhos, consciente ou inconscientemente. Mas a suscetibilidade a tais influências está subordinada ao psiquismo do indivíduo que trás experiências de existências passadas de forma manifesta ou não.

Reconhecemos a influência da educação e do ambiente como mediadores na formação da personalidade; mas uma pessoa não é uma massa amorfa, como um recipiente onde se jogam coisas passivamente. É o que demonstra a Terapia Regressiva; pessoas submetidas à regressão de memória lembram de quando estavam no útero materno; ouviam os pais conversando, sentiam as emoções da mãe. Ora, se como feto o ser tem lembranças, significa que ele tem memória; se possui memória, quer dizer que tem uma mente registrando os eventos. Segundo a Psicologia, a memória é um fenômeno consciente que envolve associações e aprendizado. Segundo a Biologia, para haver memória é necessário haver matéria organizada. Como é possível um feto registrar eventos ocorridos no útero, se o seu corpo ainda está em formação?

As evidências mostram que as experiências são arquivadas na mente, que é extrafísica, pré-existente, sendo o cérebro o seu instrumento. Ao reencarnar, a pessoa traz, acumulado em sua mente, as experiências passadas, por isso é possível registrar as ocorrências intra-uterinas, pois já existe uma estrutura psíquica.

Uma pessoa, ao nascer, já traz interesses próprios para uma ou outra coisa, crenças em torno da vida, auto-conceito e tendências, que, juntos com a formação da atual existência, vão delinear a nova personalidade; é principalmente na adolescência, que são manifestados os interesses pessoais, do mundo à sua volta, deixando muitos pais frustrados com a mudança de comportamento que se opera. Com esse preâmbulo, pretendemos dar algumas pinceladas no entendimento da personalidade. Somente através da pré-existência da individualidade pode-se compreender sua condição atual. O ser humano quando adquire consciência e responsabilidade, passa a ser o construtor de sua própria evolução. As diferenças entre as pessoas quanto aos valores, os conhecimentos, as crenças, as tendências, a moral, estão relacionadas à sua evolução. Em linhas gerais, a evolução representa as experiências angariadas no mundo e o conseqüente eclodir dos potenciais latentes, expressados na existência. Como no Planeta predominam os interesses materialistas, as pessoas individualmente e nos grupos afins buscam, prioritariamente, os bens materiais e os prazeres sensuais, mesmo que para isso seja preciso passar por cima dos outros gerando atritos, disputas, prejuízos no qual a suposta vítima vai querer ser ressarcida. Daí podem advir o ódio para alguns e a culpa para outros, o casamento perfeito para as perseguições destrutivas. Felizmente, isso está mudando, a conduta moral está melhorando. Há uma preocupação com a saúde coletiva, com a natureza e com o respeito ao próximo. Toda essa variedade de conduta, desde um psicopata inconseqüente até a renúncia do amor fraterno, retratam a moralidade individual e coletiva. Para a pessoa amadurecida, os problemas do mundo são compreendidos como transitórios e instrutivos. Para a pessoa conturbada e doente, no estado de sono como propõe Ouspenski, os conflitos, os problemas econômicos, as enfermidades, as calamidades naturais são tão esperados, que elas passam a acreditar que são inerentes à vida. A convivência prolongada com essas situações são incorporadas nas concepções de vida.

Podemos fazer 3 divisões desses problemas:

a. pessoais: são as doenças e os conflitos psicológicos;
b. interpessoais: quando há divergências de idéias, competição, etc.;
c. sociais: reportam a intolerância ideológica, a hegemonia de um grupo sobre o outro, os problemas ecológicos, etc.

Essas questões são enfrentadas em todo o processo de socialização. Por isso, recebem o cunho de natural, inerente à condição humana. Até os questionamentos sobre essas ocorrências são limitados e tendenciosos. Porque o raciocínio, sobre essa problemática, não vai além dos pressupostos colhidos no próprio meio, que já contêm os questionamentos possíveis e as respostas esperadas.